Maior apropriação de juros impede queda consistente da dívida pública em junho

Dívida líquida do setor público registrou recuo modesto em junho, em função dos maiores juros nominais no período

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SÃO PAULO – Confirmando a tendência apresentada desde o mês de maio, a sistemática elevação dos juros nominais voltou a ser o principal fator condicionante da dívida líquida total do setor público no mês de junho, conforme evidenciado pela Nota da Política Fiscal, divulgada pelo Banco Central na última quinta-feira.

Dívida líquida registra leve queda em relação a maio

Houve, neste sentido, uma diminuição de 0,24% da dívida líquida total do setor público em relação ao mês anterior, de modo que esta passou de R$ 858,369 bilhões em maio para R$ 856,353 bilhões em junho.

Porém, em termos de porcentagem do PIB (Produto Interno Bruto), a dívida líquida passou de 55,18% do PIB para 55,39% em junho, uma vez que o PIB registrou uma queda maior do que a retração da dívida líquida no período.

Assim, apesar da elevação dos juros nominais, outros fatores, como a queda do dólar frente ao real e o maior superávit primário, garantiram no mês de junho uma leve redução da dívida líquida do setor público em comparação ao mês anterior.

Ampliação dos juros impulsiona maior NFSP

Dentre os diversos fatores condicionantes do estoque da dívida pública, os juros nominais tiveram maior destaque em junho, impulsionando, dessa forma, uma elevação da Necessidade de Financiamento do Setor Público (NFSP). Dessa forma, a participação dos juros nominais no estoque da dívida passou de R$ 65,311 bilhões em maio para R$ 74,265 bilhões em junho, correspondendo, assim, a uma expressiva participação de 4,8% do PIB brasileiro.

Com a forte contribuição dos juros nominais para a elevação da dívida pública, o maior superávit primário registrado no referido mês mostrou-se insuficiente para impedir uma nova elevação da NFSP, de modo que esta passou de 1,82% do PIB (R$ 28,331 bilhões) em maio para 2,22% do PIB (R$ 34,256 bilhões) em junho. O superávit primário cresceu de 2,38% do PIB (R$ 36,980 bilhões) para 2,59% do PIB (R$ 40 bilhões).

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Queda do dólar atenuou efeitos dos juros

Ao contrário do que aconteceu ao longo de 2002, quando o ajuste cambial tornou-se o principal responsável pela elevação do estoque da dívida do setor público, a forte desvalorização do dólar frente ao real ao longo de junho configurou-se como um fator atenuante da dívida pública, sendo um dos principais responsáveis, junto com o maior superávit primário, pela retração da dívida líquida total no referido mês.

Dessa maneira, a desvalorização de 4,08% do dólar frente ao real em junho possibilitou que a dívida líquida total do setor público fosse atenuada em R$ 66,066 bilhões em junho. Em maio, a alta de 1,75% registrada pelo dólar havia contribuído para uma redução de apenas R$ 56,925 bilhões da dívida líquida total.

Perspectivas favoráveis

A inflação tem se mostrado sob controle quando se observa os últimos índices de preços apurados tanto no atacado quanto no varejo. Dessa forma, persiste uma expectativa de seqüência gradativa do corte dos juros nominais assim como o anunciado na Ata do Copom (Comitê de Política Monetária) desta quinta-feira. Conforme afirmação do colegiado do BC, a Selic deve ser reduzida ao longo do segundo semestre deste ano, para que a economia volte a crescer.

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Com menores juros nominais, a tendência é de que a NFSP volte a registrar queda nos próximos meses, mantendo-se um superávit primário condizente com a política de austeridade do governo federal, levando, dessa maneira, a dívida líquida do setor público a novas quedas no segundo semestre deste ano.