Comércio global

Maior empresa de transporte marítimo do mundo faz alerta sobre impactos da guerra comercial

Dinamarquesa Maersk diz que tem contornado os problemas, mas diz que impacto da disputa entre EUA e China na demanda pode ser grande 

SÃO PAULO – A guerra comercial entre Estados Unidos e China ainda parece longe de uma solução, e o mundo inteiro tenta entender os impactos desta disputa. Porém, a dinamarquesa AP Moller-Maersk, maior companhia de transporte marítimo do mundo, deu um alerta em seu último resultado mostrando os primeiros reflexos desta guerra.

Em seu relatório, a Maersk disse que “o comércio global de contêineres cresceu cerca de 2% no segundo trimestre de 2019 em comparação com o mesmo período de 2018”, seguindo as expectativas.

Por outro lado, a empresa observou que houve uma desaceleração generalizada nas principais economias, acrescentando que “os efeitos negativos da escalada das restrições comerciais também pesaram sobre o crescimento do comércio”.

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A Maersk controla cerca de 20% dos bens de consumo transoceânico, o que a torna um barômetro da atividade comercial global e um indicador das perspectivas do mercado, acompanhado pelo mundo todo.

Segundo a companhia, até agora os importadores dos EUA transferiram as importações da China para outros países, como Vietnã, Coreia do Sul, Tailândia, Índia e México, mas um possível aumento das tarifas pode “reduzir em até 0,5% da demanda mundial de contêineres em 2019 e 2020”.

Além disso, a Maersk avalia que quando as tarifas dos EUA sobre US$ 300 bilhões adicionais contra a China forem implementadas no fim deste ano, o impacto negativo poderia ir para 1% no ano que vem. O CEO da empresa, Søren Skou, disse que uma recessão nos EUA pioraria o cenário, mas ele não vê isso acontecendo em 2019 ou 2020.

Apesar do alerta, Skou afirma que a Maersk tem conseguido administrar a situação. “Eu acho que, de certa forma, esperávamos uma desaceleração durante todo o ano, e a demanda global cresceu até agora, e esperamos que continue crescendo entre 2% e 3%, o que é consistente com uma economia em crescimento lento e é isso que estamos planejando para o futuro”, afirmou ele para a Bloomberg.

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