Lula perde apoio no Centrão e vê PP e União Brasil fecharem com Flávio

Federação abandona neutralidade do primeiro turno; Republicanos caminha na mesma direção, enquanto Lula tenta preservar aliados dentro dessas siglas

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A federação formada por PP e União Brasil decidiu apoiar Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial. O anúncio marca uma mudança em relação à primeira etapa da campanha, quando as duas siglas permaneceram oficialmente neutras e mantiveram espaço para aliados de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A decisão foi tomada nesta terça-feira (6), em reunião das Executivas Nacionais com dirigentes estaduais, deputados e senadores. Segundo a líder do PP no Senado, Tereza Cristina (MS), houve unanimidade pelo apoio ao candidato do PL.

A federação prepara para esta quarta-feira (7), em Brasília, um ato público com Flávio para formalizar a adesão.

A movimentação amplia a base partidária reunida em torno do senador depois do primeiro turno. Na terça, Flávio também esteve em Goiânia para receber o apoio de Ronaldo Caiado (PSD), adversário na disputa presidencial até domingo. O governador reeleito de Goiás, Daniel Vilela (MDB), participou do encontro.

O PSD, porém, manteve posição nacional de neutralidade e liberou seus filiados. Caiado, portanto, aderiu individualmente à candidatura do PL.

União e PP deixam neutralidade

A definição de PP e União Brasil tem peso porque as duas siglas permaneceram fora da disputa presidencial no primeiro turno, mesmo tendo presença relevante no governo e no Congresso.

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O PP indicou André Fufuca para o Ministério do Esporte em 2023. Ele deixou a pasta em abril para disputar o Senado, mas o partido continuou representado na estrutura do ministério.

O União Brasil havia determinado em setembro de 2025 que seus filiados deixassem o governo. Ainda assim, nomes ligados a lideranças da legenda continuam na Esplanada, entre eles ministros indicados pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).

As duas siglas também têm dissidências importantes. Na Paraíba, por exemplo, o governador eleito Lucas Ribeiro (PP) apoiou Lula e participou nesta semana de reunião com o presidente e aliados.

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Tereza Cristina afirmou que a federação “fechou questão” pelo apoio a Flávio, mas evitou antecipar se haverá punições para integrantes que mantiverem posição favorável a Lula.

Republicanos é próximo alvo

O Republicanos pode ser o próximo partido do Centrão a formalizar apoio a Flávio. Tarcísio de Freitas, reeleito governador de São Paulo, atua diretamente nas conversas com o presidente nacional da legenda, Marcos Pereira.

A relação entre Flávio e Marcos Pereira vinha sendo considerada distante por integrantes do partido, e Tarcísio passou a funcionar como intermediário na negociação.

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O Republicanos elegeu 41 deputados e cinco senadores. Além do tamanho da bancada, controla atualmente a presidência da Câmara com Hugo Motta (PB), que pretende permanecer no cargo na próxima legislatura.

A permanência de Motta é um dos pontos considerados nas conversas. O PL terá a maior bancada da Câmara a partir de 2027 e exercerá peso relevante na eleição da Mesa Diretora.

Dentro do Republicanos, porém, também há aliados de Lula. Motta apoiou a reeleição do presidente e participou de atos de campanha na Paraíba.

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Lula aposta nas dissidências

A adesão formal de partidos do Centrão a Flávio já era considerada provável por integrantes da campanha petista.

Antes do primeiro turno, Lula havia atuado para evitar que essas siglas se vinculassem institucionalmente ao PL. Com o resultado de domingo, a estratégia passou a ser preservar lideranças específicas mesmo quando as direções nacionais migram para Flávio.

Davi Alcolumbre é um dos nomes considerados importantes pelo Planalto. O senador não participou da reunião de PP e União Brasil e manteve conversas com integrantes do governo nesta semana.

Na terça, reuniu-se com o ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, e com a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), para discutir a tramitação da proposta que reduz a jornada de trabalho e busca acabar com a escala 6×1.

Hugo Motta também integra o grupo que o PT tenta manter próximo, apesar da provável adesão nacional do Republicanos ao adversário.

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Marina Verenicz
Política | Brasil | Mundo