MBRF (MBRF3) tem resultados sólidos e margens saudáveis no 1T26

Companhia apresentou um trimestre sólido, mesmo diante de um ambiente desafiador

Felipe Moreira

Ativos mencionados na matéria

(Foto: Reprodução do Instagram/@mbrf.global)
(Foto: Reprodução do Instagram/@mbrf.global)

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As ações do frigorífico MBRF (MBRF3) tiveram um dia volátil e fecharam no zero no pregão desta sexta-feira (15), após a divulgação de resultados do primeiro trimestre de 2026 (1T26). O papel fechou no zero, a R$ 17,42.

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Na avaliação do Goldman Sachs, a MBRF apresentou um trimestre sólido, mesmo diante de um ambiente desafiador. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA) ajustado de R$ 3,1 bilhões ficou 5% acima do consenso compilado pela Bloomberg.

Segundo o Goldman Sachs, a BRF manteve um ritmo operacional forte, enquanto a divisão de carne bovina na América do Sul apresentou crescimento robusto de volumes. Já a operação de carne bovina no mercado doméstico teve desempenho superior ao de concorrentes do setor.

O Goldman Sachs reiterou classificação de compra e preço-alvo de R$ 25,10.

O JPMorgan também classifica os resultados como resilientes, com destaque para margens saudáveis e EBITDA acima das expectativas. O banco destaca a resiliência das margens da operação de carne bovina nos Estados Unidos e no Brasil, além da melhora das margens no segmento halal, mesmo diante de desafios geopolíticos. O JPMorgan também ressaltou a recuperação sequencial dos volumes de produtos processados ao longo dos meses do trimestre.

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Por outro lado, os analistas apontaram preocupação com a alavancagem elevada da companhia. A relação dívida líquida/EBITDA ficou em 3,37 vezes, enquanto o fluxo de caixa apresentou consumo de R$ 1,3 bilhão no período, em linha com as estimativas do banco.

O JPMorgan manteve recomendação overweight (equivalente à compra) para as ações, com preço-alvo de R$ 24,50.

A MBRF reportou um EBITDA ajustado consolidado de R$ 3,1 bilhões, 2% acima das estimativas do Bradesco BBI, em um trimestre marcado por tendências operacionais positivas.

Já a receita líquida totalizou R$ 39,5 bilhões, estável no comparativo anual, com volumes consolidados de 1,95 milhão de toneladas, enquanto preços em moedas locais mais elevados foram compensados por efeitos negativos de conversão cambial.

O lucro líquido, por sua vez, atingiu R$ 111 milhões, pressionado por maior carga tributária. O consumo de caixa de R$ 1,6 bilhão foi o principal ponto negativo, ainda que o capital de giro operacional tenha vindo melhor que o esperado.

A dívida líquida cresceu em R$ 507 milhões no trimestre, alcançando R$ 50,9 bilhões (incluindo arrendamentos e FIDC), com alavancagem em 3,9 vezes a relação Dívida Líquida/EBITDA dos últimos 12 meses. O BBI manteve recomendação neutra e preço-alvo de R$ 23.

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Na avaliação do Itaú BBA, a plataforma diversificada da companhia, com maior exposição a produtos de valor agregado, continua sustentando a resiliência dos resultados em diferentes ciclos e geografias, ajudando a reduzir a volatilidade dos ganhos consolidados. “Essa força estrutural reforça o perfil defensivo da MBRF, especialmente em um ambiente macroeconômico e de proteínas considerado desafiador.”

Apesar disso, os analistas do BBA avaliam que investidores do setor de proteínas devem permanecer cautelosos no curto prazo, enquanto acompanham o momento do ciclo do mercado de carne bovina nos Estados Unidos e as perspectivas para as margens de frango no segundo semestre de 2026. Dessa forma, o banco manteve classificação neutra e preço-alvo de R$ 23.

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Impacto do conflito no Irã

A Genial Investimentos avalia que o conflito no Irã gerou um impacto líquido positivo para a operação da BRF no primeiro trimestre de 2026, ao favorecer a demanda no Oriente Médio e impulsionar margens no curto prazo.

Segundo a casa, a forte demanda durante o Ramadã, em janeiro e fevereiro, foi seguida por interrupções no fornecimento regional, permitindo que os reajustes de preços superassem a inflação de custos. Isso teria proporcionado um benefício líquido para as margens da companhia no corredor do Oriente Médio.

A Genial destaca ainda que a logística da empresa foi reorganizada com sucesso, por meio da adoção de novas rotas marítimas, utilização de portos alternativos e ampliação de trechos terrestres. A produção não chegou a ser interrompida, enquanto os estoques regionais seguem suficientes para atender ao atual escopo geográfico do conflito.

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Mesmo com a avaliação positiva no curto prazo, a corretora pondera que o cenário de risco muda caso o conflito se prolongue até o terceiro trimestre de 2026 ou além, embora exista a possibilidade de um acordo de paz nos próximos dias.

A Genial manteve recomendação de compra e preço-alvo de R$ 23.