Mais conhecido índice da Bolsa, o Ibovespa é o melhor benchmark?

Analistas alertam que investidores devem ter em mente o foco das aplicações e divergem sobre efeitos do peso Petro e Vale

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SÃO PAULO – No dia a dia, é comum que as notícias do mercado financeiro tenham títulos como “Ibovespa sobe 3%”, ou “Ibovespa tem terceira queda consecutiva”. Benchmark mais usado pelos investidores, o principal índice da bolsa brasileira é composto pelas principais ações negociadas na BM&F Bovespa, representando mais de 80% do número de negócios e do volume financeiro do mercado à vista. Assim, é visto como uma referência para o mercado como um todo – sendo o mais mencionado no cotidiano.

Entretanto, o investidor deve ficar atento e não comparar seus rendimentos sempre ao desempenho do Ibovespa – já que a base de comparação não é unanimidade entre os gestores, e não é sempre a mais correta.

O assunto foi tema do relatório trimestral da Orbe Investimentos. “É um tema que deveria estar sempre na mente de todos os investidores. Afinal, investimentos devem ser acompanhados e avaliados de forma comparativa, ou seja, utilizando índices de mercado, benchmarks genéricos?”, questiona a gestora.

Contras
Para a Orbe, o Ibovespa não reflete a economia real do país. “É muito concentrado em setores que representam apenas pequena parcela do PIB, e enormemente baseado no humor do investidor estrangeiro, que entra e sai do País de acordo com suas crenças pessoais sobre seu próprio país e o que acham que o nosso País é”, afirmam os gestores, que completam afirmando que o índice é “ineficiente e viesado”.

“Os índices de mercado, notadamente o concentrado Ibovespa, são na maioria das vezes um referencial circular, com os ativos mais líquidos ganhando maior importância, o que os torna mais líquidos, e assim ampliando sua relevância, retro-alimentando a própria composição do indicador, e assim por diante. Torna-se uma armadilha circular”, justifica a gestora.

Eduardo Otero, economista da Um Investimentos, compartilha a visão da Orbe – citando também a forte concentração do índice em Petrobras e Vale. “É um índice extremamente concentrado, onde 10 papéis têm quase 50% de participação, e isso não está refletindo a economia brasileira. Uma coisa é a bolsa, outra é a economia do País”, explica o economista.

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“Nada significa compararmos a performance de investimentos de renda variável com índices como o Ibovespa. Nada se pode concluir, pois as variáveis passíveis de comparação são muito díspares. (…) A avaliação de qualidade de um investimento, comparando-o com índices de mercado em períodos curtos é absolutamente ineficiente”, completa a Orbe.

Prós
Entretanto, há diversos analistas que veem o Ibovespa como um bom benchmark – apesar de admitirem que não é o parâmetro perfeito. Para José Góes, economista e analista da WinTrade, o Ibov “não é um benchmark ruim”, exatamente por refletir o movimento das empresas com maior liquidez.

“Já houve épocas em que o índice era distorcido, muito concentrado em algumas empresas, como a Telebrás. Mas hoje em dia essa distribuição melhorou muito”, afirma Góes. “Talvez não seja o ideal, mas é uma das formas mais transparentes e representa relativamente bem o comportamento da bolsa”.

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Para Góes, o peso maior da Petrobras (PETR3, PETR4) e Vale (VALE3, VALE5) é justificado pelo seu tamanho. “São as maiores empresas do mercado, têm que ter um peso maior”, afirma. Segundo ele, o viés para commodities é resultado do fato que muitas das maiores empresas que tem capital aberto são ligadas a commodities. “Isso não é algo fora da realidade da Bolsa – as maiores empresas realmente são desse setor”, diz.

Além disso, Góes afirma que o índice reflete uma realidade do mercado brasileiro: o fato de que a maioria das pessoas que tem ações tem Petrobras. “Essas são as maiores ações do brasil, então é natural que tenham um espaço maior”, afirma.

André Paes, diretor de análise e estratégia da Infinity Asset também defende o maior peso de Petrobras e Vale. “Faz sentido porque elas são as maiores empresas do Brasil, e porque as companhias de commodities estão entre as mais importantes para a economia brasileira. Então para o investidor faz sentido olhar para o Ibovespa sim, para investimentos em renda variável”, afirma.

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Índices setoriais, Ibrx e ETFs
Além do mais conhecido Ibovespa, há outros parâmetros pelos quais o investidor pode avaliar suas aplicações. Os índices setoriais são uma das opções.

Um investidor que resolver apostar em empresas do setor de energia e saneamento não deve se prender aos números do Ibovespa – afinal, como investimento defensivo, a tendência dessas ações é subir quando o índice recua, e ter uma performance mais amena, ou até negativa, em períodos de maior otimismo. Assim, comparar a performance da empresa escolhida com o índice específico para o seu setor (nesse caso, o IEE) pode oferecer um panorama mais exato do investimento.

Da mesma forma, para um investidor que aplica em small caps, por sua vez, o mais recomendado é seguir o índice de Small Caps da Bolsa, que refletirá melhor o desempenho das ações. “Não faz sentido comparar o desempenho de um fundo de small caps com o Ibovespa”, explica Góes.

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Segundo ele, o Ibrx-100 também é um bom parâmetro. “Os Ibrx (tanto o 50 quanto o 100) dão uma visão bacana, mas dão um peso mais parecido para todas as ações – é outra forma de olhar”, afirma o economista.

Já Otero destaca que o FGV 100 também pode ser um bom benchmark, por ser mais abrangente, com uma gama maior de papéis e pesos mais balanceados. Ele menciona ainda os ETFs, que acompanham a variação dos índices como um todo.

Ibovespa?
Para Otero, a tendência é que as principais blue chips sigam perdendo espaço no índice, com a entrada de novos papéis. “Contanto que não sejam ações de commodities, o Ibovespa deve ficar um benchmark melhor, menos distorcido”.

Paes também afirma que Petrobras e Vale devem seguir perdendo espaço no índice – apesar de não prever mudanças drásticas na composição do Ibovespa. “Empresas como construtoras começaram a vender mais, e ganharam espaço no índice, mostrando que ele é um bom reflexo do que ocorre na economia como um todo”, afirma.

Assim, ao olhar o rendimento de sua carteira de ações, é importante não se prender ao resultado do benchmark mais usado – no caso, o Ibovespa. “O investidor deve sim acompanhar o Ibovespa, porque ele é um bom reflexo no mercado como um todo. Mas, ao mesmo tempo, não deve se ater somente a ele”, conclui Góes.

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