Publicidade
O CEO da Klabin (KLBN11), Cristiano Teixeira, destacou nesta quarta-feira (2) os percalços previstos daqui para frente no mercado de papel e celulose, o que trouxe questionamentos por parte de analistas, durante teleconferência de resultados do segundo trimestre, sobre o futuro da alocação de capital da companhia.
“Vocês (analistas) compreendem uma situação que diria ser cíclica das commodities, que traz preços (mais baixos) por tonelada. E eu não estou falando só de papel e celulose. A gente vive um momento hoje; e ficou para trás o forte período de crescimento (das commodities). A Klabin soube se aproveitar de praticamente todas as oportunidades que tiveram (com a alta de preços de papel e celulose)”, afirmou o executivo.
Neste segundo trimestre, a Klabin registrou resultados fracos, segundo analistas, mas considerados dentro do previsto. Após o balanço divulgado ontem, as ações fecharam em queda de 1%. Nesta quarta-feira (2), as ações da papeleira fecharam em queda de 0,26%, cotadas a R$ 22,69, mas variaram entre R$ 22,28 e R$ 22,99.
A Klabin anunciou ainda a distribuição de dividendos intermediários de R$ 269 milhões, com data de corte no dia 4 de agosto, com acionistas ficam ex-dividendos em 7 de agosto. O pagamento acontece em 15 de agosto.
Klabin (KLBN11): Mercado mais fraco e alocação de capital
Cristiano Teixeira reconhece o momento de baixa de mercado global de papel e celulose. “O setor está no momento de contra ciclo, de queda de preços, de redução de margem. Nessa hora, no dilema de crescimento, empresa de capital intensivo, a discussão fica, no bom sentido, muito acalorada, porque precisa alocar o capital na visão do crescimento”, afirma.
Ele ressalta que o debate de alocação de recursos tem ocorrido dentro da Klabin. Nesse ponto, entra, segundo o CEO, o “dilema de crescimento versus dividendos”.
Continua depois da publicidade
O executivo destaca na discussão que “os preços reais dos ativos vão caindo e ao mesmo tempo não se apresenta números para frente que justifiquem só na matemática, só no financeiro, investimento”.
A Klabin fez questão de dizer na teleconferência de resultados que não há nenhuma previsão de anúncio de estudo de projeto de crescimento da empresa.
“Nesse momento, o foco absoluto é entregar bem nossa máquina 28 (fase 2 do Projeto Puma). A gente está empenhado de fazer aquele site em uma referência mundial. Tem muito upside para vir daquele site”, comentou Teixeira, acrescentando haver outros investimentos a serem feitos, mas “pequenos” e de continuidade de atividade.
Continua depois da publicidade
Mercado difícil à frente
“Nós não estamos avaliando nenhum investimento orgânico da forma que normalmente a gente faz”, ressaltou. “A gente tem foco muito grande em produtividade, em custo fixo indireto, justamente se adequando à nova realidade”, disse, acrescentando: “Estamos nos preparando do ponto de vista de eficiência e custo para um período de 18 meses de um mercado difícil”.
China
Segundo Alexandre Nicolini, diretor comercial da Klabin, há “pequenos sinais positivos da China” com relação à celulose. “O que a gente notou é que esse giro de estoque (na China) ele está maior do que há alguns meses atrás”, afirmou.
Isso se deve, segundo o diretor, por conta de duas vertentes: produção doméstica de papel, que tem melhorado face à demanda um pouco melhor nesses últimos dois meses; e recomposição de estoque.
Continua depois da publicidade
Na Europa a situação é bem mais complexa. Segundo a empresa, a “demanda parece bem reprimida”, com níveis de estoque tanto de celulose como de produtos acabados elevados.
Ao encerrar a teleconferência com analistas, Cristiano Teixeira enfatizou que a Klabin prevê um 3T23 também “desafiador” em meio a uma pequena melhora no mercado.