Papel e celulose

Klabin (KLBN11) diz que gargalos logísticos se tornaram mais críticos com guerra e lockdown chinês

Problemas logísticos podem levar ao aumento de preços, mas isso não representa necessariamente ganhos de rentabilidade

Por  Augusto Diniz

O diretor-geral da Klabin (KLBN11), Cristiano Teixeira, disse nesta quarta-feira (4) que os gargalos logísticos, que já traziam desafios desde o início da pandemia da Covid-19, se tornaram ainda mais críticos, com o novo lockdown que acontece na China e a guerra Rússia-Ucrânia.

As declarações aconteceram por conta da teleconferência com analistas para comentar os resultados do 1º trimestre da Klabin, quando reportou lucro 108% maior. Hoje, as ações da empresa sobem 4,33%, cotadas a R$ 22,14.

Segundo ele, as “incertezas” têm sido agravadas pelo conflito entre Rússia e Ucrânia. “O corte de gás na Polônia, por exemplo, reduz ou para a produção de produtos, que competem com o Brasil. Os próprios produtos da Rússia têm deixado de se embarcar para o mundo”, explica.

“Então, tem uma dinâmica de demanda, com essa influência do conflito, majorada pelas questões logísticas, em que os preços sobem, e não necessariamente as margens, por questões logísticas”, disse ele.

Para o executivo da Klabin, “nunca foi tão complexo operar Klabin nessa dinâmica de flexibilidade, por que não necessariamente os preços levam às melhores margens”.

Entretanto, ele ressaltou que a Klabin tem “conseguido tirar o melhor possível, apesar confusão da logística”.

Klabin: China preocupa com lockdown

Marcos Ivo, diretor Financeiro e de Relações com Investidores da Klabin, na teleconferência com analistas, destacou a resiliência da companhia com cenário adverso, com destaque para regiões maduras, onde a empresa tem direcionado mais seus negócios, como Estados Unidos e Europa.

Especificamente sobre o segmento de celulose, a empresa apontou no balanço do 1T22 restrição de oferta global decorrente de fatores como greves, concentração de paradas de manutenção e dificuldades nas cadeias logísticas.

“Na China, (a situação é) mais delicada por causa do lockdown. Ainda sim, não sentimos arrefecimento (nos negócios), embora nossa exposição naquele país tenha diminuído de 2021 para 2022”, ressaltou Ivo da Klabin.

Marcos Ivo falou ainda do impacto do transporte de contêineres, um dos itens mais atingidos com o lockdown na China. Um dos principais produtos da Klabin, a celulose fluff, é embarcada em contêineres.

“Esse problema é um pouco mais crônico, com 25% da capacidade de contêiner mundial parada na China. Não é um problema que se resolve a curto e médio prazos. A gente enxerga o problema crônico pelo menos até o final do ano”, afirma o diretor.

Mercado interno pressionado

Sobre aumento de custos, Marcos Ivo disse que “tem um processo de inflação colocado. A gente tem os itens dentro de nossa matriz de insumo, como combustível e químicos, que são commodities de preço global, e esses preços subiram e estão refletidos no nosso resultado”.

Ainda sobre o mercado doméstico, Cristiano Teixeira disse que “tem sofrido uma inflação difícil de compreender a longo prazo, mas no curto prazo tem conseguido repassar (os custos)”.

Para ele, o mercado interno deve caminhar lentamente pela questão inflacionária. “O comércio global, à luz de hoje, deve se manter firme”, avaliou.

O diretor-geral da Klabin comentou também que “as margens (da companhia) estão relativamente equilibradas, com uma tendência melhor no mercado internacional”.

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