Mahle Metal Leve (LEVE3) fecha com salto de quase 12% após resultado, mas por que analistas seguem céticos sobre ação?

Analistas veem resultado como positivo, mas veem a ação como cara e destacam incertezas sobre rentabilidade das operações no futuro

Lara Rizério

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As ações da Mahle Metal Leve (LEVE3) tiveram uma sessão de disparada, com os ativos saltando mais de 10% na sessão pós-resultado do terceiro trimestre de 2022 (3T22). Os papéis fecharam em alta de 11,78%, a R$ 29,03.

A empresa de autopeças registrou um lucro líquido ajustado de R$ 201,8 milhões no terceiro trimestre de 2022 (3T22), avanço de 52,4% na comparação com igual período de 2021.

O lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado avançou 52,2% no período, para R$ 285 milhões. A receita líquida de vendas teve alta de 26,3%, para 1,199 bilhão, 26,3% acima do registrado no 3T21, levando assim a uma alta de 4 pontos percentuais (p.p.) da margem Ebitda ajustada, para 23,6%.

Os resultados, de acordo com a Eleven, foram sólidos com ganho de margem. A Mahle registrou números operacionais puxados pelo crescimento de volume e preço frente ao 3T21. Esses efeitos refletiram na margem Ebitda, superando as estimativas do mercado. A companhia registrou números operacionais puxados pelo crescimento de volume e preço frente ao 3T21.

A Mahle apresentou um forte crescimento de receita, puxado pelo aumento do volume no segmento de Equipamentos Originais (EO) devido à melhora do fornecimento de componentes e no segmento de reposição (aftermarket) que captura a
demanda aquecida de uma frota envelhecida internacionalmente.

“Esses resultados foram parcialmente compensados pela variação cambial do período. A companhia apresentou uma importante expansão de margem Ebitda devido aos repasses de preços em contratos e ações relacionadas a ganho de produtividade, o que fez a linha superar nossas estimativas de uma margem mais flat devido à inflação de custos no ano”, avalia a casa.

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O Bradesco BBI ressaltou que, no 3T22, a Mahle Metal Leve se beneficiou da maior produção de veículos no Brasil para aumentar sua alavancagem operacional, enquanto a empresa também conseguiu renegociar contratos e repasse de custos. Como resultado, a margem bruta saltou para 30,1%.

A companhia apresentou dívida líquida de R$ 59 milhões, o que resulta em uma alavancagem financeira de 0,1 vez a dívida líquida sobre o Ebitda dos últimos doze meses.

“Enquanto isso, a empresa mantém investimentos próximos a 2% da receita líquida. A nosso ver, esse baixo nível de reinvestimento significa que a Mahle Metal Leve deve manter sua política de dividendos, distribuindo praticamente 100% de seu lucro”, avaliam os analistas do BBI.

O Bradesco BBI mantém recomendação equivalente à venda e preço alvo de R$ 20,00 para 2023. “Nossa visão mais cautelosa é baseada em: 1) os custos de oportunidade da empresa parecem ser altos devido ao risco de valor terminal e a contração esperada dos múltiplos de negociação devido aos riscos tecnológicos no futuro; e 2) uma avaliação pouco atraente, pois vemos um risco de queda de 23% em relação ao nosso preço-alvo”, apontou.

Para a Eleven, os resultados operacionais mais fortes e a recuperação da produção de veículos no âmbito global trazem perspectivas positivas para o futuro da empresa.

“Contudo, ao mesmo tempo que houve repasses de custos mais altos no trimestre, a normalização do preço dos insumos também deve ser ajustada nos próximos períodos. Além disso, a transição de veículos a combustão para elétricos traz incertezas sobre a operação com rentabilidade da companhia”, disse a Eleven. A recomendação para os ativos é neutra, com preço-alvo de R$ 33, ou alta de 30% em relação ao fechamento de sexta.

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O JPMorgan também tem recomendação neutra para os ativos e destacou, antes da abertura, esperar uma reação positiva para os ativos, avaliando ver os resultados do 3T22 trazendo riscos de alta para as estimativas. Os analistas apontam o “impressionante” Ebitda, superando o consenso em 50%, impulsionado por receita e margens. Por outro lado, apontou que os múltiplos estão mais altos que Randon (RAPT4) e Iochpe-Maxion (MYPK3).

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.