Localiza: Goldman vê cenário incerto e corta recomendação e preço-alvo de RENT3

Montadoras chinesas ampliam participação de mercado e pressiona companhia

Erick Souza

Ativos mencionados na matéria

Loja da Localiza (RENT3) Seminovos, que vende carros usados (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)
Loja da Localiza (RENT3) Seminovos, que vende carros usados (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)

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O Goldman Sachs atualizou para baixo a recomendação para a Localiza (RENT3), de compra para neutro, assim como o preço-alvo, que passou de R$ 53,50 para R$ 50. A mudança, de acordo com os analistas, reflete o cenário incerto para os mercados de carros novos e usados no Brasil, com a entrada das montadoras e fabricantes chinesas.

A ação abriu o dia sendo negociada a R$ 49,49 e ainda na primeira hora desde a abertura dos mercados já batia a mínima de R$ 48,91. Por volta das 10h30, a ação registrava queda de 0,88%, a R$ 49,60, mas virou para ganhos de cerca de 1%, em um dia de ânimo para o mercado.

Para os economistas da casa, o ganho crescente de participação de mercado das chinesas pode resultar em um enfraquecimento dos preços desses veículos no país. Além disso, gerar maiores despesas de depreciação.

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Caso essa tendência continue, de acordo com os analistas, existe a possibilidade de veículos híbridos/elétricos pressionarem os preços dos veículos a combustão. Essa pressão acontece porque, de maneira geral, os carros chineses oferecem um produto superior por um preço não muito mais alto.

Com este cenário no horizonte, o Goldman atualizou também as estimativas de lucro líquido para o intervalo de 2026-2027. De acordo com os cálculos, o lucro está cerca de 6-10% abaixo do consenso da Bloomberg.

Cenário macroeconômico

Apesar do receio, os analistas destacam que ainda há perspectivas de longo prazo sólidas. Conforme a estimativa, a empresa está bem posicionada e poderá aproveitar de uma melhora no futuro, caso o ambiente macroeconômico do Brasil melhore, em especial, relacionado à queda de juros.

Segundo o Goldman, com a queda de juros, a empresa poderia se beneficiar de menores custos de financiamento para consumidores e menor despesa financeira. Além disso, teria múltiplos de P/E mais elevados e melhora do spread entre o retorno sobre capital investido (ROIC) e o custo da dívida (Kd).

Por enquanto, entretanto, a incerteza nos lucros no curto prazo e um possível adiamento do ciclo de queda de juros ainda justificam o rebaixamento.