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Pablo Spyer, diretor da Mirae Asset
Índice de força relativa é um indicador de “momentum” técnico, que se atreve a mostrar se um determinado ativo ou índice está sobrevendido ou sobrecomprado e, logo, tenta nos dar uma indicação se o mercado vai subir ou cair. Basicamente, é uma fórmula chata que compara as magnitudes dos ganhos e perdas recentes de um determinado ativo, usando uma média dos fechamentos positivos e fechamentos negativos daquele ativo. O IFR varia de 0 à 100 pontos. Quando um ativo ou índice está perto de 30, estima-se que esse ativo está sobrevendido, e potencialmente, estaria exageradamente desvalorizado, o que nos daria uma eventual oportunidade de ganho caso comprássemos aquele ativo. Obviamente, esses são indicadores que ajudam o especulador. Mas vale lembrar que o IFR pode ficar sobrevendido por um bom período de tempo e não traria os lucros esperados, frustrando o especulador. De qualquer maneira, geralmente esse índice tende a acertar e muitos investidores gostam de sempre analisá-lo. Por outro lado, quando está próximo de 70, julga-se que o ativo está sobrecomprado, indicando que estaria sobrevalorizado, ou seja, que ele é um forte candidato para uma realização eventual queda no valor.
Bem, dito isso, gostaria de analisar com vocês o maior índice dos Estados Unidos, o S&P. O S&P 500 está nas máximas históricas e, como pode se ver nesse gráfico desta quarta-feira, o índice de força relativa (seria o gráfico no pé da primeira imagem) está próximo de 70 (69.74). Isso nos mostra que esse ativo está sobrecomprado. Obviamente, não significa que a bolsa americana vá cair, mas indica que há pressão para derruba-la. Um dos catalisadores desta queda mais acentuada pode/deve ser a alta do juro americano pelo FED, alta que está por vir. O organismo informou que fará duas altas ainda este ano, a ver… A informação que o IFR do S&P 500 está nos passando é a de que nos últimos tempos houve muito mais força compradora do que vendedora neste mercado. Como houve mais força compradora do que vendedora, pode ser que mudem de ideia daqui a pouco para realizar seus lucros, por exemplo. O IFR nesses níveis é um indicador de venda.
Resistência é um conceito de análise técnica muito debatido entre os especuladores e até investidores de longo prazo. O oposto de resistência seria suporte. Basicamente, se refere a níveis de preços similares em um gráfico de algum índice ou ativo. São conceitos simples, mas que desenvolvem características complexas e tornam sua análise mais difícil para quem não os estudou a fundo. Basicamente, se um ativo é negociado algumas vezes próximo de algum valor, ali se torna uma resistência ou um suporte , dependendo de onde o mercado está negociado no momento.
Vamos analisar o índice S&P500 num gráfico de 2 anos para trás para entender melhor o que é resistência e ver se ela está presente agora no S&P -claro que está. É interessante notar que o S&P está nas máximas históricas (maiores preços); o S&P500 nunca esteve tão alto. Ou seja, o índice vai a estes níveis e volta, vai e volta, com muita dificuldade de ultrapassa-los. Imaginemos que você tenha 100 contratos do índice S&P e espera que o preço suba. Imaginemos que você comprou em janeiro de 2015. Você vai notar que, teimosamente, o S&P não consegue passar de 2.130 pontos, que foi a máxima histórica. Note no gráfico acima que o índice foi até lá várias vezes e não conseguiu romper essa barreira no 2.130 pontos. Neste caso, dizemos que o S&P tem uma resistência nos 2.130 pontos – que pode ser lida como o “teto da banda” que o índice navega. Hoje o índice está negociando à 2.104 pontos.
Outro indicador de que o S&P pode cair: os preços das opções estão distorcidos, indicando possível queda futura -vale lembrar que é o mercado que precifica estas opções e pode estar errado, equivocado e tomar prejuízo. É apenas um indicador do que está acontecendo. Opções são derivativos usados para proteção do ativo principal. As opções de compra (CALLS) estão baratas e as opções de venda (PUTs) estão caras. Em outras palavras, opções que apostam na alta do índice baratas mostram pouca demanda por esse derivativo. Ou seja, mostram que pouca gente está fazendo apostas na alta do índice S&P. Por outro lado, as PUTs (opções de venda que aumentam de valor se o mercado cair) estão bem caras, mostrando alta demanda por esse derivativo, o que pode ser interpretado como muita gente achando que o mercado vai cair e, por isso, estaria comprando essas PUTs para se proteger (caso tenham contratos do índice S&P) ou até mesmo para especular. Note no gráfico que o índice pulou de 1800 pontos para 2100 desde Fevereiro. Nesse período, a volatilidade implícita e a precificação das opções de outros índices e ativos caiu bem, mas as do S&P não. Índice de volatilidade implícita também é usado para calcular o preço das opções, e daí derivam as diferenças. As opções PUTs do S&P estão bem mais caras que normalmente estariam, mesmo as fora do dinheiro, indicando uma cautela adicional dos especuladores ou dos investidores.
