Marfrig avança 7% e CSN sobe 4% em “rali da recompra”; veja mais 15 destaques

No aguardo das pesquisas Sensus, que deve sair hoje, e Datafolha, o Ibovespa teve dia morno, com alta dos papéis da Marfrig e CSN, além das estatais e bancos; na ponta de baixo figuram Embraer e Cyrela

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SÃO PAULO – Após o dia de euforia de ontem, com a disparada do Ibovespa, hoje o dia foi morno, com o índice operando próximo da estabilidade com a espera da divulgação das pesquisas eleitorais Sensus, que deve sair ainda hoje, e Datafolha. Os destaques da ponta positiva do Ibovespa ficaram com as ações da Marfrig (MRFG3) e CSN (CSNA3). Além destas, as ações da Gol (GOLL4) também registraram forte alta no dia de hoje. As estatais também figuraram nos ganhos do Ibovespa.

Além disso, o mercado digeriu nesta terça os dados econômicos e o discurso de Janet Yellen, chairwoman do Fed, que disse que a autoridade monetária pode agir antes se o mercado de trabalho continuar surpreendendo, o que fez com que as bolsas em Wall Street zerou os ganhos. Porém, ela afirmou no Congresso que a economia dos Estados Unidos ainda precisa do suporte do Fed e que a retomada econômica do país permanece incompleta.

Na ponta de baixo os destaques ficaram com a Embraer (EMBR3), que virou para queda mesmo com a divulgação de inúmeros acordos entre ontem e hoje, e, fora do índice, destaque para a alta dos papéis Lupatech após anúncio do acordo entre os credores da empresa, e da small cap Tecnosolo (TCNO4) que vive um momento de recuperação na Bolsa.

Veja os principais destaques desta 3ª:

Marfrig (MRFG3, +7,17%, R$ 6,43)
As ações da Marfrig fecharam como a maior alta do Ibovespa após terem a recomendação e o preço-alvo elevados pela equipe do Bank of America Merrill Lynch e dispararam mais de 7%, atingindo o maior patamar desde setembro de 2013.

O banco elevou a recomendação de “neutro” para “compra”, citando os preços mais baixos de grãos e o recente recuo no custo da dívida da empresa de alimentos, enquanto o preço-alvo da ação da companhia passou para R$ 8, ante R$ 5,50.

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Estatais e bancos
Ontem a Petrobras (PETR3, +0,51%, R$ 17,75; PETR4, +0,84%, R$ 19,26) foi incluída na lista de destaque da América Latina do Goldman Sachs, que manteve recomendação da compra para o papel. Além disso, a empresa vem sendo beneficiada por expectativas de que as próximas pesquisas eleitorais apontem para queda de Dilma Rousseff nas intenções de voto. A primeira a ser divulgada pós-Copa deve ser do Datafolha, que vai revelar os números a partir desta quarta-feira. Esta sessão foi a 5ª consecutiva que os papéis da Petrobras subiram, tendo alcançado seu maior patamar desde 25 de novembro do ano passado.

Também na ponta de cima do índice ficaram as ações do Banco do Brasil (BBAS3, +0,67%, R$ 27,15) e Itaú (ITUB4, +1,21%, R$ 34,34) que também subiram com a expectativa da divulgação de novas pesquisas eleitorais. Vale mencionar que junto com as estatais, as ações dos bancos foram as que mais se beneficiaram no “rali eleitoral” no período pré-Copa.

A estatal Eletrobras (ELET3, +1,37%, R$ 6,66; ELET6,+1,45%, R$ 11,23) também fechou em alta. O conselho de administração da Eletrobras aprovou em reunião na sexta-feira a alteração do modelo de governança de suas distribuidoras, em uma reestruturação organizacional que prevê a criação do cargo de diretor-presidente para essas companhias. A reestruturação tem como foco o “reforço da estrutura local, através da descentralização das atividade operacionais com expectativa de ganhos na qualidade do atendimento e dos serviços prestados, preservando-se, contudo, a centralização das atividades corporativas das EDE’s, sob a coordenação da diretoria de distribuição da Eletrobras”.

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Vale (VALE3, +0,65%, R$ 31,06; VALE5, +0,72%, R$ 28,02)
As ações da Blue Chip sobem no dia de hoje após a notícia de que
 a companhia criará um índice para capturar valor de minério de melhor qualidade em Carajás, o IOCJ 65%. Conforme ressalta em relatório o BTG Pactual, o novo índice deve ajudar a capturar valor de seu minério de maior qualidade – a Vale introduziu o IOCJ 65% índice de Fe para desenvolver uma melhor referência para precificar seus minérios. A empresa está tentando melhorar a liquidez deste novo índice. Em apresentação realizada com analistas e investidores na última sexta-feira, a companhia destacou que o aumento esperado na qualidade do produto deve representar valor adicional ao minério de ferro.

