Mais conservador, HSBC reduz exposição em bancos e aumenta em Ambev

Com cenário econômico não tão positivo quanto o esperado para 2013, HSBC altera estratégia de ações para o período

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SÃO PAULO – Com um cenário para o Brasil em 2013 mais desafiador do que o projetado no final do ano passado, o HSBC revisou suas expectativas para a atividade econômica brasileira e para o mercado acionário. Desta forma, com o ambiente para a renda variável também afetado, os analistas do banco revisaram a sua carteira estratégica para o período.

Em setembro de 2012, apontam os analistas Alexandre Gartner e Francisco Machado, eles adotaram uma atitude positiva para as ações brasileiras. Na época, a avaliação barata, a percepção em baixa e uma aceleração do crescimento deram respaldo a essa posição. 

Entretanto, o cenário ficou mais decepcionante com o passar do tempo. Isso devido ao crescimento mais baixo do que o esperado e a inflação mais forte, fazendo com que a relação risco e retorno das ações brasileiras apresentasse uma piora, ainda mais em meio a uma alta do lucro por ação de alguns ativos. 

Desta forma, com um crescimento fraco do PIB e uma alta na incerteza, as chances de uma forte recuperação no início de 2013 foram reduzidas. Já a expectativa passada, mais positiva, baseou-se na possível redução do risco de intervenção do governo, uma vez que essa atitude visava reacender a economia. “Como a estimativa de crescimento continua baixa, o risco está aumentando”, afirmam os analistas.

Investidores estão underweight em Brasil
Além disso, apesar dos grandes fluxos de entrada de capital nos mercados emergentes globais – ou GEMs -, em meio à redução dos riscos nos EUA e na Europa e a recuperação na China, o Brasil acabou ficando de lado.

Os fundos de GEMs registraram 20 semanas seguidas de entradas de fluxo, mas os investidores acabaram adotando uma posição underweight (desempenho abaixo da média do mercado) no Brasil. E a expectativa não é de melhora. “Acreditamos que isso se deve à deterioração na confiança do investidor e, portanto, é improvável que ocorra uma mudança em breve”, afirmam Machado e Gartner.

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Maior conservadorismo na carteira estratégica
Em meio a essas expectativas, os analistas apostaram em uma estratégia mais defensiva para a carteira brasileira, reduzindo a exposição em bancos, com destaque para o Itaú Unibanco (ITUB4).

A menor exposição nos papéis ITUB4 se baseia por um lado na forte alta das ações desde outubro e por outro na piora da perspectiva de crescimento de crédito e inadimplência. Os analistas também reduziram a exposição em BRF (BRFS3) depois de uma alta acentuada de cerca de 50% desde agosto.

“Tivemos dificuldades em encontrar ideias atrativas, mas não recomendamos que os investidores adotem uma posição muito defensiva, uma vez que os aspectos técnicos, como baixa alocação e entradas de fluxo nos GEMs, podem ser bastante poderosos”, afirmam Machado e Gartner.

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Por outro lado, os analistas aumentaram a exposição em Ambev (AMBV4) e Multiplan (MULT3), de forma a reduzir o beta de volatilidade da carteira. A recomendação se manteve em overweight (desempenho acima da média) no setor de materiais, instituições financeiras – reduzindo exposição em bancos – e saúde. 

Para as empresas de serviço público, indústrias, telecomunicações e tecnologia da informação, a avaliação é underweight. Já energia, consumo discricionário e produtos básicos continuam com recomendação próxima a neutra. 

Veja as recomendações do HSBC para o Brasil em sua carteira estratégica: 

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Empresa Código Classificação Comentários do estrategista
BRF BRFS3 Overweight – Reduzindo exposição, dado o bom desempenho dos papéis
Itaú Unibanco ITUB4 Overweight – Redução da exposição depois do bom desempenho
– Riscos de intervenção do governo 
Bradesco BBDC4 Neutro – Pode tirar algum proveito da recuperação econômica brasileira
Ambev AMBV4      Neutro – Aumento da exposição devido à redução do risco da carteira
Multiplan MULT3 Overweight – Beneficiário em potencial se houver aumento na inflação
– Menos expostas a risco de expansão em um ambiente de crescimento mais fraco 
BM&FBovespa BVMF3 Overweight – Beneficiada pelo aumento dos fluxos em ações brasileiras 
SLC Agrícola SLCE3  Neutro – A empresa é beneficiada pois os preços de terras se baseiam nos preços commodities, que estão em alta sustentável.
Lojas Renner LREN3  Overweight – Excelente execução operacional financeira em comparação a outras empresas do segmento de consumo 
OdontoPrev ODPV3 Overweight – “Continua sendo nossa história de crescimento preferida no Brasil”, avalia a equipe do HSBC. 
Vale VALE3 Neutro – Empresa grande e menosprezada
– Beneficia do “pouso suave” da China, com mercados observando resultados do último litígio a respeito das questões tributárias.  
 Petrobras PETR4 Overweight – De acordo com estrategista, a empresa também é grande e menosprezada
 Gerdau  GGBR4  Neutro – Beneficiada pela demanda por aços longos no Brasil e pela recuperação nos EUA
Pão de Açúcar PCAR4 Overweight
– 50% de exposição ao consumo discricionário.
– Melhoria da governança corporativa. 
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Lara Rizério
Mercados | Economia | Onde Investir

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.