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SÃO PAULO – O Ibovespa deu uma leve amenizada durante a tarde mas fechou em quedas pelo terceiro pregão seguido nesta quinta-feira (13), pressionado por ações da Petrobras e dos bancos, penalizados por expectativas de aumento de tributos e fim do benefício fiscal dos juros sobre capital próprio. Além disso, o Banco do Brasil, que registrou a maior queda entre as instituições hoje, divulgou balanço do segundo trimestre, que não foi bem recebido pelo mercado.
Na ponta negativa do índice destaque para a CSN, que também divulgou balanço e desabou 7% hoje, renovando sua mínima histórica. As demais siderúrgicas recuam nesta sessão, embora com queda mais amena. Do outro lado, a Kroton disparou pelo segundo dia após resultado, enquanto Rumo apareceu na sequência também sendo beneficiada por bons números no segundo trimestre.
Confira abaixo os principais destaques de ações da Bovespa nesta sessão:
Banco do Brasil (BBAS3, R$ 19,45, -4,38%)
O Banco do Brasil caiu forte após balanço mal recebido pelo mercado e ainda refletindo expectativa por aumento da CSLL (Contribuição Social do Lucro Líquido) e fim do benefício fiscal dos juros sobre capital próprio, que puxou ontem os papéis do setor para baixo. Hoje, essas ações fecharam em queda na Bolsa: Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 26,70, -2,50%), Bradesco (BBDC3, R$ 25,59, -1,39%; BBDC4, R$ 24,38, -1,49%) e Santander (SANB11, R$ 14,80, -2,63%).
Sobre o balanço do BB, o Credit Suisse destacou que os números foram ruins, com ROE (Retorno sobre Patrimônio Líquido) e lucro abaixo do estimado pelo banco, enquanto a inadimplência, apesar de praticamente estável, foi impactada pela renegociação.
O Banco do Brasil anunciou nesta quinta-feira que teve lucro líquido de R$ 3,008 bilhões no segundo trimestre, alta de 6,3% ante igual período de 2014. Em bases recorrentes, o lucro do maior banco do país em ativos somou R$ 3,04 bilhões, alta de 1,3% sobre um ano antes. No fim de junho, a carteira de crédito ampliada do BB somava R$ 776,799 bilhões, avanço de 8% sobre um ano antes, mas estável sobre março. O índice de inadimplência acima de 90 dias fechou o trimestre a 2,04%, pouco acima do 1,99% de igual etapa de 2014. A despesa com provisão para perdas com calotes foi de R$ 5,53 bilhões de abril a junho, avanço de 21% no comparativo anual, mas recuo de 7,8% na sequencial.
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CSN (CSNA3, R$ 3,60, -9,55%)
A CSN afundou após balanço e renovou sua mínima histórica na Bolsa, movimento seguido pelas demais siderúrgicas Usiminas (USIM5, R$ 3,56, -2,73%), Gerdau (GGBR4, R$ 5,69, -1,90%) e Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 3,41, -3,94%).
A CSN reportou prejuízo atribuído a sócios controladores de R$ 614,3 milhões no segundo trimestre, contra lucro líquido de R$ 19 milhões no mesmo período de 2014. A receita líquida ficou em R$ 3,69 bilhões no período, menor 9% do que o registrado um ano antes, de R$ 4,05 bilhões. A média das estimativas compiladas pela Bloomberg apontava receita de R$ 3,98 bilhões. O Ebitda (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) alcançou R$ 801 milhões no período, representando uma queda de 39% na comparação com o mesmo trimestre do ano passado.
Segundo a XP Investimentos, o resultado veio abaixo do esperado, com fraco desempenho na parte de siderurgia e queda de margem. O endividamento segue em níveis extremamente altos e aumentando trimestre a trimestre, comentaram os analistas, que ainda ressaltaram que a empresa tem pela frente um cenário macroeconômico extremamente desafiador.
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Petrobras (PETR3, R$ 10,58, -4,08%; PETR4, R$ 9,51, -3,74%)
As ações da Petrobras caíram forte seguindo os preços do petróleo no mercado internacional. O petróleo Brent, negociado em Londres e usado como referência pela estatal, recuava 1,43%, a US$ 48,97 o barril.
Vale (VALE3, R$ 18,48, -2,33%; VALE5, R$ 14,62, -1,88%)
As ações da Vale viraram para queda durante a tarde, “ignorando” o cenário externo, pressionadas pelo mercado interno. Nesta sessão, os preços do minério de ferro subiram mais de 1%, depois de uma explosão no porto de Tianjin, na China, que deixou mais de 40 mortos. Acompanharam o movimento, as ações da Bradespar (BRAP4, R$ 9,59, -1,74%), holding que detém forte participação na mineradora.
As movimentações no porto de Tianjin representam 8% de todo o minério importado pela China e estão temporariamente interrompidas. Segundo o Credit Suisse, o evento deve trazer um aumento dos preços do minério de ferro no curto prazo, mas que deve ser limitada pela parada programada para as próximas semanas das siderúrgicas da região em função do início do feriado no início de setembro.
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Educacionais
As ações da Kroton (KROT3, R$ 9,81, +8,80%) ficaram como a maior alta do Ibovespa nesta sessão, dando continuidade ao movimento da véspera, quando dispararam após resultado do segundo trimestre. Nesses dois dias, os papéis subiram 13%. A companhia registrou crescimento de 94,7% na receita líquida no segundo trimestre, para R$ 1,4 bilhão, enquanto o lucro líquido ajustado avançou 79,6%, para R$ 513,7 milhões. Analistas do BTG Pactual ressaltaram que o resultado veio forte, acima do esperado pelo mercado, com crescimento de 4,4% na base presencial de alunos, levando a forte avanço da receita.