O minério de ferro no mercado à vista da China e os contratos futuros do aço atingiram suas máximas de sete semanas nesta segunda-feira com a expectativa de uma demanda mais firme no país, devido a maiores gastos com infraestrutura e moradias de baixo custo. O minério com teor de 62% de ferro, uma referência para o mercado, atingiu US$ 97,90 por tonelada, ampliando a recuperação após atingir a mínima de 21 meses, a US$ 89, em meados de junho, segundo dados do Steel Index. A China vem acelerando as medidas para estimular sua economia, que cresceu 7,4% no primeiro trimestre deste ano, menor ritmo em seis trimestres. 

CSN (CSNA3,+3,88%, R$ 11,50)
A CSN foi impulsionada pelo agressivo programa de recompra da companhia. Assim como nos outros pregões do mês, a corretora do Itaú liderava com folga as compras das ações da siderúrgica – a instituição foi uma das escolhidas para intermediar o programa de recompra da CSN.

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Conforme publicado pelo InfoMoney nesta terça-feira, a corretora do Itaú liderou isoladamente as compras de CSNA3 nos 9 pregões do mês, acumulando um saldo de posição – diferença entre a quantidade de ações compradas e vendidas – de 14,55 milhões ações, enquanto a segunda colocada Credit Suisse tem saldo negativo de 2,55 milhões ações. 

Vale destacar que o programa de recompra da companhia tem prazo para terminar e limite de compras, o que indica que mesmo que as ações continuem subindo, uma pressão vendedora pode pesar para a empresa nos próximos meses, já que analistas estão bem desanimados com a empresa. O atual programa da companhia prevê a aquisição de até 3% do total de ativos em circulação, ou 26.781.661 papéis, até o próximo dia 25 de julho.

Gol (GOLL4, +3,47%, R$ 13,70)
Após ser a maior alta na semana passada, e mesmo tendo registrado perdas ontem, nesta terça-feira as ações da companhia operaram em alta. Na última quinta-feira, Raymond James elevou a recomendação das ações da empresa para outperform (desempenho acima da média), alegando que as ações deveriam subir assim que os “ventos contrários do câmbio diminuem”. Vale lembrar que os papéis da empresa caíram 16,5% entre o final de maio e a última terça-feira, dia que eles bateram o menor patamar desde 3 de abril. 

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Fleury (FLRY3, +3,06%, R$ 16,49)
A Gávea Investimentos deve concluir a compra de participação dos médicos acionistas do laboratório Fleury. Segundo o Valor, os médicos acionistas do Fleury e o Gávea já chegaram a um acordo de preço para a venda da participação. Os médicos, agrupados na Core, teriam aceitado, em reunião realizada no mês passado, vender sua fatia na empresa ao valor de R$ 18,50 por ação. Por conta do valor estabelecido, é natural que as ações busquem o valor da compra e subam até aquele patamar. Ontem, os papéis fecharam a R$ 16. 

Tecnosolo (TCNO4, +26,67%, R$ 0,19)
A empresa de consultoria de engenharia e obras, passou por fortes turbulências nos últimos quatro anos. A empresa, que já tocou projetos importantes no Rio de Janeiro, como a Arena Multiuso do Pan-2007, foi abatida por uma crise anos atrás e precisou entrar com um processo de recuperação judicial em 2012 depois que perdeu a capacidade de pagar suas dívidas. Quebrada, a empresa perdeu credibilidade no mercado e suas ações, juntamente, naufragaram na Bolsa. Cotada acima de R$ 1 no início de 2010, a ação da empresa caiu para R$ 0,03. Mas, passado todo o sufoco e numa bem-sucedida recuperação judicial, a empresa já vê motivos para comemorar.

Além de planos mais ousados, a ação começa a se recuperar na Bovespa. Da sua mínima histórica até agora, o papel já subiu 400%, indo para R$ 0,15 no pregão da última segunda-feira (14). A empresa entrou na lista das 5 únicas ações da Bovespa que subiram mais de 100% no 1° semestre deste ano.

Lupatech (LUPA3, +5,08%, R$ 0,62)
A Lupatech fechou um acordo com seus dois maiores credores financeiros, estabelecendo os termos e condições relativos à capitalização dos créditos detidos pelos bancos no âmbito do aumento do capital social da empresa, que será feito dentro de sua reestruturação, segundo comunicado divulgado na noite de segunda-feira. 

