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SÃO PAULO – O ministro da Fazenda Guido Mantega alertou nesta quinta-feira (20) que o novo estímulo anunciado pela economia dos Estados Unidos provocará consequências dramáticas ao resto do mundo, já que a nova enxurrada de dólares não será direcionada ao setor produtivo do país.
Após a decisão do Japão nesta semana de expandir seu programa de impulso econômico – uma semana após a decisão do Federal Reserve – Mantega avalia que isso é uma clara evidência do avanço das tensões globais. “É uma guerra de moedas”, disse. Na quarta-feira, o BC (Banco Central) japonês informou que ampliou em 10 trilhões de ienes, cerca de US$ 127 bilhões, o programa de compra de ativos e empréstimo, para 80 trilhões de ienes.
Em entrevista ao Financial Times, o ministro disse que o pacote de estímulos pressionará o dólar para baixo, impulsionando as exportações norte-americanas. “Se dólar mais barato continuar a afetar a competição com o Brasil, seremos forçados a adotar medidas para frear a valoriação do real”, defendeu. Ele não especificou, porém, quais ações serão postas em prática para conter a alta do real.
Mantega já havia usado a expressão de “guerra cambial” há dois anos, quando o Fed promoveu a segunda rodada de liquidez, inundando o mundo com a moeda norte-americana.
Para o ministro, a atual paridade do dólar com o real – em cerca de R$ 2,0223 – está em patamar razoável. “O real está em um valor razoável, apesar de estar supervalorizado em relação à uma cesta de moedas de parceiros comerciais do País. A cotação atual, contudo, tem deixado as empresas nacionais mais competitivas”, acrescentou.
Sobre as críticas de que ao Brasil, Mantega diz que é um mito a afirmação de que o país também seja protecionista. “Estados Unidos e Europa são bem mais protecionistas que o Brasil”, disse.
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Na semana passada, o Fed anunciou o seu terceiro programa de Quantative Easing. Após já ter injetado mais de US$ 2 trilhões na economia nos dois primeiros programas, a autoridade monetária deve realizar compras de US$ 40 bilhões em títulos segurados por hipotecas nos EUA por mês. Junto com o outro programa em andamento, o Operation Twist, o Fed deve aumentar seu portfólio de títulos de dívida em US$ 85 bilhões por mês.
O Operation Twist – que consiste na venda de títulos públicos de curto prazo e na compra de equivalentes com maturação em um período maior do que cinco anos -, contudo, deve expirar no final deste ano, levando o ritmo de expansão para US$ 40 bilhões.
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