Marfrig sobe 12,8% e MRV cai 6,7% após balanços; OGX avança 5% com leilão da ANP

Vale tem 3º dia de queda com cenário negativo na China, Gol sobe 3,29% mesmo após prejuízo maior e Magazine Luiza tem forte alta de 5,36% com resultados

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SÃO PAULO – Após momentos de instabilidade, o Ibovespa conseguiu terminar esta terça-feira (14) com alta de 0,40%, aos 54.666 pontos, interrompendo uma sequência de quatro quedas. Os principais destaques do pregão ficaram com as empresas que soltaram seus resultados trimestrais antes da abertura dos negócios e tamém das petrolíferas que participaram da 11ª rodada do leilão da ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis).

O leilão da ANP teve início nesta terça e terminará na próxima sessão. Dentre as empresas de capital aberto que participaram do leilão, destaque para a OGX Petróleo (OGXP3) e a Petrobras (PETR3; PETR4), que compraram mais de 10 blocos cada. A petrolífera de Eike Batista ainda viu suas ações subirem 5,39% nesta terça, sendo um dos principais destaques positivos do Ibovespa, fechando a R$ 1,76. A Petro, por sua vez, mostrou alta de 0,83% para as ações PN e de 0,27% para as ON.

Veja mais: OGX leva 10 blocos na 11ª rodada de leilão da ANP, por R$ 300 mi; Petro vence em 12

Vale e siderúrgicas quase estragam a festa
O dia positivo do Ibovespa, no entanto, quase não se concretizou, por causa da ação com maior participação na carteira do índice: a Vale (
VALE3; VALE5). A mineradora viu seus ativos fecharem em queda pelo 3º dia seguido, com os papéis ON caindo 1,94%, a R$ 32,79, enquanto os PNA recuaram 2,36%, fechando a R$ 31,07. No acumulado destas três sessões, a queda já ultrapassa os 5%.

Dentre os fatores que puxaram os papéis neste pregão, está o cenário mais negativo para a China, que é o maior consumidor da produção da Vale no mundo. A última sessão para os asiáticos foi negativa, com o índice Shangai apontando queda, após o relatório do JPMorgan Chase diminuir as projeções do banco para o crescimento da economia local. Os analistas do banco esperam que o PIB (Produto Interno Bruto) do país cresça 7,6% em 2013 – a projeção anterior apontava crescimento de 7,8%.

Além disso, conforme aponta o analista da Geral Investimentos, Carlos Müller, a possibilidade do BC chinês não prover estímulos monetários para alavancar a economia local também exerce um efeito bastante forte sobre as ações da mineradora. A produção industrial cresceu 9,3% em abril na comparação com o mesmo período do ano anterior, após uma mínima de sete meses de 8,9% em março, mas ainda assim abaixo abaixo da expectativa do mercado de expansão de 9,5%.

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Neste cenário, ações de siderúrgica também registraram perdas, com destaque para a CSN (CSNA3), com baixa de 3,09%, a R$ 6,89 – atingindo sua menor cotação desde fevereiro de 2006 -, além dos papéis da Usiminas (USIM3; USIM5), que fecharam com baixa de 2,73% para os ativos ordinários, a R$ 8,54 e 2,20% para as ações preferenciais, cotadas a R$ 8,44.

Marfrig dispara 13% após resultados
A Marfrig (MRFG3) apontou reversão no lucro de R$ 34,5 milhões obtidos no primeiro trimestre de 2012, para prejuízo de R$ 81,2 milhões no mesmo período deste ano. Mesmo assim, as ações da companhia dispararam e encerraram o dia com a maior alta do Ibovespa, com valorização de 12,88%, a R$ 7,45 – sua maior alta diária desde 11 de novembro de 2011, quando subiu 16,67%. A Planner Corretora avalia alguns aspectos positivos nos resultados apresentados, com destaque para o crescimento da receita e do lucro líquido.

Em teleconferência, o presidente da Seara Brasil, Sérgio Rial, afirmou que a empresa focará no corte de custos e na redução em até R$ 2 bilhões do endividamento bruto, para garantir melhor avaliação e atratividade junto ao mercado.

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Na última semana, a Standard & Poor’s cortou o rating da dívida em moeda estrangeira da empresa de B+ para B e colocou a nota em perspectiva negativa. Perguntado sobre o assunto, Rial explicou que “temos uma meta clara de redução de dívida… Acreditamos que reduzindo a alavancagem do grupo, nós melhoramos o nosso próprio rating e nossa estrutura de capital. Com isso, seremos precificados de uma maneira mais inteligente”.

