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SÃO PAULO – Listada entre as principais recomendações de compra para o mês de fevereiro em diversas carteiras, a ação da Light (LIGT3) é vista com potencial de crescimento pelos analistas, principalmente pela melhora dos números da companhia no último balanço trimestral.
Ressaltando os números de receita e dividendos acima das projeções para o período de outubro a dezembro de 2009, a equipe de research do Citigroup reiterou sua recomendação de compra para os ativos da Light.
Para 12 meses, os analistas do banco estimam um preço-alvo de R$ 35,08 por papel, com um potencial de valorização de 33% ante o fechamento do dia 12 de fevereiro (R$ 26,35). Entre os principais fatores que influenciam positivamente o case da Light, o banco destaca o potencial de crescimento da companhia e a perspectiva de aumento do preço de energia.
Fatores
No caso da expansão da empresa, o Citi comenta que os projetos de geração dos campos de Paracambi, Lajes e de Itaocara serão importantes para o crescimento da empresa. Ao mesmo tempo, eles falam que a empresa também planeja expandir organicamente seus negócios de distribuição.
Já no caso dos preços, a previsão é de que os contratos de revenda de energia da companhia tenham aumento de valor da energia até 2012. Para a afirmação, os analistas baseiam-se nos contratos negociados atualmente no mercado livre e em sua projeção de alta para os preços.
Resultados
Contribuindo para a visão positiva em relação aos papéis da Light também está seu balanço do quarto trimestre, divulgado na última quarta-feira (10). Nele, o destaque foram o crescimento da receita e dos dividendos da empresa, que surpreenderam o mercado.
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Com a temperatura acima da média no Rio de Janeiro, o consumo de energia elétrica aumentou entre outubro e dezembro de 2009, contribuindo para crescimento da receita líquida da Light para R$ 1,502 bilhão no período. O consumo dos segmentos doméstico e industrial cresceu 14,7% e 9,3%, respectivamente, em relação ao mesmo período de 2008.
Ao comentar a aceleração da receita, a equipe de analistas do Bank of America Merrill Lynch avalia que “isso é reflexo da média de temperatura mais alta durante o período, uma tendência que deverá se manter no primeiro trimestre de 2010”.
Para eles, o crescimento da demanda deve impulsionar os volumes ofertados ao longo deste ano. A projeção do BoA Merrill Lynch para a receita líquida da Light era de 18% abaixo do número divulgado pela companhia elétrica.
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Os analistas do Bradesco compartilham da mesma opinião com relação ao crescimento da demanda. Eles acreditam que a receita deve continuar crescendo neste primeiro trimestre, devido aos recordes de temperaturas altas no verão. Eles recomendam outperform (desempenho acima da média) e preço-alvo de R$ 33,54.
Contraponto
Também os analistas do Citi se surpreenderam positivamente com a receita líquida reportada pela companhia elétrica no final do ano passado. O número ficou cerca de 10% acima das projeções do banco.
Porém, a instituição comenta que as perdas de energia com produção e distribuição não vieram tão boas assim. “Enquanto as altas temperaturas contribuíram para o crescimento da receita, elas também influenciaram as perdas de energia, que ficaram em 21,75% no quarto trimestre ante 21,50% um ano antes’, falam.
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Melhora em vista
Neste tópico, o time da Gradual Investimentos é mais otimista e sublinha que um dos pontos positivos da empresa está na retomada do programa de redução de perdas não-técnicas de energia, anunciado após a homologação pelo Inmetro dos novos aparelhos de medição digital.
“Acreditamos que esse programa pode representar um upside importante para a Companhia, visto que sua área de concessão apresenta um dos mais altos níveis de perda não-técnica”, comentam.
Além disso, eles argumentam que a performance dos papéis nos últimos dias pode representar ainda um potencial a mais de valorização, uma vez que seu desempenho foi aquém de outras empresas do setor.
