Publicidade
SÃO PAULO – Ainda que a economia japonesa esteja dando sinais de recuperação e que o último relatório sobre o mercado de trabalho tenha apontado que, pela primeira vez em 13 anos, existe uma vaga de emprego para cada japonês que procura emprego, para cerca de 36% dos japoneses a vida se tornou mais difícil nos últimos cinco anos.
O interessante é que o período coincide com a eleição do atual primeiro ministro, Junichiro Koizumi, que em setembro passado foi confirmado no posto em eleições extraordinárias. A constatação se baseia em pesquisa conduzida pelo periódico japonês Nihon Keizai Shimbun envolvendo cerca de 1.500 entrevistados.
Maioria ainda se considera de classe média
Vale notar, contudo, que, para cerca de 46% dos japoneses não houve mudanças significativas no período, de forma que a vida continua a mesma do que quando Koizumi assumiu pela primeira vez. Apenas 11% dos entrevistados afirmaram que suas vidas estão melhores.
O levantamento também constatou que uma parcela semelhante de japoneses, cerca de 37%, afirma pertencer à classe baixa, percentual que fica bem acima dos 20% registrados em 1987.
Apesar da maioria dos japoneses ainda afirmar que pertence à classe média (cerca de 54%), esse percentual já foi muito mais elevado, tendo alcançado 75% em 1987, quando a economia japonesa estava no seu auge. Não houve uma alteração significativa na parcela dos japoneses que se considera rica.
Continua depois da publicidade
Koizumi critica segmentação
Responsável por boa parte das reformas estruturais pelas quais vem passando a economia japonesa, dentre elas merece destaque a redução da máquina estatal, Koizumi declarou que os japoneses devem parar de se dividir entre “vencedores” e “perdedores”.
O primeiro ministro lembrou que muitos vencedores podem se transformar em perdedores, e vice-versa. Ele também afirmou que muitos “vencedores” podem se considerar vazios, enquanto alguns perdedores podem se sentir otimistas: o importante é construir uma sociedade na qual cada indivíduo possa utilizar as suas características pessoais a serviço do seu trabalho e da sociedade.