Destaques da Bolsa

Kroton afunda 5% com tensão sobre Fies e Fibria dispara 7%; Vale salta 10% na semana

Confira os principais destaques de ações da Bovespa nesta sessão

SÃO PAULO – O Ibovespa acelerou perdas nesta tarde puxado pelos preços do petróleo, afetados por notícia de que a Arábia Saudita não espera chegar a um acordo para corte de produção de petróleo em reunião aguardada para semana que vem. As perdas de hoje, no entanto, não anularam a primeira semana positiva do benchmark (+2,78%), após duas quedas seguidas, ajudado pelo desempenho das ações da Vale, que encerram o período com ganhos de 10%. Os papéis de peso dos bancos também marcaram alta na semana, com o Bradesco liderando o movimento no setor, com alta de 5,6%. 

Do outro lado, as ações da Fibria figuraram como a maior perda do índice (-5,37%), pressionadas pelo movimento do dólar frente ao real. Do setor de papel e celulose, Suzano também caiu forte no período, 4,5%. O movimento semanal, no entanto, foi amenizado pelo pregão desta sexta-feira, quando essas ações saltaram 7%, com 3 boas notícias no radar: aumentos de preços da celulose na China, alta diária do dólar e revisões de recomendações. 

Nesta sessão, destaque também para as ações da Petrobras, que afundaram até 5% com a notícia sobre a Arábia Saudita, que fez derreter os preços do petróleo no mercado internacional. 

Confira abaixo os principais destaques de ações da Bovespa nesta sessão:

Petrobras (PETR3, R$ 14,97, -3,67%; PETR4, R$ 13,69, -2,21%)
Queda acentuada do petróleo levou as ações da Petrobras para forte desvalorização nesta sessão. O movimento ocorreu após declaração de fonte da Opep (Organização de Países Exportadores de Petróleo) de que a Arábia Saudita não espera qualquer decisão para estabilizar os preços da commodity em reunião que será realizada em Argel na próxima semana. O contrato de petróleo Brent fechou em queda de 3,5%, a US$ 45,98 o barril, enquanto o WTI recuou 3,8%, a US$ 44,56 o barril. 

No radar, o Conselho da Petrobras aprovou, em reunião realizada nesta quinta-feira, a venda de 90% das ações da Nova Transportadora do Sudeste para a Brookfield Infrastructure Partners e afiliadas, através de um Fundo de Investimento em Participações (FIP), que tem outros cotistas, segundo comunicado da estatal. O valor da operação é de US$ 5,2 bilhões.

A primeira parcela, correspondente a 84% do valor total (US$ 4,34 bilhões), será paga no fechamento da operação e o restante (US$ 850 milhões), em 5 anos, disse a Petrobras. Entre os cotistas do FIP estão British Columbia Investment Management Corporation, CIC Capital Corporation, subsidiária integral da China Investment Corporation, e GIC Private

O “investimento da Brookfield Infrastructure será um mínimo de aproximadamente 20% da transação, representando aproximadamente US$ 825 milhões do valor a ser pago no fechamento”, segundo comunicado da Brookfield distribuído mais cedo. O “restante virá dos parceiros institucionais”

A Petrobras, como detentora de 10% da NTS, terá os direitos habituais de governança proporcionais ao tamanho de sua participação’. Em 8 de setembro, a Petrobras disse que “concluiu as negociações com o consórcio liderado pela empresa Brookfield para a venda” das NTS.

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Papel e Celulose
As ações do setor de papel e celulose dispararam, com três boas notícias no radar: alta do dólar, revisão de recomendação e notícias sobre aumento de preços de celulose na China. As Fibria (FIBR3, R$ 22,43, +7,32%) e Suzano (SUZB5, R$ 10,02, +5,47%) lideraram os ganhos do Ibovespa, enquanto Klabin (KLBN11) descolou do setor e registrou alta de apenas 0,6%, a R$ 16,90. 

Um relatório do Bank of America Merrill Lynch destaque que a Risi (serviço especializado do setor de papel e celulose) informou nesta manhã que alguns produtores estão puxando uma alta dos preço da commodity em US$ 10 a tonelada na China. O artigo menciona que a APRIL e Arauco estão liderando o movimento e que outras duas brasileiras expressaram intensão de seguir a revisão. O BofA manteve preferência pelas ações da Klabin e Suzano, mas ressaltou que a Fibria é a mais exposta a celulose nesse universo e pode ultrapassar o desempenho das demais no curto prazo, se os preços forem elevados. 

