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SÃO PAULO – Enquanto os países se recuperam ou já se recuperaram da crise financeira de 2008, é crescente a preocupação com a atual crise fiscal na Europa, que pode derrubar novamente as economias ao redor do globo. Para o banco espanhol La Caixa, uma série de eventos sócio-econômicos vai determinar nos próximos anos como será a economia mundial no futuro, cujo crescimento será liderado pelos países emergentes.
No relatório mensal de junho, divulgado nesta quarta-feira (16), a equipe do La Caixa destacou que três pontos-chave serão responsáveis para atingir tal desenvolvimento: o aumento e o envelhecimento de uma crescente população urbanizada, o salto das economias emergentes e a maior pressão sobre os recursos naturais e o meio-ambiente.
De acordo com a análise da instituição espanhola, a ONU (Organização das Nações Unidas) prevê que a população global estará em torno dos nove bilhões de pessoas até 2050. Este crescimento, segundo o La Caixa, será acompanhado por uma maior urbanização e envelhecimento das pessoas, contudo, ao contrário do que se esperava, os países emergentes “serão os principais responsáveis” por este processo, sendo que as economias desenvolvidas terão uma reversão em sua pirâmide populacional: “em 2030, a idade média vai atingir 44 anos, sendo que mais de 20% da população terá idade superior a 65 anos”.
A equipe do banco ressaltou que este processo vai contribuir para mais uma grande transformação na economia global: o salto dos emergentes. “Custos menores de produção e uma série de políticas favoráveis fizeram com que o foco do setor manufatureiro e, recentemente, de outros serviços mudasse para o leste europeu, leste asiático e a América Latina”, disse o banco.
O La Caixa completa dizendo que a maioria das estimativas aponta que o PIB (Produto Interno Bruto) dos chamados BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China) vai representar cerca de 50% do total da economia global por volta de 2030, igualando-se à proporção dos países do G7 por volta da metade deste século. “Se a tendência atual persistir, a China pode se tornar a segunda maior economia do mundo em 2025”, acrescentou o banco.
Impactos do crescimento
Apesar de positivo em diversas dimensões, o crescimento dos emergentes, segundo o banco espanhol, também trará impactos negativos. O principal ponto destacado foi a maior pressão sobre o meio-ambiente e recursos estratégicos como água, comida e energia. O La Caixa acredita que, com mais pessoas no mundo, investimentos em recursos energéticos renováveis e menos poluentes devem ser encorajados.
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Oportunidades
O novo cenário da economia global, porém, trará novas oportunidades. “O desenvolvimento dos países emergentes, com maior crescimento econômico e demográfico, uma população relativamente mais jovem e uma crescente classe média, deverão prover novas oportunidades de negócios em setores ligados aos trabalhadores e às crianças (como roupas, educação, transporte) e em setores responsáveis por atender a maior demanda de infraestrutura (como construção e financeiro)”, revelou o banco espanhol.
“Nossas economias já iniciaram sua jornada para o futuro. Apesar de não ser na velocidade da luz, as marés de mudanças estão avançando vagarosamente, certificando-se de que para estarmos entre os primeiros a chegar na próxima estação será necessário um esforço coletivo”, concluiu o La Caixa.