Imobiliárias: Cyrela dispara e MRV despenca após balanços
Diversas companhias apresentaram seus balanços trimestrais entre a noite de ontem e a manhã desta terça-feira. Entre os destaques, o setor imobiliário chamou atenção, com a Cyrela (CYRE3; R$ 18,07; +4,45%) subindo forte após resultados considerados consistentes, e a MRV Engenharia (MRVE3, R$ 7,47, -6,74%), que com números considerados decepcionantes, teve uma das maiores perdas do dia.

Veja mais: Os “dois mundos” das imobiliárias: Cyrela dispara e MRV despenca após balanços

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Mesmo com prejuízo, ação da Gol sobe 4%
Entre as maiores altas, ficaram os papéis da Gol (GOLL4), com alta de 3,29%, a R$ 12,25. A companhia de aviação registrou um prejuízo líquido de R$ 75,3 milhões no primeiro trimestre do ano, 81,8% superior ao resultado do ano passado, de prejuízo de R$ 41,4 milhões. Já o lucro operacional de R$ 101 milhões, com alta de 1.293,2% na comparação com os R$ 7,3 milhões do mesmo período do ano anterior. 

Os analistas do UBS, Victor Mizusaki e Rodrigo Fernandes, destacam que o resultado da companhia revelou uma “virada bem sucedida”, com o foco da companhia na lucratividade e na disciplina de capital, em meio à situação bastante crítica vivida pela companhia atualmente. Entretanto, apesar de enxergarem números promissores como de margens de rentabilidade desde o segundo trimestre do ano passado, a gestão ainda segue atenta para equilibrar a situação entre demanda e oferta.

Mais resultados: LLX sobe após resultados e puxa MMX
A LLX Logística (LLXL3) teve alta de 4,05%, a R$ 1,80, mesmo após reportar um prejuizo líquido de R$ 11,48 milhões, uma alta de 25,77% em relação ao mesmo período do ano anterior, de R$ 9,128 milhões. Já a receita operacional líquida da companhia totalizou R$ 14,177 milhões, ante R$ 17,113 milhões no mesmo período do ano anterior, uma queda de R$ 2,93 milhões, uma queda de 17%.

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Com o bom resultado, outra companhia do grupo também viu suas ações avançarem nesta terça. A MMX Mineração (MMXM3), que utiliza os serviços da LLX para venda, fechou a sessão com alta de 8,70%, cotada a R$ 2,00, mas chegou a ter valorização ainda maior durante o dia, avançando 10,33%, para R$ 2,03.

Kroton, Luiza e Dasa avançam…
Outra companhia com desempenho positivo nesta sessão foi a Kroton (KROT3), que viu seu lucro líquido ajustado avançar 87,5%, atingindo R$ 185,5 milhões no primeiro trimestre. O Ebitda também teve forte avanço (73%) e registrou R$ 218,3 milhões no período. Com isso, as ações da empresa encerraram o dia com alta de 0,40%, a R$ 30,10, mas chegaram a atingir valorização de 3,24%, para R$ 30,95 em sua máxima intradiária.

Já a Magazine Luiza (MGLU3) reverteu o prejuízo de R$ 40,7 milhões dos três primeiros meses de 2012 e encerrou o mesmo período de 2013 com lucro líquido de R$ 800 mil. Enquanto isso, a receita líquida foi de R$ 1,76 bilhão entre janeiro e março, avanço anual de 6%. As ações da companhia fecharam esta terça com forte alta de 5,36%, cotadas a R$ 8,06.

A Dasa (DASA3), por sua vez, registrou um lucro líquido de R$ 23,6 milhões, queda de 35,2%, mas viu suas ações fecharem com ganhos de 4,71%, a R$ 12,00, após chegar a subir 9,42%, para R$ 12,54.

… enquanto Abril Educação e Aliansce recuam 
A Abril Educação (ABRE11) registrou lucro líquido de R$ 36,3 milhões no primeiro trimestre, queda anual de 33%, informou a rede de ensino privado nesta segunda-feira. Na comparação anual, a receita líquida caiu 10%, para R$ 224,9 milhões. O Ebitda ajustado caiu 23%, a R$ 85,1 milhões. Com isso, os units da empresa registraram queda de 2,53%, a R$ 41,91.

Já as ações da Aliansce (ALSC3) caíram 2,61%, cotadas a R$ 22,40, após a companhia registrar um lucro líquido de R$ 6,08 milhões no primeiro trimestre, queda de 80,5% em relação ao último ano. Porém, o Ebitda da empresa fechou o período a R$ 69,75 milhões, uma alta de 53,7% ante 2012.


Repórter de mercados do InfoMoney, escreve matérias sobre ações, câmbio, empresas, economia e política. Responsável pelo programa “Bloco Cripto” e outros assuntos relacionados à criptomoedas.