Acompanharam a movimentação da Kroton as demais educacionais listadas na Bolsa: Estácio (ESTC3, R$ 13,33, +5,59%), Anima (ANIM3, R$ 16,00, +3,23%) e Ser Educacional (SEER3, R$ 11,46, +3,34%).
Qualicorp (QUAL3, R$ 20,00, +6,61%)
O Credit Suisse elevou a recomendação do papel para outperform (desempenho acima da média), com preço-alvo tendo sido mantido em R$ 27,00. O banco estava com único neutro (desde os R$ 30,00), mas no atual múltiplo a percepção dos analistas passa a ser bem mais construtiva com o case. Com isso, a cautela com o impacto macroeconômico mais fraco na indústria de saúde foi ofuscada por uma percepção de que a companhia está bem posicionada dentro da cadeia e que pode se beneficiar depois de uma queda acentuada, com o papel negociando agora a um múltiplo de 12 vezes, contra 18 vezes há uns meses.
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“Estamos falando de uma empresa com um yield de 7% (4% de dividendos e 3% de recompra de ações) e que vale lembrar que mesmo depois do anúncio de redução de capital (8% do valor de mercado), a queda do papel foi significativa”, comentaram os analistas.
Cosan (CSAN3, R$ 20,20, -1,46%)
A Cosan viu seu lucro trimestral cair 52,5% na comparação com o período de abril a junho de 2014, de R$ 104,1 milhões para R$ 49,4 milhões. Em relação ao trimestre, reverteu o prejuízo de R$ 43,7 milhões. Na receita líquida, teve aumento de 7,4% ao sair de R$ 9,4 bilhões para R$ 10,1 milhões. Já o Ebitda da companhia cresceu 5,6% do trimestre de 2014 para este trimestre, R$ 827,4 milhões para R$ 873,9 milhões.
Segundo o Santander, os resultados foram “pouco inspiradores”, em linha com o esperado. Para os analistas, o principal catalisador para a ação continua sendo a habilidade da empresa de entregar resultados operacionais consistentemente sólidos e atingir seu guidance operacional de 2015. Já o Bradesco comentou que os resultados foram fracos “como esperado”, parcialmente compensados pela Comgás, Raízen Combustíveis e Lubs, enquanto a Raízen Energia foi o destaque negativo.
Em teleconferência, o presidente da Cosan, Nelson Gomes Neto, a companhia vê a produção de açúcar entre meio e o topo do guidance, enquanto o negócio de combustíveis deve situar-se entre o fundo e o meio da meta. A empresa vê os preços do etanol se recuperando até o fim da safra.
Suzano (SUZB5, R$ 17,00, +3,41%)
A Suzano registrou lucro líquido de R$ 455,6 milhões, frente a R$ 97,2 milhões no mesmo período do ano passado, representando uma alta de 368%. O Ebitda Ajustado também foi recorde no segundo trimestre, chegando a R$ 959 milhões, uma alta de 84% em relação ao mesmo período do ano passado. Nos primeiros seis meses do ano, o Ebitda Ajustado é de R$ 1,9 bilhão, 87% superior ao primeiro semestre de 2014. A alavancagem (relação entre a Dívida Líquida/Ebitda Ajustado) caiu pelo terceiro trimestre consecutivo, chegando a 3,3 vezes – em março era de 3,9 vezes.
Segundo o Credit Suisse, a empresa entregou forte crescimento da receita líquida, com forte volume de celulose, mas a margem Ebitda (Ebitda/Receita Líquida) de 40% foi fraca devido aos altos custos de produção. Os analistas comentaram ainda que o lado bom, além do maior volume de celulose, foi o maior preço e redução da alavancagem devido a geração de caixa maior. Eles acreditam que o papel deve subir no curto prazo, se beneficiando do alto preço da celulose em dólar e a depreciação do real.
Rumo (RUMO3, R$ 8,81, +3,65%)
As ações da Rumo ALL dispararam após a companhia mostrar lucro líquido de R$ 33,2 milhões no segundo trimestre, queda de 36,4% na comparação anual. O Ebitda (sigla em inglês para lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) subiu 8,8% na mesma base e fechou junho em R$ 586,9 milhões.
Segundo o Credit Suisse, os resultados foram bons, ressaltando que a empresa não teria queimado caixa, caso os investimentos de expansão não tivessem sido feitos. Os analistas comentaram ainda que a revisão do guidance foi neutra, já que o melhor Ebitda foi compensado pelo aumento de capex (investimentos em bens de capital).
Oi (OIBR4, R$ 3,63, 0,00%)
A operadora de telecomunicações Oi teve lucro líquido de R$ 671 milhões no segundo trimestre, recuperando-se de um prejuízo de R$ 217 milhões no segundo trimestre do ano passado. O Ebitda (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) foi de R$ 1,899 bilhão, alta de 5,4% na mesma base de comparação.
Para o Credit Suisse, os números vieram abaixo do esperado, com Ebitda no Brasil alcançando R$ 1,816 bilhão, alta de 11% na comparação anual, mas abaixo 4% do projetado, mostrando uma compressão de margem no trimestre apesar dos esforços em redução de custos. Segundos os analistas, a receita veio fraca, com destaque negativo para piora em serviços móveis (que caiu 3,6% no trimestre quando comparado com 2014). Eles comentaram que o resultado é negativo pois a tendência de piora da margem pode gerar dúvidas quanto ao potencial das medidas de corte de custos que estão sendo implementadas pela diretoria e diminui sensivelmente as chances da empresa entregar resultados acima do guidance no ano, o que parecia possível no primeiro trimestre e que seria necessário para começar a reduzir a dívida líquida da empresa.