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SÃO PAULO – O cenário econômico de pressão inflacionária na economia brasileira pode fazer com que o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) neste ano fique abaixo de 4%, segundo os consultores da LCA.
O argumento é de que a alta nos preços dos alimentos estaria impulsionando a inflação e levando as autoridades “a reverter mais rapidamente as suas políticas de estímulo adotadas durante a crise financeira global”.
Nesse contexto, vale lembrar que o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou nesta manhã o resultado de janeiro do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), período no qual foi apurada uma inflação de 0,83%, acima da alta de 0,78% esperada. Além disso, segundo o último relatório Focus, do Banco Central, a expectativa do mercado é de que o PIB cresça 4,60% em 2011.
Revisão da projeção
Segundo a LCA, sua atual projeção para o crescimento da economia brasileira neste ano é de 4,3%. Porém, a possibilidade de que esse valor seja revisto para baixo é sustentada pela pressão que o preço dos alimentos vem exercendo no orçamento das famílias e pelas medidas de contenção do consumo que o Governo vem promovendo para combater a inflação.
Para os consultores, “a alta dos preços dos alimentos alcançou intensidade maior do que antecipávamos”. Eles afirmam que além de desestimular o consumo por causa do peso que tem no orçamento das famílias, o aumento nos preços dos alimentos “intensificou pressões inflacionárias”, fato que estaria estimulando a retirada de políticas de estímulo adotadas no contexto da crise financeira num ritmo mais intenso. Isso não acontece somente no Brasil, mas também em outras economias emergentes.
Por sua vez, a promoção de medidas macroprudenciais tem causado relevante impacto na oferta de crédito, na visão dos consultores, e, consequentemente, estariam funcionando como fator de contenção da demanda agregada. “A tendência de encarecimento do crédito deve ter prosseguimento nos próximos meses”, segundo a LCA, que ainda projeta mais duas elevações da taxa Selic (taxa básica de juros) em 0,50 ponto percentual, o que a levaria para 12,25% ao ano.
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Política fiscal
Ainda no front do Governo, outra expectativa dos consultores é por uma política fiscal mais restritiva neste ano. “Continuamos a esperar uma execução fiscal mais austera em 2011, que envolva um contingenciamento orçamentário mais expressivo dos que nos anos anteriores, uma desaceleração importante do crescimento do gasto primário real do Governo e um reajuste real quase nulo do salário mínimo”, afirma a LCA.
PIB menor, cenário melhor… em 2012
Desta forma, os consultores já citam a possibilidade de que o crescimento da economia sequer alcance 4% neste ano, dependendo da política fiscal definida pelo Governo e o impacto das medidas macroprudenciais. Entretanto, na visão da LCA, um nível menor de atividade “tende a contribuir para que a economia doméstica cresça em ritmo mais próximo de seu potencial, sem que chegue a provocar descompassos persistentes entre oferta e demanda”.
Outro efeito dessa desaceleração do PIB seria que, aliada à expectativa de que os preços das commodities percam força, a inflação já no final de 2011 e ao longo do próximo ano ficaria num nível “bem menos preocupante” que o atual, o que poderia abrir espaço para uma redução dos juros básicos.