Hoje, o Itaú BBA elevou a recomendação para as ações da Suzano e Fibria de market perform para outperform. O preço-alvo para as ações SUZB5 é de R$ 14,00.  

Para o analista Marcos  Assumpção, que assina o relatório do banco, não parece que os preços da celulose vão cair mais ou o real ficará muito mais forte, enquanto os preços das ações estão se tornando atrativos. 

Educacionais
As ações do setor de educação caíram forte na Bolsa, com Kroton (KROT3, R$ 14,86, -4,87%) e Estácio (ESTC3, R$ 18,25, -4,20%) figurando entre as maiores perdas do Ibovespa. Fora do índice, Anima (ANIM3, R$ 13,49, -4,53%) mostrava queda acentuada, enquanto Ser Educacional (SEER3, R$ 18,28, +0,16%) fechou em leve alta. 

Os papéis são penalizados por notícia do Valor Econômico que aponta que o Ministério da Educação já deve R$ 5 bilhões em repasses de Fies (Fundo de Financiamento Estudantil) às instituições de ensino superior. O valor refere-se às parcelas de julho, agosto e setembro que ainda não foram pagas porque as renovações dos contratos deste segundo semestre ainda não foram abertas. A renovação depende da votação dos projetos de lei de crédito orçamentário no Congresso. A votação deveria ter ocorrido esta semana, mas foi cancelada por falta de quórum, sendo remarcada para o dia 4 de outubro, prologando a tensão no setor de educação. O adiamento por pelo menos mais uma semana na liberação dos recursos para o Fies preocupa instituições de ensino que estão sem receber desde agosto os montantes devidos pelo governo referentes a mais de dois milhões de estudantes do programa.

“O mercado está entendo que esses atrasos podem refletir nas finanças das companhias e os papéis sofrem hoje”, disse Adeodato Volpi Netto, head de mercados de capitais da Eleven Financial. Mas, para ele, o tombo de hoje é exagerado, dado que o mercado ainda não fez a conta para saber qual será o real impacto disso. “É importante saber quanto desse valor já estava provisionado nos balanços das empresas. O mercado pode estar tentando fazer preço hoje a algo que nem parou para averiguar”, comentou. “A Anima, por exemplo, que acompanhamos mais de perto, teve uma postura bem conservadora em relação ao provisionamento em seu último balanço. O que me parece é que Estácio e Ser podem vir a sofrer mais com isso”, disse.

Sanepar (SAPR4, R$ 8,61, +6,17%)
As ações da Sanepar dispararam pelo sexto pregão seguido, acumulando no período ganhos de 26%, em meio a especulações sobre venda de ações pelo governo do estado do Paraná, que detém 74% das ações ordinárias e 29% das preferenciais. Mas não somente isso tem chamado a atenção do mercado.
Há uma “rara combinação” de potencial de valorização da ação com pagamentos consistentes de dividendos, disse Adeodato Volpi Neto, head de mercados de capitais da Eleven Financial, que incluiu nesta semana o papel na sua carteira recomendada, com “strong buy” (forte compra), vendo potencial de alta até os R$ 13,67, ou ganhos de 68% frente ao patamar de fechamento da última quinta-feira (para entender por que ele vê ainda uma “janela de oportunidade” na ação, clique aqui). 

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Marcopolo (POMO4, R$ 3,25, +1,88%) 
A Marcopolo disparou nesta sessão, após alienar as ações New Flyer por 181,8 milhões dólares canadenses. A controlada Marcopolo Canada Holdings alienou 4,5 mi ações da New Flyer Industries (NFI), equivalente a 7,4% do capital social, em um processo de bought block trade liderado pela CIBC Capital Markets, disse a Marcopolo em comunicado ao mercado. A Marcopolo Canada continua sendo a maior acionista da NFI, com aproximadamente 10,8% das ações. 

