PLANTIO DIRETO

Manejo correto do plantio direto retrocede no Oeste do Paraná, aponta estudo

Segundo estudo, parte dos agricultores da região já aderiu ao sistema há muito tempo, mas a maioria ainda não segue adequadamente as normas que a prática exige para gerar mais eficiência

Por  Datagro

SÃO PAULO – Estudo elaborado pela Federação Brasileira de Plantio Direto e Irrigação, realizado em parceria com a Itaipu Binacional, aponta que a maioria dos agricultores dos cerca de 54 municípios da região Oeste do Paraná precisa melhorar a gestão agronômica da prática do plantio direto.

O sistema que vem revolucionando a agricultura brasileira está presente em 95% das plantações de grãos do Paraná e em cerca de 30 milhões de hectares do Brasil, quase a metade de toda a área plantada do País. 

Segundo o documento, grande parte dos agricultores da região já aderiu ao plantio direto há muito tempo, mas muitos deles ainda não seguem corretamente as normas que essa prática exige para gerar mais eficiência.

De acordo com o estudo, de 1960 até hoje, a produção agrícola no Paraná cresceu 774%. O Estado tem cerca de 78 cooperativas agropecuárias e aproximadamente um terço dos agricultores paranaenses são cooperados. Esse universo representa 56% do PIB do agronegócio estadual. E o Oeste do Paraná é responsável por 60% desse nicho, o que evidencia o peso da região para a produção agropecuária.

O documento tem como proposta contribuir com conteúdo que auxilie os agricultores da região a usar de forma correta a técnica de manejo do plantio direto em suas lavouras, cuidado este que por falta de atenção dos produtores retrocedeu nos últimos anos, indica o estudo.

O diretor-geral brasileiro da Itaipu, Jorge Samek, assinala que o material poderá não só ajudar os agricultores da região, mas de todo o País. “A região pode ser transformada no maior laboratório a céu aberto de plantio direto, dando exemplo para o mundo que aqui obtemos alta produtividade com conservação de solo e preservação do meio ambiente”.

Benefícios do plantio direto

De acordo com informe do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), os princípios do sistema de plantio direto seguem a lógica das florestas. Assim como o material orgânico caído das árvores se transforma em adubo natural, a palha decomposta de safras anteriores transforma-se em alimento para o solo. “A técnica dispensa o revolvimento da terra”, diz o engenheiro agrônomo, Ronaldo Trecenti, especialista em plantio direto e em Integração-Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), da Campo Consultoria.

Assim, uma vez que a infiltração da água se torna mais lenta, devido à permanente cobertura no solo, o plantio direto aumenta o volume de matéria orgânica disponível, melhorando os atributos físicos, químicos e biológicos da terra e contribuindo diretamente para reduzir a emissão de gases de efeito estufa, menor risco de erosão, diminuição no uso de agroquímicos, água, maquinário e consequentemente de combustível. 

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