Maior alta do ano na bolsa, Gradiente espera plano de recuperação extrajudicial

Proposta ainda precisa ser homologada, e prevê negociação da dívida e arrendamento dos ativos para nova empresa CBTD

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SÃO PAULO – Atari, Nintendo e Expert podem não ser nomes tão comuns atualmente, mas no mundo dos eletroeletrônicos, são exemplos de inovação e pioneirismo na época em que foram lançados. Além disso, os três têm em comum o fato de terem sido lançados no País pela Gradiente, uma das empresas mais conhecidas do setor.

Fundada em 1964, a Gradiente mudou de nome no início deste ano e atualmente se denomina IGB Eletrônica, mantendo, porém, o mesmo código na Bovespa (IGBR3). Ao mesmo tempo em que a empresa tenta homologar um plano de recuperação extrajudidicial, suas ações registram a maior alta da Bolsa este ano, com alta de 201% até o fechamento de quinta-feira (29).

Histórico complicado
A Gradiente vem enfrentando dificuldades há vários anos, com diversos eventos já tendo servido para amenizar a situação financeira da companhia. Em 2007, por exemplo, a companhia havia negociado a marca Philco por R$ 22 milhões a um grupo de investidores, o que serviu para amenizar o impacto de um prejuízo de R$ 114 milhões registrado no ano anterior.

A maior negociação do grupo, porém, ocorreu em 2000, quando a Gradiente Telecom negociou com a Nokia sua fatia de 49% na NG Industrial, joint venture com a empresa finlandesa para produção de telefones celulares. A transação totalizou US$ 415 milhões.

Problemas financeiros
A crise financeira da empresa se agravou em 2007, e segundo consta no requerimento de Homologação de Plano de Recuperação Extrajudicial, “imediatamente, a direção da empresa reagiu com medidas duras: consolidou as plantas industriais de Manaus, a gestão dos negócios em São Paulo e reestruturou linhas de produtos, encerrando a fabricação daqueles menos rentáveis e reduzindo seus custos de produção”.

Ainda assim, as obrigações fiscais da empresa giravam em torno de R$ 148,28 milhões em janeiro deste ano, quando foi aprovado em Assembleia o plano de reestruturação e o novo nome da companhia. O projeto, em fase final de implantação – as previsões eram de que a IGB Eletrônica iniciasse atividades no segundo trimestre deste ano – compreende três etapas: renegociação com credores comerciais e financeiros, equacionamento de débitos fiscais e re-inserção da marca Gradiente no mercado nacional.

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Plano de recuperação e CBTD 
Com relação à primeira etapa, o plano da Gradiente traz a negociação de novos termos e condições do pagamento da dívida com os credores. Segundo a empresa, até 9 de dezembro do último ano, credores que representam cerca de 67% das dívidas haviam aderido ao projeto.

Com relação à re-inserção da marca, o projeto envolve uma novidade: o arrendamento, com opção de compra, de parte dos ativos – incluindo a marca Gradiente – para uma nova empresa: a CBTD (Companhia Brasileira de Tecnologia Digital). A nova empresa poderá receber recursos adicionais de potenciais investidores, os quais seriam usados para o pagamento dos credores do Plano de Recuperação Extrajudicial.

Além disso, consta a possibilidade de capitalização da CBTD, de modo que os acionistas atuais da IGB poderão participar da base acionária da nova empresa, “sem prejuízo de suas respectivas participações na Gradiente”, segundo fato relevante divulgado pela companhia.

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O documento ainda traz especificações da estratégia de negócios a ser usada para re-inserir a marca através da CBTD, que consistiria em uma linha de produtos reduzida e com foco em segmentos de alto valor agregado e “alto potencial de crescimento no mercado de eletrônica de consumo”. Também são citados canais alternativos de distribuição, estrutura de capital sólida, despesas fixas reduzidas e alta rentabilidade.

Situação atual
Em dezembro de 2009, a empresa entrou com requerimento de Homologação de Plano de Recuperação Extrajudicial na 2ª Vara de Falência e Recuperações Judiciais da Capital, em São Paulo. Para ser alcançada, seria necessária a suspensão de todas as ações movidas contra a empresa pelos credores da companhia. A homologação, entretanto, ainda não ocorreu, e segue tramitando na Justiça.

Enquanto isso, no mercado acionário, as ações seguem em alta. No acumulado dos últimos 12 meses, a variação é de 273%, enquanto neste ano, os papéis subiram 201% – maior valorização percentual dentre todas as ações listadas na Bovespa.

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Sobre o andamento do processo de recuperação extrajudicial, que tem gerado forte expectativa entre os investidores e mexido com os papéis da companhia – como os números sobre o desempenho da ação na Bovespa mostram -, a Gradiente não quis traçar comentários.