Destaques da Bolsa

Marfrig dispara 10%, Vale salta 20% na semana e mais de 10 ações do Ibovespa têm queda superior a 10%

Confira os destaques do noticiário corporativo desta sexta-feira (11)

SÃO PAULO – O dia foi de turbulência para o Ibovespa. Após subir 0,70% nas primeiras horas, o índice perdeu força e caiu 3,73% nesta sexta-feira (11), a 58.920 pontos, na sua terceira sessão seguida de perdas, seguindo o cenário de turbulência com a eleição de Donald Trump. Somente oito das 58 ações do índice subiram hoje, enquanto 18 caíram mais de 5%.  receio de que Fed adote postura mais agressiva com governo americano ampliando estímulos fiscais e gastos, com impacto inflacionário – e gerando impacto na política monetária brasileira. 

Na semana, as ações da Fibria e Vale figuraram como as maiores altas do Ibovespa, com ganhos acima de 20%. Apesar da forte alta semanal, a mineradora teve hoje sua primeira sessão de perdas após quatro pregões seguidos de valorização. Do outro lado, os papéis da Copel, Sabesp e Lojas Americanas tiveram as maiores perdas acima de 8%. 

Confira abaixo os destaques desta sexta-feira: 

Petrobras (PETR3, R$ 16,33, -5,82%;PETR4, R$ 14,01, -9,61%)
As ações da Petrobras intensificaram as perdas após um início de sessão volátil de olho na cotação do petróleo, mas o grande destaque ficou para o grande descolamento entre os ativos ON e PN. As ações ON caíram forte, mas menos do que as PNs, que despencaram: isso por que a percepção do mercado é de que o forte impairment divulgado ontem à noite, que gerou o prejuízo de R$ 16,5 bilhões, é de que se reduziram “drasticamente as chances de a empresa declarar dividendos este ano” e, com isso, o call para PETR4 em relação a PETR3 deve sofrer” no curto prazo, segundo o Bradesco BBI. 

Vale destacar ainda os preços do petróleo voltam a cair na sexta-feira à medida que o mercado voltou a se concentrar no cenário de um excesso persistente de oferta que não deverá diminuir, a menos que a OPEP e outros produtores reduzam significativamente sua produção. O WTI registrou queda de 3,22%, a US$ 43,22 o barril. 

Sobre o resultado da empresa, o prejuízo líquido saltou mais de 4 vezes no 3° trimestre quando comparado com o mesmo período de 2015, para R$ 16,458 bilhões, em meio a impairment (baixas contábeis) de ativos e de investimentos em coligadas no valor de R$ 15,709 bilhões. O balanço foi visto positivamente pelos analistas, apontando que a estatal antecipou o impairment para o terceiro trimestre devido ao novo plano de negócios. “Queda no endividamento e forte geração de fluxo de caixa são os principais destaques”, afirma o Santander. Confira mais clicando aqui. 

Além disso, cabe destacar a notícia de que do Estadão de que o BNDES estuda alternativas para reduzir exposição à Petrobras. O banco não tomará nenhuma decisão que desvalorize sua participação na Petrobras na hora de cumprir a meta de reduzir em 20% o excesso de sua exposição à estatal até junho de 2018, como estabelecido em resolução de junho de 2015 do Conselho Monetário Nacional (CMN), informou a diretora de Mercado de Capitais da instituição, Eliane Lustosa. 

Exportadoras e commodities
Exportadoras como as ações de papel e celulose Fibria (FIBR3, R$ 30,45, +7,67%), Suzano (SUZB5, R$ 12,65, +4,98%) dispararam na sessão de hoje, com o dia de fortes alta do dólar. As ações acompanharam a valorização do dólar nesta sessão, com o contrato futuro para dezembro com alta de 2,76%, a R$ 3,495. Klabin (KLBN11, R$ 17,00, +4,29%) também tiveram ganhos, mas mais moderados. 

Contudo, a Embraer (EMBR3, R$ 17,53, -4,00%), que registrou expressivos ganhos, assim como a JBS (JBSS3, R$, 9,10, -1,62%). 

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As ações da Vale (VALE3, R$ 25,98, -3,31%;VALE5, R$ 23,61, -5,18%) viraram para forte queda após terem subido fortemente mais cedo seguindo a disparada do minério de ferro. Na mínima do dia, os papéis PNs atingiram perdas de 4,34%. 

A mineradora ainda teve o preço-alvo de seu ADR elevado de US$ 6,50 para US$ 8,50 pelo Bradesco BBI, em meio à revisão das estimativas para o preço do minério de ferro. A estimativa para a commodity subiu para US$ 55 a tonelada em 2017 ante US$ 50 e de US$ 50 a tonelada em 2018, ante US$ 45. Segundo os analistas, a mineradora pode gerar US$ 11 bilhões de fluxo de caixa livre até o terceiro trimestre do ano que vem. A recomendação para os ativos segue neutra. 

