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SÃO PAULO – Após a redução em meio ponto percentual da taxa Selic na última semana, o Banco Central divulgou, na manhã desta quinta-feira, a Ata do Copom, documento que expõe os fundamentos considerados para decisão do Comitê de Política Monetária sobre a taxa básica de juro da economia em sua última reunião.
Vale destacar que, na reunião de junho, o Copom decidiu por unanimidade promover um corte na taxa Selic, de modo que esta passou de 26,5% ao ano para 26,0% ao ano. Esta variação configurou a primeira queda da taxa básica nos últimos 11 meses, sinalizando que novas reduções poderão ocorrer, à medida que a inflação desacelera.
Inflação segue em trajetória de recuo
De acordo com o relatório apresentado pelo Copom, a inflação tem mostrado trajetória de recuo nos últimos meses, após atingir expressivas altas no início deste ano. É importante destacar que nos primeiros meses de 2003 a inflação atingiu elevados patamares em função, basicamente, do reajuste de preços promovido com base na inflação passada, denotando, assim, um movimento de recomposição de margens de lucro.
Além disso, os efeitos do choque cambial oriundo da forte desvalorização do real frente ao dólar, ao longo de 2002, continuaram impulsionando os índices de preços no início deste ano. Em relação ao comportamento recente da inflação, a Ata do Copom considera como fator principal para o recuo inflacionário o combate à inércia, promovido por meio de uma mudança na regra de formação de preços por parte dos agentes.
Dessa maneira, os agentes passaram a reajustar os preços com base na inflação esperada e não mais na inflação passada, fato que, segundo o documento do BC, somente foi possível em função das expectativas positivas em relação aos efeitos da política monetária adotada pelo Banco Central. Neste sentido, a política de austeridade monetária, por meio do controle rígido dos juros, permitiu, nos últimos meses, menores pressões da demanda agregada sobre o nível de preços, de modo a abrir espaço para a desaceleração inflacionária.
Velocidade de queda é inferior à esperada
Também contribui para a trajetória de recuo da inflação o recente movimento de queda do dólar frente ao real, diminuindo, dessa maneira, as pressões sobre os custos das empresas e do atacado de maneira geral. É interessante salientar que o documento do BC adverte um comportamento resistente dos preços ao varejo, no que diz respeito aos reflexos desta apreciação cambial no curto prazo.
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No médio prazo, contudo, os preços ao consumidor tendem a registrar menores altas (ou até mesmo quedas), em função de um movimento de acomodação decorrente da ausência de pressões para novos reajustes. Dessa maneira, a autoridade monetária também considerou que a velocidade de queda da inflação tem sido menor que a esperada pelo mercado e de igual forma pela equipe econômica.
Esta observação foi embasada no comportamento do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor – Amplo) dos últimos meses. Nota-se, dessa maneira, que o índice voltou a ficar abaixo de 1,0% apenas a partir de abril, quando foi registrada variação positiva de 0,97%. Em maio, a inflação medida pelo IPCA recuou um pouco mais e fechou o mês a 0,61%. Para junho, o Comitê de Política Monetária projeta nova retração da inflação medida pelo índice, em função da queda dos preços dos combustíveis no período.
Convergência para as metas
Por fim, as projeções do Banco Central são bastante otimistas no tocante ao cumprimento das metas ajustadas para 2004 e 2005. Para este ano, a autoridade monetária projeta uma inflação acima da meta ajustada de 8,5%, embora a tendência seja de consolidação do movimento de recuo dos reajustes de preços.
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Neste sentido, a condução da política monetária, de acordo com o relatório do BC, tem se mostrado bastante eficiente no que diz respeito ao controle da inflação, fato que possibilitou um corte em meio ponto percentual da taxa Selic na reunião de junho.