“Vemos o fato de a Marcopolo estar reforçando sua estrutura de capital como positivo, especialmente porque a alavancagem financeira poderia se tornar um problema após a consolidação da Neobus”, ressalta o Itaú BBA. Já o Santander destacou que, apesar da notícia positiva, continua venda a ação negociando a um elevado valuation, com o LPA (Lucro Por Ação) estimado para 2017 em 18 vezes (ou 47% acima da média histórica), sem nenhum potencial para valorização do ativo. 

Vale e siderúrgicas
As ações da Vale (VALE3, R$ 17,65, +0,57%; VALE5, R$ 15,33, +0,59%) e Bradespar (BRAP4, R$ 9,94, +0,10%) – holding que detém participação na Vale – viraram para alta, descolando do movimento do minério de ferro, que fechou em queda de 0,8% no Porto de Qingdao, na China, a US$ 56,79 a tonelada. Enquanto isso, os papéis das siderúrgicas fecharam entre perdas e ganhos, com Gerdau (GGBR4, R$ 8,69, -0,11%), Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 3,63, +0,55%), CSN (CSNA3, R$ 8,71, -2,13%) e Usiminas (USIM5, R$ 3,57, -1,11%).

No radar, a Fortescue e a Vale seguem comprometidas com parceria, disse New Power, presidente da Fortescue, em entrevista à Bloomberg. As negociações para o plano de mesclar os minérios “tecnicamente e comercialmente” é complexa e tem levado “bastante tempo”, disse ele. A companhia está esperançosa de que os dois lados vão avançar com os planos; encorajada pelo volume de questionamentos de clientes que procuram produto mesclado. A Vale disse na semana passada que parceria com Fortescue não será concluída este ano.

Além disso, em esclarecimento à notícia do jornal O Globo de que a mineradora brasileira venderia fatia da área de fertilizantes para a Mosaic por US$ 3 bilhões, a Vale informou que continua trabalhando no sentido de formar parceria estratégica na área, mas que não há deliberação do Conselho de Administração sobre o assunto.

Por fim, a mineradora BHP Billiton, sócia da Vale na Samarco, reduziu em 50% o pacote de benefícios de seu principal executivo, Andrew Mackenzie, na esteira do desastre causado pelo rompimento da barragem da companhia em Mariana (MG), que resultou na morte de 19 pessoas e em passivos ambientais para os rios, a fauna e a flora da região.

A australiana BHP reduziu a remuneração total a Mackenzie para US$ 2,24 milhões em 2016, queda de 50% na comparação com os US$ 4,5 milhões do ano passado. O executivo também não recebeu bônus de curto prazo neste ano fiscal. A empresa informou que a redução dos valores se deve a um “resultado muito desafiador”.

Smiles (SMLE3, R$ 53,20, +0,38%)
As ações da Smiles tiveram leve alta com elevação de recomendação pelo BB Investimentos de market perform (desempenho em linha com a média) para outperform (desempenho acima da média), enquanto o preço-alvo foi rolado de R$ 44,00 para o fim deste ano para R$ 66,00 para o fim de 2017. Os analistas, por sua vez, decidiram manter a recomendação de Multiplus (MPLU3, R$ 44,65, -2,93%) em market perform, mas elevaram o preço-alvo de R$ 38,50 para R$ 50,00. 

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Aliansce (ALSC3, R$ 15,84, +0,06%) 
A Aliansce tem aval Cade para compra de fatia no Shopping Leblon. O Conselho de Administração aprovou sem restrições a aquisição de 25,1% do Shopping Leblon pela Aliansce Shopping Centers, segundo despacho publicado no Diário Oficial. O negócio será feito mediante transferência da fatia à sua subsidiária Vivaldi Empreendimentos e Participações

A fatia representa totalidade de ações detidas pela Altar Empreendimentos e Participações mais a fração ideal. No dia 13, AGE aprovou compra de 25,1% do Shopping Leblon.

Brasil Pharma e Profarma
Segundo o Valor Econômico, a Brasil Pharma (BPHA3, R$ 10,96, +4,88%), varejista do setor de farmácias controlada pelo banco BTG Pactual (BBTG11), está prestes a fechar a venda da Drogaria Rosário, rede de farmácia do Centro-Oeste, por cerca de R$ 200 milhões para a Profarma (PFRM3, R$ 9,69, 0,0%), segundo informações do Valor Econômico.