Temporada de resultados

Klabin: volumes de papel e preços de celulose se destacam no 2º tri; analistas esperam cenário mais estável para o setor

Para o Itaú BBA, queda nos preços da celulose na China atenuou e restrições de oferta e logística podem ter papel fundamental para suavizar baixa nos preços

SÃO PAULO – Com resultados bons e em linha com o esperado, a Klabin (KLBN11) reportou lucro líquido de R$ 719 milhões no segundo trimestre de 2021, ante prejuízo de R$ 383 milhões um ano antes.

A receita líquida aumentou 38% na comparação anual, para R$ 4,1 bilhões, com crescimento em todas as linhas de negócio, e 27% desconsiderando a receita proveniente das unidades adquiridas da International Paper (IP).

Já o lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) foi de R$ 1,8 bilhão, alta de 35% na base anual.

Segundo a XP, os principais destaques positivos para a Klabin entre abril e junho recaíram sobre os volumes de papel mais fortes e melhores preços realizados no segmento de celulose, que compensaram a alta no custo de caixa.

No setor de papel, a XP avalia que a Klabin tem se beneficiado da expansão do consumo de papelão ondulado e de cartões no mercado doméstico. A expectativa da casa é de que essa tendência se mantenha para os próximos trimestres.

Os analistas também têm visão positiva para os preços de celulose no futuro, com demanda da China ainda forte. A XP tem recomendação de compra para os papéis KLBN11 e preço-alvo de R$ 32 por ação.

Na visão do Bradesco BBI, a dinâmica de ganhos da Klabin deve permanecer forte, impulsionada por um bom desempenho nos negócios de papel e embalagens. Os analistas destacam que a demanda por esses produtos tem surpreendido o banco positivamente, com uma força sustentada pelo e-commerce e pelas indústrias de alimentos e bebidas.

Segundo o banco, a Klabin é negociada a um múltiplo valor da empresa sobre o Ebitda de 6,8 vezes para 2022, o que é atraente, abaixo das 8,5 vezes que o Bradesco considera razoável.

O Bradesco BBI manteve sua recomendação outperform (acima da média do mercado) para os papéis KLBN11 e preço-alvo de R$ 40 por ação.

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Já o Credit Suisse vê a Klabin como o nome mais defensivo dentro do setor de papel e celulose dada sua grande exposição (cerca de 80% dos volumes) a setores mais isolados dos ciclos de negócios.

“Embora a Klabin deva se beneficiar de uma sólida demanda por papéis para embalagens no Brasil e o crescimento dos lucros deva se acelerar com o start-up da primeira máquina do projeto Puma II, os números de capex (despesas de capitais) permanecem elevados e devem se traduzir em geração de fluxo de caixa livre negativo para 2021 e zero, em 2022″, escrevem os analistas.

O time de análise também diz ver a alavancagem da companhia permanecendo em níveis relativamente altos, de 3 a 4 vezes a dívida líquida sobre o Ebitda.

O Credit Suisse tem recomendação neutra para os papéis KLBN11 e preço-alvo de R$ 31,50.

Por volta das 13h20 desta terça-feira (10), a ação KLBN11 apresentava leve alta de 0,60%, a R$ 25,26.

Cenário estável para a celulose

Em relatório divulgado na segunda-feira (9), o Itaú BBA comentou sobre a queda dos preços de celulose em julho e sobre as perspectivas para o setor daqui para frente.

Na avaliação do banco, a forte queda nos preços da celulose na China foi atenuada e as restrições de fornecimento e logística podem desempenhar um papel fundamental para suavizar a baixa nos preços, que deve ser mais gradual nos próximos meses.

Por outro lado, apontam, “apesar da tendência de diminuição da queda dos preços do papel, as margens dos produtores de papel na China permanecem sob pressão e continuam a representar um risco para a demanda de celulose no futuro”.

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Enquanto na China os preços da celulose devem recuar na comparação mensal, o time de análise ainda enxerga preços mais resilientes na Europa no curto prazo, diante de estoques baixos entre os produtores e nos portos (nível mais baixo desde maio de 2018); números da carteira de pedidos ultrapassando os orçamentos dos fabricantes de papel, bem como gargalos logísticos.

Ainda de acordo com o relatório, outra vertente que pode beneficiar o setor é o de embalagens renováveis, com investimentos estimulando o consumo de celulose não branqueada nos próximos anos.

Embora alguns dos projetos de renováveis estimados para o futuro possam ser adiados, o Itaú BBA diz ver ventos favoráveis partindo da substituição de embalagens plásticas; da conversão de capacidade de P&W (papéis para imprimir e escrever) em embalagem; e de investimentos para entrar no setor de embalagens renováveis, como é o caso da Klabin.

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