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SÃO PAULO – Se depender das mulheres japonesas, a crise demográfica pela qual vem passando o país não deve se resolver tão cedo. Isso porque cada vez mais elas vem adiando o casamento, e muitas já não consideram sequer esta possibilidade.
Esta tendência ficou ainda mais evidente nesta semana, quando a única filha do Imperador Akihito, a princesa Nori, anunciou, aos 35 anos, seu noivado, que acontece neste sábado, dia 26 de Março.
Número de solteiras cresceu desde 80
Os dados do Censo de 2000 do Japão confirmam a tendência ao constatarem que 54% das mulheres japonesas com idade entre 25 e 30 anos afirmam não estar casadas. Há duas décadas, este percentual era de apenas 24%, o que sugere uma mudança drástica de padrão.
Se as mulheres casam mais tarde, os casais decidem ter cada vez menos filhos. O número médio de filhos por mulher no Japão caiu para seu nível mais baixo em 2003, ao atingir 1,29. A julgar por esta taxa, muitos analistas já projetam o fim da sociedade japonesa no ano de 3037.
Legislação facilitou acesso ao mercado de trabalho
Entre as mulheres com 35 a 39 anos, faixa etária da princesa Nori, o percentual das que afirmam ser solteiras é de 13,8%, o que embute um crescimento significativo nas duas últimas décadas, visto que há 20 anos este percentual era de 4.4%.
A decisão da princesa Nori reflete, portanto, um padrão da sociedade japonesa, afirma o professor da Universidade Católica para Mulheres de Tóquio, Harueko Kato. Para alguns analistas, este comportamento também pode ser explicado pela entrada em vigor, em 1985, da Lei de Igualdade de Oportunidades de Emprego, que criou mais oportunidades de trabalho para as mulheres japonesas.
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Solteiras não querem casar
Em decorrência disso, um número maior de mulheres entrou no mercado de trabalho e alcançou sua independência financeira. O acúmulo de jornada é tido como um dos entraves ao casamento e crescimento das famílias, visto que, diante da recusa dos homens em ajudarem em casa, a maioria das mulheres acaba optando por não se casar. Segundo pesquisa do periódico japonês, Yomiuri Shimbun, sete em cada dez mulheres solteiras no Japão afirmam que não pretendem se casar.
Como a maior parte das mulheres da sua geração, a princesa Nori já anunciou que, mesmo após o casamento com Yoshiki Kuroda, 39, continuará trabalhando. A decisão das mulheres japonesas vem tendo reflexos profundos na sociedade e no mercado de trabalho, o que tem levado os reguladores a se preocuparem cada vez mais com a identificação de soluções para o problema.