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SÃO PAULO – Os presidentes do Conselho da Sadia, Luiz Fernando Furlan, e da Perdigão, Nildemar Secches, se reuniram com integrantes do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) na última sexta-feira (22) para apresentar a operação de fusão entre as duas empresas, que criará a gigante BRF (Brasil Foods).
O conselho é uma das autoridades brasileiras responsáveis por julgar os efeitos da transação sobre a livre concorrência. De fato, a BRF nasce como uma das maiores empresas de alimentos do mundo, contando com participação expressiva no mercado brasileiro e internacional.
Levando em consideração os faturamentos de 2008 de Sadia (R$ 10,7 bilhões) e Perdigão (R$ 11,4 bilhões), a BRF teria uma receita de R$ 22,1 bilhões. A nova empresa conta ainda com 119 mil funcionários e 42 fábricas, sendo responsável por quase 25% do mercado exportador global de aves.
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De acordo com a Economática, isso garante a décima posição dentre as maiores empresas de alimentos do continente americano. No Brasil, a BRF ocupará lugar de destaque ainda maior, ficando na frente de gigantes como Nestlé Brasil e Unilever Brasil.
Maior que Nestlé ou Unilever
A empresa resultante da fusão entre Sadia e Perdigão tem uma clara vantagem no mix de produtos. Além de carnes congeladas e resfriadas, a BRF atuaria ainda em segmentos de massas, pizzas congeladas e margarinas, contando com a maioria do market share desses setores no Brasil, de acordo com a Santander Corretora.
Se considerados os números do ano passado, o faturamento da BRF ultrapassaria aquele de uma das líderes do setor de alimentos no Brasil, a Nestlé Brasil. A companhia, que atua em doze segmentos, incluindo leites, cafés, achocolatados, refrigerados, sorvetes e nutrição, faturou R$ 13,4 bilhões em 2008.
Outra empresa que seria superada é a Unilever Brasil, que atua não somente no setor de alimentos, mas também em mercados de higiene e beleza. Para se ter uma ideia, em 2008, a receita líquida chegou a R$ 10,3 bilhões, cerca de 53% abaixo do faturamento pró-forma da Brasil Foods.
Perseguindo a JBS
A fusão entre Sadia e Perdigão, porém, não deve fazer com que a nova empresa ocupe o primeiro lugar em termos de receita líquida no setor de alimentos brasileiro. Na frente há ainda a JBS, gigante do setor frigorífico, que apenas em 2008 faturou nada menos do que R$ 30,3 bilhões, quase 40% a mais que a soma das receitas líquidas das duas empresas.
Contudo, uma coisa é a comparação com números do passado, outra é com projeções. Com a estimativa de abertura de seis novas fábricas da Sadia, os executivos esperam que o faturamento da BRF chegue a R$ 30 bilhões, bem próximo dos números da JBS.
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Segundo Furlan, “somente a Sadia está entrando com seis fábricas novas, que vão incrementar o faturamento em R$ 4 bilhões. Fora ainda o que vem do outro lado. Seremos um dos três maiores exportadores de alimentos do mundo”.
Efeitos sobre a concorrência
Conforme a legislação, os representantes da Brasil Foods têm até 15 dias para dar às autoridades, incluindo o Cade, o Ministério da Justiça e da Fazenda, a documentação da participação do grupo no mercado brasileiro. Além dos órgãos nacionais de defesa da concorrência, a criação da nova empresa deverá passar pelo crivo de autoridades internacionais.