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“As ações da empresa não acompanharam seus pares nas últimas semanas e, dessa forma, acreditamos que o nível atual apresenta um bom ponto de entrada”, explicam.
A Light está na carteira de recomendações de compra da Gradual para o mês de fevereiro e tem preço teórico de R$ 30,50 para o final do ano, um potencial de valorização de 15,66% ante o fechamento de quinta-feira.
Dividendos
Em seu balanço trimestral, ao lado da receita líquida, os dividendos também foram bem comentados pelos analistas. O anúncio de R$ 2,12 em pagamento por ação da empresa veio bem acima da estimativa de R$ 1,48 do Citi.
“O aumento no pagamento de dividendos da empresa sustenta a posição da Light entre os principais pagadores do setor de energia elétrica”, comentam os analistas do banco. Para 2009 e 2010, a taxa de dividend yield para a empresa está em 5,8% e 4,1%, respectivamente.
Cemig
Para analistas, um tópico a ser acompanhado no case de investimentos da Light é o da movimentação de seu controle. No início do ano, a Cemig (CMIG4) adquiriu as ações da Light em posse da Equatorial Energia e da Andrade Gutierrez, aumentando o risco político da companhia.
“Nós estamos rebaixando a recomendação para os papéis da Cemig para market perform [desempenho em linha com o mercado] por conta das incertezas sobre a mudança potencial da estratégia da companhia agora sob a gestão da Cemig”, explicam os analistas do Itaú em relatório.
Para a corretora, a estratégia da companhia elétrica será “inevitavelmente modificada” no curto prazo e, por isso, aconselham os investidores a manter a cautela e acompanhar de perto as movimentações sobre o assunto.
Apesar de recomendar “market perform” e não mais “outperform” , o banco manteve sua estimativa de preço-justo de R$ 33,00 por papel da empresa, com potencial de alta de 25,14% ante o pregão de 11 de fevereiro.
Por outro lado, os analistas da Brascan Corretora têm um viés mais positivo em sua análise. “Consideramos positiva a ampliação de participação na companhia pela Cemig. Entendemos que a operação mostra a confiança da estatal mineira no potencial da Light, com criação de valor aos acionistas via fluxo de dividendos”, comentam.
Eles destacam ainda que estão confiantes com relação às perspectivas para a Light em 2010, principalmente no que diz respeito ao aumento na geração de caixa. Sua recomendação é de outperform e preço-alvo de R$ 31,92, upside potencial de 21%.
Reajustes de energia
No início de fevereiro, a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) aprovou a proposta para alteração dos contratos de concessão das distribuidoras em virtude de distorção nos cálculos de reajuste tarifário.
A decisão baseou-se nas críticas levantadas no ano passado de que os reajustes não incorporavam o ganho de escala das distribuidoras e, dessa forma, a taxa seria determinada a partir de uma base de clientes menor do que aquela a qual seria aplicada.
Segundo projeções da Socopa Corretora, com a mudança, as distribuidoras devem deixar de faturar algo em torno de R$ 600 milhões. Contudo, para eles, “a medida não deve apresentar impacto significativo nas negociações dos papéis das distribuidoras”.
Também o Santander vê como neutra a notícia e mantém sua recomendação para as empresas do setor, sendo que para os papéis da Light a recomendação é de “compra” e o preço-teórico estimado em R$ 30,65 para o final do ano.
“Acreditamos que, apesar da possibilidade de as estimativas de Ebitda [geração operacional de caixa] futuro do consenso serem reduzidas devido a essa aprovação, o mercado, lentamente, já precificou a nova metodologia nos últimos meses”, falam.
| Recomendações para Light | ||
|---|---|---|
| Corretora | Preço-teórico | Recomendação |
| Bradesco | R$ 33,54 | outperform |
| Citi | R$ 35,08 | buy |
| BES | R$ 30,30 | compra |
| Brascan | R$ 31,92 | outperform |
| Santander | R$ 30,65 | compra |
| Fonte: Corretoras | ||