A empresa também publicou uma ata de reunião do Conselho, na qual informa ter aprovado um acordo de investimento com o Itaú Unibanco e o Banco Votorantim, com as instituições manifestando a intenção de conversão de seus créditos, sujeita ao atendimento de determinadas condições a serem atendidas até a data de homologação do aumento de capital.

Oi (OIBR4, 0,00%, R$ 1,56)
Hoje é o prazo final para que a Rioforte pague os 897 milhões de euros em dívidas que tem com a Portugal Telecom. Caso ocorra o calote, o acordo de fusão entre a Oi e a PT poderia ser revisto, mas à princípio a mudança seria em uma redução da fatia da companhia portuguesa na nova empresa, segundo uma fonte da Reuters. Neste caso, o presidente da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), João Rezende, afirmou que não seria um problema aprovar essa mudança.

O Grupo Espírito Santo (GES) negocia acordo com credores para evitar calote, em meio à dívida de 897 milhões de euros que deve ser paga à Portugal Telecom (PT) entre esta terça e quinta-feira. Segundo informações do Estadão, entre as opções levantadas estão um pedido de recuperação judicial de algumas empresas holding e a renegociação de dívidas. A solução deve atingir diretamente a Oi, que está em processo de fusão com a PT. Negociadas na Bolsa de Lisboa, as ações do Banco Espírito Santo desabam mais de 10% hoje, enquanto os papéis da PT caem 0,75%.

Ontem, o ministro das Comunicações do Brasil, Paulo Bernardo, disse que o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Social e Econômico) e outros sócios vão rediscutir os termos da fusão com a PT, caso a empresa europeia tome um calote no investimento financeiro que não teria sido divulgado aos sócios brasileiros. “Tem uma operação que vence amanhã. Se o dinheiro voltar, tudo certo, se não voltar, evidente que o BNDES e os acionistas vão querer discutir a operação de fusão e a composição acionária, porque isso com certeza esvaziou um dos sócios de forma expressiva”, disse o ministro a jornalistas após evento. Entretanto, Bernardo afirmou que a fusão das duas operadoras, que cria uma companhia com cerca de 100 milhões de clientes, não está arriscada.

Cetip (CTIP3,-1,72%, R$ 31,48)
A Cetip reagiu aos dados operacionais de junho divulgados nesta terça-feira e ficou entre as 10 maiores quedas do Ibovespa.

Segundo a XP Investimentos, os dados demonstram a dinâmica desfavorável em termos de número de feriados, ausência de divergência de opinião na curva de juros/contratos futuros e depressão no mercado de venda/financiamentos de veículos novos/usados (SNG & Sircof). Para os analistas, é esperado uma realização dos lucros por parte dos investidores, devido a performance relevante ao longo do ano. Isto quer dizer, os papéis tendem a cair neste pregão.

Embraer (EMBR3, -1,59%, R$ 21,72)
A Embraer anunciou mais contratos de pedidos firmes nesta manhã. A Azul Linhas Aéreas assinou uma carta de intenções com a Embraer por um pedido firme de 30 aviões no modelo 195 da segunda geração que está sendo desenvolvido pela brasileira. O pedido para a Embraer também inclui a opção por outros 20 jatos. O valor do acordo pode chegar a R$ 3,1 bilhões a preços de lista, caso todos as encomendas forem convertidas em pedidos firme.

Ainda hoje, a empresa assinou contrato com mais duas empresas. A japonesa Fuji Dream Airlines para pedido firme por 3 E175, com opções para mais 3 aviões do mesmo modelo. Segundo a Embraer, o pedido pode chegar a US$ 258,6 milhões a preços de lista.  

Também foi anunciado o pedido firme para 2 jatos E190 com a Azerbaijan Airlines, podendo atingir o valor de US$ 95,4 milhões a preços de lista. Os últimos dois pedidos já estavam incluídos na carteira do segundo trimestre da Embraer.

Cyrela (CYRE3, -1,63%, R$ 13,85)
Após as ações da companhia terem leve alta no pregão desta terça, as ações CYRE3 viraram para queda após a divulgação de prévia, que informou que os lançamentos recuaram 49,5% no segundo trimestre ante mesma etapa de 2013, a R$ 890,2 milhões, informou a companhia na noite de segunda-feira.

Entre janeiro e março, os lançamentos da incorporadora tinham dobrado na comparação anual, no sentido contrário da maioria das companhias do setor listadas em bolsa, cujos lançamentos recuaram no período.Assim, apesar do recuo no trimestre, a companhia teve um crescimento de 3,2 por cento nos lançamentos entre janeiro e junho, que encerraram o semestre em 2,805 bilhões de reais, incluindo a participação de sócios da Cyrela. As ações, após abrirem com ganhos, registram queda de 0,99%, a R$ 13,94.