A mineradora ainda informou nesta sexta-feira que a Justiça Federal em Belo Horizonte determinou que a companhia, a BHP Billiton e a Samarco efetuem em 30 dias depósito complementar de 1,2 bilhão de reais para acautelar futuras medidas reparatórias ao desastre em Mariana (MG), no ano passado.

A Justiça deliberou ainda que as empresas comprovem em um prazo de 90 dias que os vazamentos de rejeitos de mineração na região de Mariana foram definitivamente estancados, segundo fato relevante. Também foi determinado que as companhias apresentem em seis meses estudos conclusivos, com o devido aval dos órgãos ambientais, sobre o plano de ação e viabilidade da retirada da lama depositada nas margens do Rio Doce, seus afluentes e adjacências de sua foz.

Marfrig (MRFG3, R$ 5,78, +9,89%)
A Marfrig dispararam até 13%, na maior maior alta desde 2013, após o presidente do conselho de administração Marcos Molina, assegurar hoje a analistas que a companhia não recomprará as debêntures obrigatoriamente conversíveis em ações detidas pelo braço de participações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a BNDESPar.

A companhia de alimentos ainda informou que teve prejuízo líquido de R$ 170,4 milhões no terceiro trimestre, revertendo resultado positivo obtido um ano antes de R$ 185,9 milhões. A empresa divulgou mais cedo corte de projeções de desempenho neste ano que incluíram uma redução na expectativa de receita para R$ 19 bilhões a R$ 20 bilhões ante faixa estimada em fevereiro de R$ 22 bilhões a R$ 24 bilhões.

O faturamento líquido do terceiro trimestre somou R$ 4,45 bilhões, uma queda de 13% sobre igual período do ano passado e de cerca de 7% no comparativo com os meses de abril a junho deste ano. A Marfrig afirmou que adotou estratégia no trimestre de reter algumas categorias de produtos da divisão de carne bovina esperando um melhor preço médio. A tática “elevou o estoque de produtos acabados e, no caso das vendas para o mercado externo, a finalização de algumas das negociações mais ao final de setembro não permitiram que as vendas fossem contabilizadas dentro do período”.

O custo de produtos vendidos, caiu 12,6% na comparação anual, a R$ 3,96 bilhões. A Marfrig afirmou ainda que o volume de abate de bovinos permaneceu em linha com o terceiro trimestre de 2015, o que permitiu que a taxa de utilização de capacidade no Brasil ficasse acima de 80%. Para os próximos meses, a Marfrig afirmou no balanço que espera estabilidade no custo de gado, ainda que em patamar elevado e recuperação dos preços de exportação dado o limitado crescimento de oferta global.

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Estácio (ESTC3, R$ 16,00, +3,86%)
A Estácio subiu forte após os resultados do terceiro trimestre, com um lucro líquido de R$ 135,7 milhões, ante expectativa de R$ 130 milhões. 

O Santander apontou que os resultados “foram ligeiramente superiores às expectativas (e do consenso) e revelaram uma dinâmica diferente da dos resultados anteriores, que vemos como uma indicação de que as iniciativas tomadas pela nova equipe de gestão deram frutos”; “reiteramos nossa opinião de que ESTC3 é o melhor player para ganhar exposição à fusão” com Kroton (KROT3, R$ 14,06, +1,88%). O Safra apontou resultados “positivos”, principalmente devido à “forte recuperação do ticket e a despesas de vendas menores que o esperado”. 

Copel (CPLE6, R$ 28,51, -12,36%) 
As ações da Copel foram destaque de queda na Bolsa após os resultados do terceiro trimestre. A elétrica reportou prejuízo líquido de R$ 75,1 milhões, ante lucro de R$ 91,4 milhões no mesmo período do ano passado, devido a maiores despesas financeiras. O Ebitda somou R$ 427,7 milhões, alta de 42,9% na comparação com o mesmo período de 2015, impactada positivamente pelo resultado apresentado pela Copel Distribuição em decorrência do quarto ciclo de revisão tarifária e pela estratégia de alocação de energia no mercado de curto prazo por parte da Copel GeT, entre outros fatores. Já a receita operacional líquida caiu 10,4%, para R$ 2,9 bilhões. 

O Itaú BBA destacou que os resultados “piores que esperado” podem ter impacto negativo no curto prazo; a Copel D frustrou novamente. 

As ações da Cemig (CMIG4, R$ 7,92, -4,00%), que divulgará os números após o fechamento do mercado, também despencaram. 

