Maior parte das mulheres trabalha no setor privado e com carteira assinada

Participação feminina nos postos vulneráveis permanece elevada; desemprego continua afetando mais mulheres do que homens

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SÃO PAULO – Apesar das conquistas obtidas nos últimos anos pelas mulheres, a figura masculina ainda é predominante no mercado de trabalho, com diferenças expressivas, principalmente, nas questões relacionadas a salários e postos de trabalho. As vésperas de comemorar o dia Internacional da Mulher, o Dieese anunciou o resultado do estudo “A situação das mulheres em mercados de trabalho metropolitanos”.

Mulheres respondem por 61,2% dos assalariados do DF

O levantamento revela que a maior parcela de trabalhadores assalariados se encontra no Distrito Federal, com taxa de 67,1%, sendo que as mulheres respondem por 61,2% dos postos de trabalho. A maioria dos trabalhadores ocupa postos de trabalho no setor privado (40,2%) enquanto 26,8% trabalham no setor público.

Dos trabalhadores do setor privado, apenas 9,0% não possuem carteira assinada, sendo que 7,3% são mulheres, frente aos 31,3% que possuem registro em carteira, dos quais 27,6% são mulheres.

Em contrapartida, a cidade de Recife possui a menor taxa de assalariados, cerca de 56,3%, sendo que as mulheres respondem por 50,6%. Assim como no Distrito Federal, a maior parte dos trabalhadores (43,3%) pertence ao setor privado enquanto 13% trabalham no setor público.

Daqueles que trabalham na iniciativa privada, cerca de 31,6% possuem registro, sendo 25,9% mulheres, contra 11,7% sem carteira assinada, com participação feminina de 9,8%.

Concentração no setor público e nos trabalhos domésticos

Existe uma concentração maior de mulheres no setor público e nas ocupações de empregados domésticos. No caso de São Paulo, cerca de 56,9% dos trabalhadores assalariados são mulheres, de um universo de 62,4% de brasileiros que exercem alguma atividade remunerada. Cerca de 45,7% das mulheres se encontram na iniciativa privada enquanto 11,2% pertencem ao setor público.

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Um percentual significativo (11,2%) das mulheres ainda trabalha sem registro em carteira no setor privado, embora 33,7% já possuam carteira assinada. A participação feminina nas categorias de trabalhadores autônomos e empregadores ainda é bastante pequena frente à participação masculina.

Desemprego afeta mais mulheres do que homens

O mesmo estudo revela que a taxa de desemprego continua crescendo atingindo tanto os homens como as mulheres, porém, as mulheres permanecem numa situação mais desfavorável no mercado de trabalho. Atualmente, do total de desempregados no país, cerca de 52% são mulheres, e essa proporção não sofre mudanças significativas quando analisamos por regiões.

Contudo, o crescimento da taxa de desemprego foi distinto nas cidades analisadas, em Belo Horizonte e Distrito Federal, mais mulheres ficaram desempregadas, enquanto em Salvador e São Paulo, essa tendência foi contrária. Já em Recife e Porto Alegre, o desemprego atingiu de forma semelhante ambos os sexos.

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De acordo com estudo, a proporção de mulheres que ocupam em postos vulneráveis de trabalho, que levam em consideração, os assalariados sem carteira assinada, os trabalhadores domésticos, os autônomos que trabalham para o público e os trabalhadores familiares, permanece significativamente superior aos dos homens em todas as regiões brasileiras. No ano passado, essa diferença chegou a 30%.

Essa diferença reside no fato de que muitas mulheres trabalham como empregadas domésticas, e que ainda não é encarada como atividade remunerada por muitos brasileiros. Já entre os homens, a maior parte daqueles que ocupam postos de trabalho vulneráveis são autônomos ou trabalhadores sem registro em carteira.

Participação é elevada nos postos vulneráveis

No ano passado, as mulheres respondiam por 42,5% dos postos vulneráveis em São Paulo, uma leve queda frente às taxas dos anos anteriores, enquanto a proporção de homens ficava em torno de 29,4% em relação à variação média de 30% dos anos anteriores.

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Por sua vez, as cidades de Recife e Salvador possuíam as maiores taxas de mulheres ocupando postos vulneráveis, 49,1% e 49,9%, respectivamente, contra as taxas de 35,7% e 35,3% verificadas entre os homens. Já Porto Alegre apontou a menor taxa de inserção feminina vulnerável, 35,7%.