Marcopolo (POMO4) desaba mais de 10% após balanço mostrar queda de margens e lucro

O principal fator para a frustração no 2T foi a margem bruta mais fraca

Felipe Moreira

Ativos mencionados na matéria

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As ações da Marcopolo (POMO3; POMO4) operam com forte desvalorização nesta terça-feira (4), com investidores repercutindo a queda das margens e da lucratividade no balanço do segundo trimestre de 2026 (2T26). Por volta das 12h44 (horário de Brasília) desta terça-feira (4), os papéis preferenciais caíam 10,24%, cotados a R$ 4,82, enquanto os ordinários recuavam 11,02%, a R$ 4,44.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) ajustado, já considerando cerca de R$ 10 milhões em custos de reestruturação na Metalsur, subsidiária da companhia na Argentina, ficou em R$ 349 milhões, queda de 12% na comparação anual e 8% a 11% abaixo das estimativas do JPMorgan.

Segundo o JPMorgan, o principal fator para a frustração foi a margem bruta mais fraca, de 21,9%, contra expectativa de 24,1%. O desempenho foi impactado por um mix de vendas menos favorável, com maior participação de micro-ônibus no mercado brasileiro e menor volume de exportações.

A participação dos micro-ônibus chegou a 18% da receita no trimestre, ante 8% um ano antes, pressionando a rentabilidade média dos produtos vendidos.

O lucro líquido somou R$ 271 milhões, queda de 16% em relação ao 2T25 e cerca de 3% abaixo do consenso do mercado.

Atualmente, as ações da Marcopolo negociam a cerca de 4,2 vezes EV/Ebitda estimado para 2027, acima de pares como Tupy (TUPY3), a 3,5 vezes, e Randoncorp (RAPT4), a 4,1 vezes. O JPMorgan manteve recomendação de compra e preço-alvo de R$ 9.

Já o Itaú BBA avalia os resultados como negativos, uma vez que a margem EBITDA veio abaixo das estimativas, impactada por uma composição de vendas mais fraca, pressão sobre os custos relacionados ao petróleo e uma valorização de 11% do real em relação ao ano anterior. Embora o lucro líquido tenha superado as expectativas, o desempenho operacional ficou aquém do esperado.

O Itaú BBA manteve recomendação de compra e preço-alvo de R$ 10.

O Bradesco BBI também classificou o resultado como negativo. Embora os números principais tenham vindo próximos das expectativas, a qualidade da margem e o tom mais cauteloso da administração reforçam uma postura mais conservadora para receita e rentabilidade no 2S26.

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A margem bruta atingiu 21,9%, o menor nível em três anos, pressionada por um mix mais concentrado em micro-ônibus, inflação de insumos em contratos públicos firmados a preços fixos e valorização do real, que afetou margens de exportação. Parte relevante da pressão parecerelacionada à rentabilidade menor que o esperado no programa Caminho da Saúde, mas a magnitude da queda ainda merece atenção.

A companhia ainda aguarda a homologação da fase 13 do Caminho da Escola, na qual está qualificada para fornecer até cerca de 7,2 mil ônibus, mas atrasos nesseprocesso e a ausência de novos pedidos do Ministério da Saúde devem pesar sobre a produção do 3T26, com recuperação mais provável apenas no 4T26.

Embora o resultado final tenha ficado apenas 6% abaixo do previsto, a XP destaca que a pressão sobre as margens aumenta a incerteza em torno das tendências de rentabilidade, com espaço para revisões para baixo, caso os obstáculos à rentabilidade persistam.

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Já os analistas do Citi avaliaram que a companhia reportou um segundo trimestre fraco, ​principalmente devido a um mix de entregas menos favorável no Brasil, ponderando que as receitas ficaram 5% acima da estimativa deles, mas ressaltando que a margem bruta de 21,9%, a menor dos últimos três anos, contribuiu para um Ebitda 17% abaixo ‌do que esperavam.

Eles acrescentaram que a base ​de comparação era desafiadora. No segundo trimestre de 2025, a Marcopolo produziu 1.348 ônibus rodoviários de alta margem no Brasil e no exterior (34% da produção total), ⁠enquanto no período ​de abril a ​junho de 2026 esse número caiu para apenas 900 unidades (22% da produção).

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(Com Reuters)