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SÃO PAULO – A Espanha, que até poucos dias assombrava os mercados por ver seus papéis de dez anos ultrapassarem a marca dos 7% no mercado secundário, parece dar um certo alívio aos investidores após um leilão de papéis nesta terça-feira (17).
Em uma emissão de títulos de 12 e 18 meses, o país excedeu a meta de captar € 3,5 bilhões em € 60 milhões, aproveitando-se da queda no rendimento exigido pelos investidores. A taxa para os dois vencimentos estava em 5% em junho, mas nessa colocação caiu para 3,92% no de prazo mais curto e para 4,24% no mais longo.
“Isso mostrou que a Espanha ainda tem acesso ao mercado, o que é boa notícia”, declarou Luis de Guindos, ministro da Economia da Espanha, a jornalistas internacionais. Há cerca de um mês, o ministro do Tesouro espanhol Cristobal Montoro elevou as tensões do mercado ao alertar que as portas do mercado estavam fechadas para a Espanha.
Além disso, o fundo temporário de resgate da Europa, o EFSF (Fundo Europeu de Estabilização Financeira), também foi ao mercado nesta manhã e, pela primeira vez, colocou os papéis a um rendimento negativo, assim como a Alemanha e a França fizeram recentemente. Com demanda superior ao último leilão, o fundo captou € 1,48 bilhão em papéis de seis meses, com um yield médio negativo em 0,0113%, contra a taxa positiva de 0,1421% do mês anterior.
Enquanto isso, no mercado secundário o rendimento dos papéis cai na maioria dos mercados. Enquanto na Espanha a retração é de 0,4%, para 6,78%, na Grécia, França e Itália a queda supera a marca de 1%.
Investidores à espera de Bernanke
Além do mercado de dívida, as bolsas também estão no campo positivo. Os investidores mostram otimismo com o discurso do presidente do Federal Reserve perante o Congresso norte-americano nesta terça-feira e na próxima quarta-feira, onde é esperado que o presidente da autoridade monetária dê sinalizações de novos estímulos.
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| País | Rendimento | Variação | Spread vs. Bund* |
|---|---|---|---|
| Grécia | 24,53% | -1,64% | +23,28 |
| Portugal | 10,55% | +0,48% | +9,30 |
| Itália | 6,04% | -1,11% | +4,79 |
| Espanha | 6,78% | -0,44% | +5,53 |
| França | 2,10% | -1,86% | +0,85 |
| Alemanha | 1,25% | +1,38% | – |
* Diferença calculada em pontos percentuais. Fonte: Bloomberg
Entenda: quanto maior, pior
Os títulos públicos são uma das maneiras que os governos possuem para se financiar, enquanto a variação diária dos rendimentos decorre das negociações no mercado secundário. O juro pago pelo governo e o valor do papel são definidos no momento da emissão dos títulos, mas este último sofre variação no mercado secundário.
Assim, quanto mais arriscado um investimento, maior será o prêmio demandado pelos investidores no mercado secundário. Portanto, o valor do título recua e, consequentemente, o rendimento no mercado secundário aumenta. Tal variação positiva é uma indicação de que caso o governo opte por emitir novos papéis o custo para se financiar deverá ser maior.