Publicidade
SÃO PAULO – O pessimismo visto desde o início da semana permanece forte nesta quarta-feira (14) e o dólar comercial fecha em forte alta, a terceira consecutiva. Novos indicadores negativos nos EUA e fluxo cambial brasileiro contribuíram para impulsionar a divisa.
Diante da forte valorização, o Banco Central retomou sua estratégia de intervir no mercado de câmbio com leilões para equilibrar as cotações. Desta vez, dois leilões de empréstimo de dólar com garantia em contratos para o financiamento de exportações foram realizados. Um primeiro leilão teve colocação de US$ 276 milhões, enquanto a segunda operação girou US$ 1 bilhão.
Além disso, um novo leilão de dólares no mercado à vista foi realizado pelo órgão.
A autoridade monetária divulgou nesta sessão o fluxo cambial referente aos seis primeiros dias de janeiro. O resultado negativo em US$ 873 milhões revelou que a saída de dólares do País continua. Tanto o saldo comercial quanto o financeiro, que já vem deficitário há dez meses, ficaram negativos.
Linha de crédito
Henrique Meirelles, presidente do BC, anunciou mais uma medida para dar liquidez aos bancos que fornecem crédito para empresas brasileiras com dívidas em dólar. O programa deve ter início ainda neste mês e prosseguir até o final de 2009, sendo que a estimativa de seu volume é de US$ 20 bilhões.
“Todas as empresas brasileiras que têm empréstimos vencendo no exterior vão ter também acesso aos recursos das reservas que serão aplicadas em bancos que emprestarem exclusivamente para essas empresas”, explicou.
Continua depois da publicidade
Pessimismo externo
O nervosismo entre os investidores, que já vinha forte com a chegada da temporada de divulgação de resultados, foi potencializado com novos indicadores ruins sobre a economia norte-americana.
O volume das vendas ao setor varejista nos EUA recuou 2,7% em dezembro, ficando bem abaixo das projeções dos analistas, que estimavam queda de 1,2%.
Diante da perspectiva de desaquecimento da economia global, as cotações das commodities são penalizadas novamente na sessão. A desvalorização das matérias-primas aumenta a preocupação dos investidores em relação à balança comercial brasileira.
Continua depois da publicidade
Confira as cotações
O dólar comercial fechou cotado a R$ 2,3440 na compra e R$ 2,3460 na venda, forte alta de 1,65% em relação ao fechamento anterior. No mercado paralelo, a moeda norte-americana encerrou o dia negociada a R$ 2,4500, representando um ágio de 4,52% em relação ao dólar comercial.
Com esta alta, o dólar acumula valorização de 0,39% em janeiro, frente à alta de 0,73% registrada no mês passado. No ano a valorização acumulada da moeda norte-americana
já chega a 0,39%.
Dólar futuro na BM&F
Na BM&F, o contrato futuro com vencimento em fevereiro encerrou o dia cotado a R$ 2.374, forte alta de 1,45% em relação ao fechamento de R$ 2.340 da última terça-feira. O contrato com vencimento em março, por sua vez, fechou em forte alta de 0,93%,
atingindo R$ 2.382 frente à R$ 2.360 do fechamento de ontem.
Continua depois da publicidade
O dólar pronto, que é a referência para a moeda norte-americana na BM&F Bovespa, registrava R$ 2,3460.
FRA de cupom cambial
Por fim, o FRA de cupom cambial, Forward Rate Agreement, referência para o juro em dólar no Brasil, fechou a 1,05% para março de 2009, 0,30 ponto percentual abaixo do fechamento anterior.