Klabin e Suzano: promessa é de bons números no 1º tri após surpresas no início do ano

Preço da commoidity surpreendeu positivamente no período que vai de janeiro a março deste ano e deve sustentar resultados melhores

Vitor Azevedo

Foto: Divulgação

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A Klabin (KLBN11) divulga na próxima quinta-feira (25), antes da abertura do mercado, seu resultado do primeiro trimestre de 2024, sendo a primeira empresa do setor de papel e celulose a tornar seus números públicos, em um período que deve ser marcado pela melhora sequencial de preço dessa commodity, sendo destaque positivo no segmento de matérias-primas. A Suzano (SUZB3) torna seu balanço público no dia nove de maio.

“Os preços da celulose continuaram a aumentar durante o primeiro trimestre e subiram aproximadamente US$ 38 por tonelada”, ressalta o time do Bank of America, liderado por Caio Ribeiro. “Esperamos que as empresas de celulose e papel relatem resultados mais fortes de um trimestre para o outro, principalmente devido a preços realizados mais altos, mesmo considerando um atraso em relação ao índice FOEX”, corrobora a equipe do Santander, chefiada por Aline Cardoso. 

O preço da celulose passou no quarto trimestre de 2023 por um pico, após um mini rali  sustentado pela reposição de estoques na China, com os compradores se preparando para o Ano-novo chinês, que aconteceu na segunda semana de fevereiro. A percepção, no entanto, era de que, passado o evento, os preços realizariam. 

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Porém, a commodity mostrou força durante o primeiro trimestre, com a sustentação de demandas mais resilientes tanto na China quanto na Europa. Fora isso, papel e celulose também contaram com a ajuda de questões como a do Mar Vermelho, que mudou a dinâmica das vendas globais. Nos últimos dias de março, o preço da tonelada de BEKP (fibra curta) estava em US$ 653, praticamente estável frente ao começo do ano. 

Toda a situação permitiu, por exemplo, que a Suzano realizasse reajustes de preço durante o primeiro trimestre.

Os analistas da XP, encabeçados por Lucas Laghi, mencionam que o desempenho da commodity foi “forte e inesperado”. “Vemos um trimestre relativo melhor para as empresas expostas à celulose, com o atual ambiente de preços definindo um tom positivo. Dito isso, vemos a Suzano como destaque do setor, com a empresa também sendo beneficiada pela continuidade de um melhor desempenho de custos”.

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Do lado dos custos, para a corretora, a Suzano deve ser beneficiada por um menor impacto das paradas de manutenção. Contudo, a visão é também que os saldos positivos na base sequencial sejam parcialmente compensados por um menor volume de vendas, com a empresa fazendo estoques no intervalo que vai de janeiro a março deste ano – sendo que queimou no quarto trimestre.

“Para celulose, prevemos Ebitda [Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, na sigla em inglês] de R$ 4,1 bilhões (alta de 8% no trimestre), com margens de 52,4% (ante 48,3% no quarto trimestre de 2023. Para papel, esperamos Ebitda de R$ 600 milhões, queda de 17%,  impactada principalmente por menores volumes”, diz a XP. que enxerga a Suzano trazendo um Ebitda total de R$ 4,7 bilhões, com alta de 4% no trimestre.

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No caso da Klabin, a percepção dos analistas se divide. A XP enxerga o lucro operacional subindo 4%, para R$ 1,7 bilhão, enquanto o BofA vê uma queda de 4%, para R$ 1,6 bilhão. No tempo em que a corretora dá mais peso para os preços realizados e o resultado na divisão papel, o banco americano enxerga que problemas de produção e atrasos devem impactar o resultado. 

Confira os consensos da LSEG para Suzano e Klabin:

Receita líquidaEbitdaLucro líquido
SuzanoR$ 9,9 bilhõesR$ 4,9 bilhõesR$ 241,9 milhões
KlabinR$ 4,5 bilhõesR$ 1,6 bilhãoR$ 446,3 milhões