LCA: real só deve depreciar-se ante o dólar com mudança de postura do Fed

Segundo os consultores, ao mesmo tempo em que o Governo atua contra a valorização do real, fundamentos impulsionam a moeda

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SÃO PAULO – Os consultores da LCA afirmam que os fundamentos que motivam a apreciação do real e a continuidade da intenção do Governo de impedir uma valorização excessiva da moeda devem fazer com que a tendência errática e relativamente estática do mercado de câmbio permaneça ao longo dos próximos meses, sendo alterada apenas por uma mudança de postura do Federal Reserve.

Segundo os consultores, essa “mudança de retórica” da autoridade monetária norte-americana, esperada para o segundo semestre deste ano, deverá fazer com que o dólar ganhe valor ante a “maior parte das moedas, e o real não será exceção”.

Medidas do Governo
A equipe da LCA avalia que as medidas tomadas pelo Governo com o objetivo de impedir a valorização do real “tiveram, se muito, sucesso parcial”. Entretanto, os consultores afirmam que, “não fosse a postura adotada, a taxa cambial já seria consideravelmente menor”.

Destacando a última medida administrativa promovida, a exigência de compulsório dos bancos em posições vendidas de câmbio, os consultores lembram que o fluxo cambial mostrou o maior volume de entrada de recursos em janeiro desde junho de 2007, fato que teria sido aproveitado pelas instituições financeiras no sentido de reduzir as suas posições vendidas à vista. Desta forma, ao final de janeiro, a exposição dos bancos teria recuado em mais de US$ 6 bilhões.

Outro efeito deste compulsório teria ocorrido no mercado futuro. Os consultores lembram que “a demanda por hedge dos bancos servia como contraparte para os investidores estrangeiros que se posicionavam fortemente contra o dólar”.

Menor liquidez, menor volatilidade
Ao reduzir o número de “possibilidades especulativas”, as medidas do Governo estariam afetando a liquidez do mercado de câmbio. Por sua vez, essa menor liquidez “parece ter sido decisiva” na queda da volatilidade da taxa de câmbio. “A volatilidade passou a acompanhar a tendência da liquidez a partir da metade do ano passado”, afirmam os consultores.

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Ao mesmo tempo em que há o Governo atuando contra a apreciação do real, existem também fundamentos econômicos impulsionando a valorização da moeda brasileira. Nesse contexto, os consultores acreditam que “a taxa de câmbio continuará flutuando na faixa na qual se encontra desde o final do ano passado”. Por sua vez, os investidores continuariam apostando nos fundamentos.

Um fator que pode trazer alguma mudança para esse cenário, além de algum evento altamente improvável, é o saldo de dólares dos exportadores no exterior, de cerca de US$ 20 bilhões. Na visão dos consultores da LCA, quando esses recursos forem internalizados, constituirão “uma fonte potencial de fluxo a favor do real”.