Lula defende manutenção da carga tributária por conta dos programas sociais

Em reunião com empresários, presidente diz que não pode diminuir impostos, mas garante que reforma tributária está pronta

Por  Equipe InfoMoney -

SÃO PAULO – Os 100 principais empresários do País participaram, na quarta-feira (24), de uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na qual o governo sinalizou que não irá diminuir a carga tributária.

“Ele [o presidente] reconhece que o momento é que o Brasil ainda precisa dessa carga tributária por causa da questão dos programas sociais, que é uma ênfase do governo atual”, disse o presidente da Votorantim Industrial, José Roberto Ermírio de Moraes.

“A questão é o governo sinalizar que, no longo prazo, a carga tributária possa vir a diminuir e que o Estado, conseqüentemente, se adapte a essa nova carga tributária. Esse é o caminho para receita de crescimento mais sustentado e mais vigoroso”, acrescentou o empresário, ao final do encontro.

Reforma Tributária

Conforme veiculou a Agência Brasil, Lula garantiu que a reforma tributária já está pronta, mas pediu apoio dos empresários para articulação nos governos, visando à aprovação do projeto.

“Nós a mandaremos para o Congresso Nacional no momento em que entendermos que o Congresso Nacional está preparado para votar e que os governadores vão aceitar”, anunciou o presidente. “É preciso convencer os entes federativos de que isso está resolvido para que eles possam aprovar, e vocês podem ser parceiros importantes nisso.”

A prorrogação da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) não fez parte da pauta da reunião. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que há questões mais importantes a serem discutidas. “Parece que vocês estão com idéia fixa na CPMF”, disse a jornalistas.

Reforma trabalhista

Quanto à reforma trabalhista, Lula admitiu que há dificuldade de consenso e defendeu maior diálogo entre trabalhadores e empregadores no âmbito do Fórum Nacional do Trabalho. E afirmou que é preciso construir o apoio da sociedade. “Sempre vai ter uma ou outra categoria que não estará satisfeita, mas essa história de construir 100% de consenso não existe.”

Estabilidade e crescimento

Mantega avaliou que existem condições satisfatórias para o crescimento do País, pois o clima é de confiança e credibilidade. “Eu acabo de voltar de Washington, de reunião do FMI (Fundo Monetário Internacional) e lá constatamos que, se há alguma incerteza quanto à economia norte-americana, há plena confiança na brasileira, que está indo bem e continuará bem.”

O presidente do grupo Nestlé, Ivan Zuritta, informou, durante a reunião, que 72% da capacidade de consumo de alimentos no Brasil vêm das classes de menor poder aquisitivo. “Nas classes menos favorecidas e nas regiões menos favorecidas, tem havido mais crescimento. Isso gera mais investimentos.”

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Para ele, o Brasil é o único País onde executivos e empresários podem determinar quanto desejam crescer. “Acho que, com equilíbrio, com confiança e disciplina do ponto de vista empresarial, vamos escrever conjuntamente essa história nova do Brasil”, completou Zuritta.

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