Lojas Renner (LREN3): com forte recuperação em novembro, mas ainda em queda no ano, vale a pena comprar a ação da varejista?

Melhora do cenário de crédito, valuation barato e implantação de novo centro de distribuição são pontos destacados por analistas para maior otimism

Vitor Azevedo

(Crédito editorial: rafapress / Shutterstock.com)

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Apesar de o cenário ter sido negativo, no geral, para as varejistas, algumas companhias se destacaram em 2023. Esse, no entanto, não foi o caso da Lojas Renner (LREN3), que de queridinha dos analistas registra, até então, uma queda de quase 20% no ano. Contudo, vale destacar que a ação da companhia se distancia das mínimas, tendo acumulado ganhos de 32%% no mês até a tarde desta quinta-feira (30), também por conta do alívio com a baixa dos juros futuros no mês, o que beneficia as empresas do setor de varejo e consumo.

Com esse cenário no radar, um questionamento recorrente é: a alta recente deve prosseguir? Em relatórios recentes, analistas têm destacado maior ânimo com as ações.

O time de analistas do Itaú BBA, encabeçado por Thiago Macruz, vai nessa linha. A equipe aponta como motivo principal a crença de que o pior já passou no cenário de crédito brasileiro.

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“A qualidade do crédito dos varejistas foi um tópico de discussão chave na temporada de resultados do terceiro trimestre de 2023. Por um lado, é cedo demais para assumir uma reaceleração ampla nas concessões de cartões de crédito, embora algumas empresas já tenham começado essa jornada. As famílias ainda estão altamente endividadas, especialmente nas faixas de renda mais baixas, e os bancos permanecem um tanto cautelosos com o crédito”, diz.

“Por outro lado, os NPLs [inadimplência, na sigla em inglês] para indivíduos atingiram o pico, com mais quedas esperadas à frente, ajudadas pela inflação básica mais baixa e mercados de trabalho saudáveis”, ponderam.

A Realize, o braço financeiro da Lojas Renner, foi uma grande detratora dos resultados da companhia ao longo de 2023, com prejuízo de R$ 10,3 milhões no primeiro trimestre, R$ 53,7 milhões no segundo e R$ 35 milhões no terceiro.

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Para o BBA, a melhoria vista no terceiro trimestre é um primeiro passo para o produto se tornar lucrativo novamente, bem como para impulsionar os volumes de vendas para cima, já que os clientes dependem da disponibilidade de crédito para fazerem suas compras.

“No geral, embora possa levar um tempo para uma reaceleração mais concreta do crescimento do crédito, os níveis de provisão provavelmente diminuirão, abrindo caminho para melhores tendências de rentabilidade”, explica a equipe.

O BBA chegou a, inclusive, ajustar seu modelo para a Lojas Renner por conta da melhora dos níveis de crédito, tirando a previsão de Ebitda (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, na sigla em inglês) para 2024 de R$ 7 milhões negativos para R$ 12 milhões positivos.

Valuation da Lojas Renner está barato

O Goldman Sachs, do outro lado, destaca que a companhia está com o valuation atrativo – mesmo com a alta de mais de 30% vista em novembro.

“A alta recente se deu principalmente como resultado da redução das taxas de juros no Brasil e, em um nível mais específico de ações, um sentimento progressivo de que o pior pode agora estar atrás de nós”, explica o time do banco americano, chefiado por Irma Sgarz.

Apesar da alta, os papéis da varejista de moda estariam negociando a um múltiplo de 11x o preço contra lucros projetados para 2024.

“Ainda há um potencial de valorização atraente a partir dos múltiplos atuais em um horizonte de 12 meses. Analisamos o múltiplo teórico pelo qual as ações deveriam ser negociadas e, com base em nossas expectativas de crescimento do lucro por ação, estimamos que os papéis deveriam ser negociados a 15 vezes”, comenta.

O Goldman diz esperar que o resultado líquido da empresa provavelmente tenha atingido no terceiro trimestre o ponto de inflexão.

Além da questão da queda dos juros, eles citam, entre outros temas, o novo centro de distribuição da empresa, em Cabreúva, “devido à remoção das despesas de implantação, mas também de benefícios mais estruturais na forma de tempos de liderança mais curtos e maior agilidade na alocação de inventário”.

“Analisamos a taxa interna de retorno (IRR, na sigla em inglês) implícita, que permanece atraente mesmo com ganhos menores. O setor de vestuário passou por mudanças estruturais relacionadas à crescente competição transfronteiriça, maior penetração online e uma menor contribuição do financiamento ao consumidor. Como resultado, acreditamos que o retorno de capital investido pode retornar apenas para altos dígitos, permanecendo abaixo do nível histórico de médio 20”, falam.

Na véspera, além do mais, o presidente em exercício Geraldo Alckmin (PSB) defendeu que “o próximo passo é taxar compras internacionais de até US$ 50″ – o que pode melhorar ainda mais os resultados das varejistas.

“A companhia enfrenta mais concorrência de plataformas internacionais, com mais questões sobre a agressividade da Shein e, como visto na Europa e nos EUA, sobre o modelo de preços baixos de Temu. Os desafios (concorrência acirrada, inadimplência elevada) que levaram à aceleração da originação de crédito afetaram recentemente o crescimento, mas ganhos potenciais do novo CD (principalmente em termos de margem e maior produtividade das lojas em meio a um cenário mais difícil para expansão da área de vendas), os benefícios da queda das taxas de juros para a Realize e um valuation barato nos deixam otimistas em um horizonte de 12 meses”, avalia a equipe do BTG Pactual. O banco tem recomendação de compra para o ativo, com preço-alvo de R$ 22.