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Por que o índice subiu tanto?
Há muitas razões para isso acontecer. Uma delas é a forte impressão de dinheiro que os Estados Unidos estão fazendo desde 2008, quando houve a crise imobiliária e bancária que dura até hoje… Uma análise mais minuciosa do S&P nos mostra um rally muito, mas muito forte. Naquele momento (2008), depois de deixar o Lehman Brothers quebrar e se arrepender, o FED baixou o juro americano para quase zero e teve que começar a imprimir dinheiro. Imprimir dinheiro é equivalente a juros negativos. Foram impressos US$5 trilhões e boa parte desse dinheirão foi alocado no mercado de ações, impulsionando essa alta fenomenal que vemos no terceiro gráfico dessa coluna. Agora, muitos anos depois, fala-se na possibilidade real de o FED aumentar o juro. Quando isso ocorrer, aquela parte que está alocada em bolsa terá que ser devolvida, e, para isso, terão que vender as ações que foram adquiridas pelos bancos que receberam esses recursos do governo americano. Ao vender, haverá, claro, pressão vendedora, que provavelmente derrubará o índice S&P ou, pelo menos, trabalhará para isso. Muitos dizem que essa pressão pode ser do tamanho da pressão que levou o índice de 676 pontos a 2100 hoje. Sim, 676 pontos foi a mínima na crise. Parece inimaginável que na crise (que dura até hoje) esse índice chegou aos 676 pontos . É menos de 1/3 do preço de agora. Porém, o que ocorreu no passado, não necessariamente vai se repetir. Então pode ser que o governo americano tome alguma providencia inovadora, diferente, para proteger o mercado acionário. TOMARA!
Um gatilho que poderia disparar uma queda no S&P500 é uma baixa ainda maior no preço do petróleo. Lembrem-se de que as reuniões de DOHA não conseguiram levar ao congelamento da produção dos países grandes produtores. Logo, o preço pode cair. E faz um ano e meio que a correlação do petróleo está alta, como pode-se ver no quarto gráfico. Particularmente, nesse anos a correlação do S&P500 e o petróleo está mais alta ainda, como se nota nesse penúltimo gráfico. Caso o petróleo venha a cair, o S&P500 deve cair… Porém, o Kwait entrou em greve no fim da semana passada e ajudou a impulsionar o preço do petróleo para cima.
Porém, nesta segunda feira, 25 de abril, a Arábia Saudita avisou que vai lançar um plano para distanciar a economia da dependência do Petróleo. Isso já fez com que o petróleo realizasse e caisse um pouco e, consequentemente, isso estava derrubando as bolsas Européias essa manhã. Como a correlação do petróleo e do S&P500 está alta, a Bolsa americana estava caindo também.
Outra notícia que esteve nos jornais nesse feriado de Tiradentes foi a avaliação de George Soros sobre a dívida total da China, que cresceu numa velocidade muito alta. Essa é uma preocupação adicional que não estava em nossos radares até semana passada. Em 2007, a divida PIB era de 148%, hoje a dívida é de 237% do PIB, o que na opnião dele, traz riscos para uma crise financeira muito forte por lá. Na availiação do megainvestidor, a economia Chinesa está sendo impulsionada pelo financiamento “exagerado” e pode trazer problemas sérios, equivalentes aos da crise americana de 2007-2008. A dívida líquida total chinesa é de US$ 25 trilhões, incluindo crédito interno e externo. Como esses níveis de endividamento são superiores aos de outras economias emergentes (em termos de % da renda nacional), o megainvestidor entende que essa situação é bastante perigosa e pode ser uma questão de tempo para que os bancos não consigam financiar todos os ativos com segurança, o que poderia ser o gatilho para uma desceleração mais acentuada e demorada.