Manchester United abre o capital na sexta: bom para o time ou para donos?

Família proprietária, odiada pela torcida, manterá 98,7% do capital votante do clube inglês, levantando suspeita por parte de minoritários

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SÃO PAULO – O Manchester United termina o processo de IPO (Initial Public Offering) nesta quinta-feira (9), e as ações do time de futebol inglês já devem ir à público na Nyse (New York Stock Exchange) na próxima sessão – sob o ticker de MANU. Trilhando um caminho que também pode ser tomado pelo Corinthians em breve, o maior campeão inglês está sendo duramente criticada pelo mercado e por torcedores no processo de abertura de capital. 

A razão: a manutenção da estrutura societária que dê todo o poder do clube à família Glazer, que comprou o clube em 2005 – época em que o Manchester United possuia capital aberto na bolsa londrina. Os norte-americanos, que tomaram volumosos empréstimos para financiar a aquisição, devem manter 98,7% do poder de voto depois da operação, por conta do tipo de ação a ser oferecida no IPO.

Love United, Hate Glazer
A abertura de capital deve listar 16,7 milhões de ações “classe A”, com menor poder de voto, 10% do capital social clube e 42,7% deste tipo de ação. Esses papéis devem ser precificadas entre US$ 16,00 a US$ 20,00, o que deve garantir entre US$ 264 milhões a US$ 330 milhões. Metade dessa quantia deve ser utilizada para pagar a dívida do clube, e a outra metade deve ser embolsada pela família proprietária.

O clube deve atualmente cerca de £ 423 bilhões, equivalente à US$ 660 milhões. Parte desta dívida foi contraída pela família Glazer para pagar o empréstimo da época em que compraram o clube, usando o próprio estádio do time, o Old Trafford, como uma das garantias. Isso levou à raiva por parte da torcida, que iniciou o movimento “Love United, Hate Glazer”, ou “amo o United, odeio os Glazers”. O plano original era abrir o capital em Singapura, em uma oferta que poderia levantar até US$ 1 bilhão – cancelada pela “falta de demanda”. 

Se os torcedores não gostam da ideia de ajudar pessoas que, supostamente, trabalham contra o interesse do time, os investidores não gostam de estruturas societárias postas desta forma. Uma concentração abusiva do poder de voto geralmente trabalha contra o interesse dos acionistas minoritários, não a favor. O atual vice-campeão inglês deve fazer o maior IPO de uma associação desportiva da história, mas será que o desempenho em bolsa vai conseguir emular o sucesso dentro das quatro linhas?