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SÃO PAULO – O comunicado do Federal Reserve, divulgado após a reunião da instituição nessa terça-feira (9), não apresentou nenhum novo programa de estímulos para a economia dos Estados Unidos, mas também não descartou um novo Quantative Easing, afirmaram especialistas.
De acordo com a equipe de análise da consultoria Rosenberg & Associados, o comunicado deixou sinais de que pode ser adotado um programa ou plano desse tipo ou novas heterodoxias, que podem vir a serem setoriais. Essa omissão de posicionamento é providencial, afirma Jason Vieira, da Cruzeiro do Sul Corretora, para quem o governo norte-americano está numa “zona de perigo”, por conta do rebaixamento de sua nota de dívida Standard & Poor’s.
QE3: Bom ou ruim?
Contudo, a adoção de um novo QE não seria tão favoravelmente aceita no mercado. Vieira, por exemplo, é crítico de uma forma de ação assim, que para ele poderia ser desastrosa por conta de uma falta de conteúdo, além de colaborar com os problemas apontados pela S&P.
Além disso, os problemas atuais não são causados pela falta de liquidez, como em 2008, mas por conta da confiança das pessoas para a economia e o reaquecimento da mesma, ressaltado pelo Fed. A melhor saída para aqueles que veem com descrença um novo QE seria, portanto, medidas pontuais, como devolver impostos ou reduzir taxações sobre bens de consumo. Todavia, isso somente seria possível, dado o excessivo déficit do orçamento norte-americano, com a elevação do teto da dívida.
Um novo QE estaria implícito no comentário, de acordo com Anthony Karydakis, do Commerzbank, que lembra que a política de reinvestimento dos faturamentos que o Fed terá com seus ativos omará no total aproximadamente US$ 600 bilhões – o tamanho do QE2. Contudo, a tendência é que isso se prolongue por um período de tempo três vezes maiores do que o próprio QE.
Taxa de juros
Por conta do cenário, a autoridade monetária norte-americana encontrou na alteração de uma frase-chave a respeito da manutenção dos baixos juros a forma mais sutil de mostrar prontidão, afirma a LCA, para quem um QE3 deveria ser anunciado assim que a deflação assustasse o Fed. Além disso, a consultoria acredita numa postergação do aumento da taxa de juros, caso a recuperação da atividade econômica continue fraca e a deflação volte a assombrar a instituição.
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A alteração, retira do Fed parte de sua flexibilidade de se ajustar à novas situações – já que agora os juros estão comprometidos até ao menos meados de 2013 -, fato que levou à maior dissidência em uma votação do Fomc (Federal Open Market Comittee) desde 92, conforme eles descordavam dessa perda.
Cenário para economia preocupa
Contudo, é o cenário para a economia que preocupou no comunicado da autoridade, já que esta mostrou piora significativa frente ao comunicado anterior, inclusive creditando menores efeitos à fatores temporários, como o terremoto japonês, para a economia norte-americana.
O cenário poderá levar a uma depressão, o que danificaria consistentemente a economia mundial e necessitaria de intervenções ágeis para ser evitado. “A inação pode ser altamente perigosa”, afirma Vieira. Isso é ressaltado pela Rosenberg, que avalia que o mau desempenho dos mercados não é resultado apenas do rebaixamento da nota do rating norte-americano, pela S&P, e e sim pelo baixo crescimento dos Estados Unidos, da Europa e do Japão, que – julga a consultoria – são os principais determinantes dos movimentos atuais. Seja como for, aumenta-se o receio – tanto por parte do mercado quanto pelo Fed – de uma economia pior.