Maior fundo de pensão do País tem excesso de ações e pode continuar vendendo

A Previ, que possui cerca de R$ 156 bilhões em investimentos, tinha 64% do seu patrimônio em ações no final de 2011

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SÃO PAULO – A Previ (fundo de previdência dos funcionários do Banco do Brasil), considerada o maior fundo de pensão no Brasil (com 26% dos ativos totais) está com “alocação excessiva em ações e pode continuar atuando como vendedor”, de acordo com o relatório Brazil Equity Insights, divulgado pelo banco HSBC. “É o [fundo de pensão] que tem maior exposição a ações no segmento”, diz o texto.

A Previ, que possui cerca de R$ 156 bilhões em investimentos, tinha 64% do seu patrimônio em ações no final de 2011, enquanto 32% estava em renda fixa, de acordo com o relatório do HSBC. Como base de comparação, a Petros (fundo de pensão para funcionários da Petrobras), segundo maior do País – com R$ 61 bilhões tinha, na mesma data, 36% dos seus ativos em ações e 49% em renda fixa. Já a Funcef  (fundo dos funcionários da Caixa Econômica Federal) possuía 34% dos ativos investidos em ações.

O relatório lembra que, após os seguidos cortes de juros realizados pelo Banco Central de agosto de 2011 a outubro de 2012, que levaram a Selic (taxa básica de juros) ao seu menor patamar histórico (7,25% ao ano) é natural que os gestores de fundos de pensão começem a olhar ativos de maior risco para garantir uma rentabilidade melhor. No entanto, o HSBC aponta que os fundos de pensão não deverão ser compradores agressivos de ações no curto prazo. “Nossa pesquisa particular com fundos de pensão mostra que uma realocação de ativos está a caminho, porém a mesma parece ser gradual, com várias classes de ativos prontas para receber os fundos”, afirmou o relatório.

Entre os motivos para a migração ser gradual, o banco aponta que a relação dos ativos do setor frente ao PIB (Produto Interno Bruto) é baixa (15% aproximadamente) e não está apresentando crescimento.  Além disso, a alocação regulatória máxima em ações é pouco provável, considerando um mercado local superficial (70%, comparado aos atuais 28%), e os planos de benefício definido (que representam 75% do setor) tem reduzido a alocação em ações. O fato de a Previ estar com alocação excessiva em renda variável também é apontado pelo banco como um motivo para a realocação ser gradual. “Esse fato deve neutralizar qualquer suporte de compra por parte dos outros fundos de pensão”, diz o relatório.

Segundo a Abrapp/Sindapp (Associação dos Fundos de Pensão), em junho de 2012 o segmento de fundos de pensão no Brasil possuía cerca de 600 bilhões de reais em ativos. Os dados estatísticos levantados pela Previc (agência supervisora de Fundos de Pensão) revelam a existência de 332 fundos de pensão no Brasil na mesma data.