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SÃO PAULO – Nada de gastos com presentes sofisticados e de alta tecnologia. Esse Natal deve ser marcado mesmo pelas “lembrancinhas”, com um preço variando entre R$ 3,50 e R$ 15. A aposta é de Antonio Candido Azambuja, economista e professor de administração das Faculdades Integradas Rio Branco.
Segundo o especialista, os gastos serão maiores por causa do aumento do crédito. “Ninguém teve aumento de renda. Só a Classe D que subiu para a C depois de ter um incremento nos ganhos”, afirmou Azambuja.
O professor destacou ainda que o aumento de 5% a 6% esperado para as vendas de final de ano é resultado desse parcela da população “que tem acesso a alguns produtos que nunca comprou”.
Classe B
Ele explicou que no ano passado, a Classe B se endividou muito. Foram produtos de alta tecnologia, como TV de plasma e outros eletroeletrônicos, em suma, período para um grande investimento.
“Essa parcela da população já superou essa necessidade, já teve esse prazer de adquirir um bem mais caro. Mas a novidade ficou velha e as prestações continuaram existindo. E eles não querem isso de novo este ano”, detalhou Azambuja.
As principais opções para presentes da Classe B, adicionou o especialista, são roupas mais baratas, CDs e DVDs. “Isso explica a expansão das vendas e de lojas de shoppings centers”, afirmou.
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Classe C
Enquanto a Classe B deve optar mais por peças de vestuário, a nova Classe C deve ir direto na prateleira das “bugigangas”. O lema deste final de ano deve ser: quantidade, que muitas vezes sobreporá a qualidade. “Esse grupo quer presentear a família inteira, então comprará produtos bem baratos para todo mundo: uma bola para o neto, um avental para a nora, um ventilador para o filho”, exemplificou o especialista.
Segundo ele, o grande motivo desse gasto é a mudança do perfil de Natal do brasileiro. Antes, explicou, as famílias de baixa renda procediam da seguinte forma na comemoração das festas: um cedia a casa, outras pessoas levavam a comida e apenas as crianças ganhavam presente.
Crédito e Bolsa-Família
Hoje, com mais acesso ao crédito, as pessoas querem trocar lembrancinhas. “Às vezes é a economia de uma condução quando alguém consegue carona que acaba resultando no dinheiro extra para a compra do presente. Coisas bonitinhas e baratas”, contou.
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Na opinião do professor, outro ponto que deve ainda inserir mais dinheiro no comércio durante o período que precede o Natal é a possibilidade de décimo terceiro para beneficiários do Bolsa-Família. “Tudo isso vai virar presente”, alertou.
Destino
A questão que fica, pontuou Azambuja, é o destino desses investimentos. Apesar de ampliar o comércio de shoppings, não pode ser descartada a possibilidade de que o montante extra acabe caindo nas mãos de camelôs e contrabandistas – que possuem preços mais em conta, o que é exatamente o procurado pela população de baixa renda.
“Produtos importados também devem ser o foco da população, exatamente por conta da valorização do real frente ao dólar, o que fez com que eles ficassem mais em conta”, finalizou o especialista.