Mais do que o balanço, previsibilidade da produção trilhará ações da OGX

Para analistas, futuro da companhia depende do que poderá entregar em termos de produção; resultados do 2º trimestre vieram em linha com o esperado

Nara Faria

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SÃO PAULO – As ações da OGX Petróleo (OGXP3), uma empresa do Grupo EBX, do empresário Eike Batista, reagiram negativamente nesta quarta-feira (15), ao resultado do balanço trimestral revelado na sessão anterior.

A companhia divulgou um prejuízo de R$ 399 milhões, influenciado principalmente pelo aumento de despesas de exploração e pelo resultado financeiro líquido negativo derivado da valorização do dólar frente ao real. Apesar disso, os números apresentados pela companhia vieram em linha com as expectativas dos analista, que consideraram a sua fase ainda pré-operacional, em que a companhia ainda não entregou receitas.

Desta forma, o analista William Castro Alves, da XP Investimentos, afirma que mais que os resultados, existem outros eventos que possam impactar de forma mais consistente as ações da companhia. Dentre eles, estão os poços adicionais em Tubarão Azul e as suas respectivas vazões, onde a perfuração do terceiro poço já foi iniciada – vale mencionar a reação do mercado à quebra de estimativas para a produção no campo de Tubarão Azul anunciada no mês de junho, que levou as ações a acumular perdas de 39% em apenas dois dias

Além do Tubarão Azul, outros catalisadores para o desempenho das ações, na visão do analista, são os poços em Tubarão Martelo e as novas descobertas que a companhia possa vir a anunciar. 

De olho nos testes
Em relação ao que já foi comunicado pela companhia, a equipe de análise da Citi Corretora reforça os dois prospectos importantes na Bacia de Campos, que foram considerados não viáveis economicamente: o Villarrica e o Camboinhas. 

A empresa ainda está realizando testes em dois poços na Bacia de Santos e ainda não forneceu alguns detalhes sobre blocos anteriormente operados pela Maersk. “A exploração deve começar nos próximos meses, quando a empresa obter a licença ambiental. A OGX não deixou claro o prazo para inicio das perfurações”, pondera a equipe de análise. 

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Caminhos mais consistentes
Em relatório, os analistas do BB Investimentos, Nataniel Cezimbra, André Aznar e Carolina Flesch, a empresa está trilhando um caminho mais consistente com a produção de Tubarão Azul a o início da produção em Tubarão Marcelo, destacando ainda a entrega do gás na Bacia de Parnaíba. 

Diante disso, as expectativas para os próximos trimestres são melhores, considerando que a empresa deixará de ser pré-operacional e passará a registrar receitas. “No entanto, a OGX ainda não apresentou perspectivas para o fechamento de contratos de venda do óleo produzido”, avaliam os analistas. 

Da mesma forma, o analista da XP Investimentos recomenda cautela em relação aos ativos OGXP3, mantendo uma classificação neutra para as ações “até que exista uma maior previsibilidade de sua curva de produção”, destaca.