Cenário doméstico
Assim como na última quinta-feira, as principais quedas do índice são de papéis ligadas ao cenário doméstico. Os principais contratos de juros futuros registram um novo dia de alta, refletindo a perspectiva de que o Banco Central brasileiro deve ter maior cautela de olho no Fed. 

As varejistas caíram forte, assim como outras empresas que acompanham o ambiente doméstico. Com a queda dos juros, as famílias consomem mais, o que aumenta a receita destas companhias. Assim, os níveis mais altos de taxa de juros ou perspectiva de queda mais lenta são prejudiciais para empresas de consumo. Via Varejo (VVAR11, R$ 7,96, -12,91%),  Lojas Renner (LREN3, R$ 22,78, -3,23%), Lojas Americanas (LAME4, R$ 17,09,-8,46%), Pão de Açúcar (PCAR4, R$ 54,00, -6,61%) afundaram.

Vale destacar que, segundo notícia do jornal Folha de S. Paulo de que o governo brasileiro já avalia que o crescimento econômico demorará mais para voltar; além disso, a equipe econômica também já revisou a projeção para o crescimento em 2017. Agora, o ministro Henrique Meirelles (Fazenda) trabalha com uma alta do PIB na casa de 1% no próximo ano, ante a previsão oficial anterior de 1,6%. A projeção pode ficar ainda mais negativa depois da vitória de Donald Trump.  

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Imobiliárias como Cyrela (CYRE3, R$ 9,22, -7,80%) e MRV (MRVE3, R$ 11,62, -5,22%), Direcional (DIRR3, R$ 4,54, -9,74%) despencaram, assim como empresas do setor de shopping centers como BR Malls (BRML3, R$ 10,66, -4,14%) e Multiplan (MULT3, R$ 57,51, -4,40%). 

A JHSF (JHSF3, R$ 1,47, -7,55%) também teve forte queda. Vale destacar que a companhia anunciou a venda de 33% de participação no Shopping Cidade Jardim, na cidade de São Paulo, por R$ 410 milhões para uma subsidiária brasileira da empresa israelense de investimentos imobiliários Gazit Globe. A venda ocorreu em meio a programa para redução de dívida e reforço da estrutura de capital da JHSF.

“A parceria da JHSF com a Gazit, um dos principais operadores globais de shopping centers, abre novos horizontes para o desenvolvimento de produtos únicos no mercado”, afirmou a JHSF em comunicado ao mercado. A empresa acrescentou que a parceria inclui “possibilidade das duas companhias participarem mutuamente em novos projetos”.

Além disso, ainda há o caso das concessionárias, que possuem fluxos de caixa previsíveis por trabalharem com grandes projetos com valuations próprios. Sendo a TIR (Taxa Interna de Retorno) de um projeto conhecida, a atratividade desses papéis é muito determinada pela diferença entre a Selic, que é a taxa livre de risco, e essa TIR. Quanto maior a taxa de juros, portanto, menor a atratividade das ações de empresas como CCR (CCRO3, R$ 14,18, -8,22%) e Ecorodovias (ECOR3, R$ 8,15, -2,98%).

As ações da Sabesp (SBSP3, R$ 27,11, -10,38%) despencaram; cabe lembrar que a companhia é fortemente endividada em dólar e, quando o dólar sobe, ela é impactada em meio ao aumento d custo da dívida. A Sabesp também divulgou balanço, revertendo prejuízo de R$ 580,1 milhões um ano antes para lucro líquido de R$ 573,9 milhões no 3° trimestre de 2016. A empresa foi beneficiada pela redução do resultado financeiro de R$ 1,5 bilhão negativo, no terceiro trimestre de 2015, para R$ 176,8 milhões negativos. A receita de venda de bens e serviços ainda subiu 17%, para R$ 3,75 bilhões. O Ebitda ajustado, que desconsidera o impacto de outras receitas e despesas operacionais líquidas, cresceu 48%, para R$ 1,34 bilhão. Segundo o BTG Pactual, a leitura final do resultado foi positiva. 

Já a  varejista Lojas Americanas registrou um prejuízo líquido de R$ 70,5 milhões, revertendo resultado positivo de R$ 6,5 milhões obtido no mesmo período do ano passado. A última linha do balanço foi impactada pelo aumento de 40% no prejuízo financeiro da empresa, que passou de R$ 429,3 milhões para R$ 583,6 milhões. A receita líquida da companhia caiu 1,7%, passando para R$ 3,96 bilhões. O crescimento da receita bruta no conceito “mesmas lojas”, que considera os estabelecimentos abertos há mais de 12 meses, foi de 3,9% na comparação anual.