Juros futuros têm forte queda diante da decisão do BC de elevar o compulsório

Para Itaú, aperto monetário pode ser menor; já na visão de Mantega, com uma política fiscal rigorosa, juros não deverão subir

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SÃO PAULO – Os principais contratos de juros futuros fecharam esta sexta-feira (3) em queda no mercado da BM&F, após o Banco Central ter anunciado a elevação do compulsório, em uma medida para enxugar a liquidez da economia, conter a demanda, que segue aquecida e manter a sustentabilidade do mercado de crédito no Brasil. Novamente o contrato de maior liquidez foi o de janeiro de 2011, com um número expressivo de contratos negociados, refletindo a expectativa do mercado em relação à  taxa de juros no próximo ano.

O Banco Central elevou nesta sexta-feira o compulsório e aumentou o limite de garantia do FGC (Fundo Garantidor de Créditos), além de também estabelecer um cronograma para extinção do DPGE (Depósito a Prazo com Garantia Especial do FGC). O adicional de compulsório sobre depósitos à vista e a prazo será elevado de 8% para 12%, enquanto o compulsório sobre depósitos a prazo aumentará de 15% para 20%. Segundo a autoridade monetária, as mudanças nas regras de recolhimento dos compulsórios causarão um impacto de R$ 61 bilhões.

Para Aldo Mendes, diretor de política monetária do BC, mudanças foram motivadas pelo aumento da inadimplência decorrente do alongamento dos prazos de crédito. Na realidade, as medidas têm como objetivo aprimorar os instrumentos regulatórios existentes, manter a estabilidade do SFN (Sistema Financeiro Nacional) e continuar o desenvolvimento sustentável do mercado de crédito, além de prosseguir com a retirada gradual dos incentivos que foram colocados para fazer frente à crise de 2008.

Elevação do compulsório não é suficiente, gastos públicos precisam diminuir
Porém, segundo Alencar Burti, presidente da ACSP (Associação Comercial de São Paulo)  e da FACESP (Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo), apesar do reconhecimento de uma demanda aquecida no Brasil, “as novas regras decididas hoje só terão efeito sobre a inflação se o governo fizer a parte dele, que é a contenção do gasto público. É isso que o setor privado espera”.

Para Guido Mantega, ministro da Fazenda, as medidas são acertadas para evitar que a oferta de crédito não passe dos limites. Já o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirmou que os passos macroprudenciais anunciados são complementares, mas não “substitutos perfeitas” dos instrumentos convencionais de política monetária.

É possível que aperto monetário total seja menor
Segundo os analistas do banco Itaú, Ilan Goldfajn, Guilherme da Nóbrega e Mauricio Oreng, as mudanças do BC aumentarão os custos de financiamento dos bancos, colocando pressão sobre spreads e reduzindo o ritmo dos empréstimos, o que representa um primeiro passo no processo de aperto monetário. Tais mudanças, segundo eles, diminuem qualquer senso de urgência que o BC poderia ter e isso reduz a probabilidade de aumento nos juros já na próxima semana. O mais provável é que o Banco Central sinalize alta agora, mas suba realmente os juros somente em janeiro.

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“É razoável que, em função das medidas desta sessão, o aperto total seja menor do que o previsto em nosso cenário atual, de 200 pontos-base”, diz Itaú

O aumento dos juros é realmente necessário?
Os dados mais recentes sobre a inflação, mostrando intensificação do ritmo de aumento dos preços na economia, apontam na direção – pelo menos aparente –  da necessidade de aumentar os juros. Mas na visão de Mantega, será possível realizar medidas fiscais que não só permitam uma manutenção dos juros, mas também poderão promover uma redução nas taxas. Para isso, seria necessária uma política de rigor fiscal para 2011, com redução nos gastos públicos e aumento da poupança, o que levaria à redução dos juros.

Segundo o ministro, a pressão inflacionário existe, mas se a política fiscal do próximo governo for conduzida com seriedade e com a meta de redução de gastos, não haverá pressão dos riscos, o que pode dar margem à política de redução dos juros, incentivando o consumo e o investimento.

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Contrato de janeiro de 2011 fechou com taxa de 10,69%
O contrato de juros de maior liquidez nesta sexta-feira, com vencimento em janeiro de 2011, registrou uma taxa de 10,69%, 0,14 ponto percentual abaixo do fechamento de quinta-feira.

A seguir confira o fechamento das taxas dos principais contratos de DI futuro na BM&F:

Vencimento Taxa atual Taxa anter Diferença Contr Neg
 Janeiro de 2011 10,69 10,83 -0,14 2.133.980
 Fevereiro de 2011 10,78 10,96 -0,18 14.700 
 Março de 2011 10,90 11,14 -0,24 18.440 
 Abril de 2011 11,07 11,36 -0,29 437.075 
 Julho de 2011 11,57 11,83 -0,26 290.830 
 Outubro de 2011 11,87 12,08 -0,21 20.780 
 Janeiro de 2012 12,05 12,22 -0,17 762.635 
 Abril de 2012 12,22 12,35 -0,13 5.210 
 Julho de 2012 12,35 12,42 -0,07 75.475 
 Janeiro de 2013 12,36 12,36 0,00 370.045 
 Abril de 2013 12,36 12,32 +0,04 3.530 
 Julho de 2013 12,33 12,30 +0,03 1.790