Light: Morgan Stanley eleva recomendação e vê gatilho capaz de transformar empresa

Na avaliação do banco, o mercado ainda precifica um cenário excessivamente pessimista, abrindo espaço para uma relação risco-retorno considerada atrativa

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O Morgan Stanley elevou sua recomendação para as ações da Light (LIGT3) de Equal Weight para Overweight, argumentando que a revisão regulatória sobre perdas de energia prevista para ocorrer entre setembro de 2026 e março de 2027 pode representar um catalisador transformacional para a distribuidora.

Na avaliação do banco, o mercado ainda precifica um cenário excessivamente pessimista, abrindo espaço para uma relação risco-retorno considerada atrativa.

Segundo os analistas, a principal questão para a Light continua sendo o elevado nível de perdas não técnicas, principalmente associadas a furtos de energia. Atualmente, a companhia sofre uma defasagem anual de aproximadamente R$ 1 bilhão em Ebitda porque as perdas efetivamente registradas permanecem acima do nível reconhecido pela regulação tarifária.

O Morgan Stanley destaca que a revisão tarifária prevista para março de 2027 poderá reduzir significativamente essa diferença. Mesmo em um cenário conservador, no qual a metodologia atual permaneça inalterada, o banco estima que o impacto negativo das perdas poderia cair para cerca de R$ 600 milhões por ano. Caso haja mudanças regulatórias dentro de um novo modelo de avaliação, a melhora econômica da concessão poderá ser ainda mais relevante.

Na visão da instituição, as ações da Light atualmente refletem um reconhecimento regulatório de perdas de cerca de 52%, inferior aos 57% projetados pelo banco sob a metodologia vigente. Com base nessa premissa, o Morgan Stanley calcula um preço justo de R$ 4,50 por ação, o que representa um potencial de valorização de aproximadamente 35% em relação aos níveis atuais.

O relatório ressalta ainda que pequenas melhorias nas premissas regulatórias poderiam elevar de forma expressiva o valor da companhia. Segundo os cálculos do banco, cada aumento de cinco pontos percentuais no reconhecimento das perdas acrescentaria cerca de 25% ao valor justo da ação. Em um cenário moderadamente mais favorável, o preço-alvo poderia subir para R$ 5,60 por ação, equivalente a uma valorização de 68%.

Para o Morgan Stanley, a maior atratividade da tese está justamente na assimetria entre riscos e retornos. O cenário considerado mais otimista pelo banco prevê um preço justo de R$ 9 por ação, o que corresponderia a um potencial de alta próximo de 170%. Essa projeção incorpora uma redução adicional da defasagem de perdas, monetização mais rápida de créditos tributários, custo de capital ligeiramente menor e reconhecimento parcial de créditos de PIS/Cofins.

Por outro lado, o cenário pessimista aponta para um valor de aproximadamente R$ 2 por ação, o que implicaria uma queda de cerca de 40%. Nesse caso, seriam considerados resultados regulatórios menos favoráveis, dificuldades adicionais para captação de recursos, provisões extras e menor aproveitamento dos créditos tributários. Ainda assim, o banco entende que a relação entre os cenários positivos e negativos permanece favorável ao investidor.

O relatório também destaca que a Light emerge do processo de recuperação judicial em uma condição financeira mais sólida. Entretanto, a sustentabilidade de longo prazo da concessão de distribuição continuará dependendo da capacidade de reduzir a diferença entre as perdas reais e aquelas reconhecidas na tarifa.

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Além da questão regulatória, o Morgan Stanley elaborou uma análise abrangente dos fatores que podem destravar valor para a companhia no período pós-recuperação judicial. Entre eles estão a retomada do acesso ao mercado de capitais, a capacidade de financiamento para novos investimentos, o valor residual dos ativos de geração e a potencial monetização de aproximadamente R$ 5 bilhões em créditos tributários.

Apesar da recomendação mais positiva, os analistas reconhecem que a tese permanece adequada apenas para investidores com maior tolerância ao risco. Entre os principais desafios apontados estão um resultado desfavorável na revisão tarifária de 2027, dificuldades operacionais para reduzir perdas, riscos regulatórios, pressão vendedora decorrente do vencimento gradual do período de lock-up, incertezas sobre o valor dos ativos de geração e eventuais obstáculos para monetizar créditos tributários e créditos relacionados ao PIS/Cofins.

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