Eles também sofrem

Lava Jato chega aos bancos: setor tem exposição de R$ 86 bi com empresas de óleo e gás

Expostos ao setor de Óleo e Gás por conta das possibilidades que ele apresentava antes da crise, bancos como BB, BTG, BNDES e Itaú agora sofrem perdas com a Operação Lava Jato

SÃO PAULO – Na metade da década passada, com a descoberta do pré-sal, investir no setor de petróleo parecia uma das melhores ideias. Uma OGX e uma Operação Lava Jato e uma crise do petróleo depois, ficar exposto ao segmento se tornou o contrário disso. No entanto, a maior parte dos grandes bancos brasileiros têm uma forte participação no setor. 

Segundo relatório do Bank of America Merrill Lynch, as instituições financeiras mais expostas ao setor de Óleo e Gás no País atualmente são o Banco do Brasil (BBAS3), o BNDES, o BTG Pactual (BBTG11) e o Itaú Unibanco (ITUB4). O crédito somado destes quatro bancos para empresas que lidam com combustíveis chega a R$ 86 bilhões, tendo por base as demonstrações financeiras do terceiro trimestre de 2014. 

Dentre eles, o BB é o banco mais exposto de acordo com o BofA, com 9,5% dos empréstimos, seguido pelo BTG Pactual (6%), Itaú Unibanco (4,8%), BNDES (4,6%), Bradesco (3,1%), Caixa (2,7%) e Banco Votorantim (1,7%) . O BofA lembra que o BNDES “é o único banco que tem restrições para conceder empréstimos para Eletrobras e Petrobras, desconsiderando o limite de 45% de concentração imposto pelo Banco Central de capital regulatório para companhias que têm o Estado como dono”. 

O texto ainda faz uma comparação separada por países da América Latina e revela que o banco está mais “confortável” com o setor financeiro do México ou do Chile do que do Brasil, devido aos riscos contidos na exposição ao setor de Óleo e Gás no País. 

No documento, os analistas Alessandro Arlant e Anne Milne avaliam ser difícil mensurar a exata exposição de cada banco ao setor de petróleo e gás uma vez que nem todas as instituições abrem informações por setores, citando como exemplo o ABC Brasil e o Santander.