Infidelidade acionária

Marido de ex-presidente da Playboy é indiciado nos EUA acusado de insider trading

William Marovitz teve que pagar US$ 168 mil para manter a liberdade, mas perdeu Christie Hefner, sua esposa por 15 anos

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SÃO PAULO – Christie Hefner, ex-presidente do grupo Playboy, viu seu ex-marido William Marovitz no banco dos réus acusado de insider trading – com as ações do próprio grupo que comandava, de acordo com matéria publicada pela Bloomberg. Christie, filha do fundador da revista de entretenimento adulto, contava os segredos da companhia para o cônjuge – que as usou para negociar ações e lucrar com isso, em segredo.

Christie só veio a saber quando o marido confessou – depois que já era investigado pela SEC (Securities and Exchange Comission), a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) norte-americana. A instituição deve indiciar 400 envolvidos em esquemas que envolvão traição – desde a quebra da confiança à clientes, empregadores, amigos ou até mesmo parantes e companheiros. A SEC já inocentou Christie. 

Esse tipo de traição é tão danosa quanto à traição sexual – e também é destrutivo à relação, possível de acabar com o casamento. A pessoa traída pode não ter apenas a honra manchada pelo caso – pode perder reputação, confiança do mercado e até mesmo o seu emprego, uma grande marca na carreira. 

Esse tipo de crime tem sido frequentemente mais comum entre relações afetivas do que profissionais, de acordo com a própria SEC. O governo norte-americano, porém, tem colocado a colher em briga de marido e mulher, e deseja punir exemplarmente todos os envolvidos em casos como esse. 

A relação de confiança é absolutamente comum entre casais -, mas a negociação das informações conversadas não é esperada. Casos como o de Christie chamam a atenção: o que essas pessoas esperam obter de relações como essa? 

O advogado-geral da Playboy, Howard Shapiro, a mando de Christie, já havia alertado Marovitz que todas as consequências legais que ele enfrentaria caso comprasse papéis da Playboy – mas Marovitz, um ex-político, ignorou o conselho. Christie, em testemunho à SEC, disse que havia pedido que o marido nunca negociasse ações da empresa que comandava tendo em base as informações que lhe havia dito, mas o casal optou por manter contas separadas em corretoras. 

Casos de insider
A primeira vez que Marovitz comprou ações foi em 2004, quando o casal tinha nove anos de casado. O ex-senador sabia que a empresa emitiria novas ações – e optou por comprar 5.000 ações, embolsando um lucro de US$ 2,8 mil.

Mais para frente, Marovitz estaria comprando e vendendo até 35.200 ações da empresa de uma vez, conforme o cotidiano da empresa, confidenciado por Christie, colaborava. Em alguns momentos, ele chegou a ter evitar perdas de até US$ 65 mil – antes de um resultado ruim. 

O criminoso foi, pela primeira vez, procurado pela SEC em 2010 – depois de conseguir lucros de até US$ 22 mil com trades antes da possível compra da Playboy pela Iconix Brands Group. Christie disse que não sabia que ele estaria usando as informações privilegiadas – e até chamou um dos melhores advogados da cidade para proteger o marido. 

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Com o andamento do processo, Christie percebeu que o marido estava, de uma forma ou de outra, lhe traindo. Marovitz conseguiu escapar da prisão: pagou US$ 168.352 para cobrir os seus ganhos, calculados pela SEC em US$ 100.952. Mas se o ex-senador manteve a liberdade, perdeu a mulher: logo por conta do caso, Christie saiu da casa onde moravam e o casal se separou.