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SÃO PAULO – A Espanha e a França foram a mercado leiloar títulos de dívida pública nesta quinta-feira (19), mas os resultados foram bem diferentes para cada país.
O leilão francês nesta manhã conseguiu refletir na redução dos juros dos papéis de longo prazo do país no mercado secundário. Mas, na Espanha, o evento contribuiu para que o rendimento dos títulos de dez anos voltassem a ultrapassar a margem dos 7%.
Embora a emissão de curto prazo espanhola tenha conquistado yields menores no leilão, os papéis de cinco anos registraram alta nos juros demandados pelos investidores, que ainda aguardam uma série de definições do pacote de € 100 bilhões que o país pediu à União Europeia.
O montante, contudo, será utilizado apenas para a recapitalização dos bancos do país, alertou a Comissão Europeia nesta manhã, descartando a autorização para que o resgate sirva, também, como intervenção no mercado de títulos.
“Não há ligação entre assistência para recapitalização de banco na Espanha e qualquer outro tipo de assistência financeira, que pode ser pedida em algum outro momento oportuno por Espanha ou qualquer outro”, afirmou o porta-voz Simon O’Connor.
Na Alemanha, discute-se, ainda, a possibilidade do país não participar do fundo de resgate europeu, o ESM (Mecanismo de Estabilização Europeu). A decisão, que virá da Corte, levará dois meses para ser analisada, o que tem elevado o sentimento de aversão ao risco nos mercados em dificuldades, como Espanha, Itália, Grécia e Portugal.
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| País | Rendimento (Y) | Variação | Yield-Bund (Y-B)* |
|---|---|---|---|
| Grécia | 24,94% | +1,86% | +21,99 |
| Portugal | 10,54% | -0,17% | +9,36 |
| Itália | 5,99% | -1,33% | +3,58 |
| Espanha | 7,01% | +0,80% | +2,97 |
| França | 2,07% | -1,29% | +0,81 |
| Alemanha (B) | 1,23% | +2,59% | – |
Fonte: Bloomberg
Entenda: quanto maior, pior
Os títulos públicos são uma das maneiras que os governos possuem para se financiar, enquanto a variação diária dos rendimentos decorre das negociações no mercado secundário. O juro pago pelo governo e o valor do papel são definidos no momento da emissão dos títulos, mas este último sofre variação no mercado secundário.
Assim, quanto mais arriscado um investimento, maior será o prêmio demandado pelos investidores no mercado secundário. Portanto, o valor do título recua e, consequentemente, o rendimento no mercado secundário aumenta. Tal variação positiva é uma indicação de que caso o governo opte por emitir novos papéis o custo para se financiar deverá ser maior.