Novo comando

Macri retira impostos e Argentina bate recorde de exportação de trigo para EUA

“Os agricultores estão despachando as safras antigas e não vão parar, porque a nova colheita de trigo também está chegando”, disse funcionário da câmara de exportações de Rosário

SÃO PAULO – Os produtores argentinos tinham retido cerca de US$ 10 bilhões em milho, trigo e soja como protesto contra os impostos do governo anterior sobre a exportação. Mas as exportações dispararam desde que o recém-eleito presidente Mauricio Macri eliminou a maioria dos impostos sobre as safras e acabou com controles cambiais de quatro anos, o que provocou a maior desvalorização do peso em um dia dos últimos catorze anos no dia 17 de dezembro.

“Este ano começou com a maior atividade de remessas de trigo após as novas normas”, disse Guillermo Wade, funcionário da câmara de exportações do porto de Rosario, em entrevista por telefone à Bloomberg. “Os agricultores estão despachando as safras antigas e não vão parar, porque a nova colheita de trigo também está chegando”. 

Quinze navios carregarão 451.500 toneladas de trigo durante duas semanas a partir da terça-feira nos terminais portuários de Rosario, 300 quilômetros ao norte de Buenos Aires, disse Wade. Rosario é a fonte de 80 por cento das exportações argentinas de grãos e de soja.

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Compras do Brasil

 Além das remessas deste mês para os EUA, o Brasil será o maior comprador de trigo argentino. Projeta-se que a Nidera, a Bunge e a Amaggi International transportem um total combinado de 126.000 toneladas de trigo para o Brasil, segundo Wade.

Até meados de dezembro de 2015, a Argentina tinha enviado US$ 17,6 bilhões em grãos e oleaginosas ao exterior, o valor mais baixo para o período desde 2009, segundo dados do grupo de exportadores. Nos primeiros quinze dias do ano, os produtores argentinos venderam US$ 1,6 bilhão para exportação, um recorde para o período.

As duas remessas de trigo para os EUA mostram que os produtores de gado no sudeste do país conseguiram comprar trigo para ração da Argentina a preços mais baixos que os do milho local, disse Collin Hulse, consultor de administração de riscos da INTL FCStone Financial, em Kansas City, em entrevista por telefone.

Dólar forte

As importações provavelmente foram impulsionadas pela força do dólar americano e pelo custo barato do transporte marítimo em comparação com a compra de grãos transportados por trem desde o Centro-Oeste dos EUA, disse Ted Seifried, estrategista-chefe de mercados da Zainer Group em Chicago.

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Projeta-se que os EUA vão importar 3,27 milhões de toneladas de trigo no ano de comercialização atual, frente a 4,07 milhões em 2014-2015, segundo o USDA.

“Duas remessas provavelmente contêm muita ração de trigo para abastecer essa pequena área dos EUA por muito tempo”, disse Terry Reilly, analista sênior de commodities da Futures International em Chicago, em entrevista por telefone. “Se isso acontecer de novo, eu me surpreenderia um pouco. Isso nos lembra de que a Argentina voltou a exportar grãos e oleaginosas, portanto estou um pouco pessimista em relação a isso”.