Juros futuros: entenda o conceito e a relação com a taxa Selic

Um dos mercados mais sensíveis às decisões do Copom serve de parâmetro ao se traçar perspectivas para a economia

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SÃO PAULO – As reuniões do Copom
têm sido muito mais do que encontros com o objetivo de definir a taxa básica de juro da economia brasileira. Mais do que a remuneração dos títulos públicos ofertados pelo Governo, esta taxa tem servido como sinalização para o mercado dos rumos que o Banco Central pretende dar à política monetária.

O mercado de juros futuros é um dos mais sensíveis às decisões do Copom, na medida em que o aumento ou a redução da taxa Selic interfere diretamente nos negócios. Assim, o comportamento dos contratos de juros futuros é um importante parâmetro para se saber qual é a expectativa do mercado em relação à Selic e, por conseguinte, em relação às outras variáveis macroeconômicas, principalmente a inflação.

O que é um contrato futuro?

Em linhas gerais, um contrato futuro consiste em se assumir hoje o compromisso de comprar ou vender um determinado ativo numa data futura, a um preço estipulado hoje. Este tipo de contrato é muito útil, quando se busca proteção contra fortes oscilações nos preços de mercadorias e ativos financeiros ou, simplesmente, para especular.

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Suponhamos, por exemplo, que uma pessoa estabeleça, através de um contrato, o compromisso de vender para outra pessoa, daqui a 90 dias, uma tonelada de soja a R$ 800,00. A pessoa que assumiu o compromisso de vender teme que, no dia do vencimento, o valor de mercado da tonelada da soja esteja abaixo de R$ 800,00, enquanto a pessoa que assumiu o compromisso de comprar teme que, no vencimento, o preço de mercado esteja acima deste valor.

Caso, na data do vencimento do contrato, a tonelada da soja venha a ser negociada a R$ 700,00, quem estava vendendo lucra R$ 100,00, pois venderá a R$ 800,00 um produto que vale R$ 700,00. Este lucro é financiado, obviamente, por aquele que estava comprando, que terá que pagar R$ 800,00 por um produto que vale R$ 700,00.

É importante destacar que os termos do contrato, como quantidade, tipo de produto, etc, são determinados por uma bolsa que, no caso brasileiro, é a BM&F, Bolsa de Mercadorias e Futuros. Outro ponto relevante é que a liquidação destes contratos raramente é física, o que, no exemplo acima, corresponderia à entrega da soja. A grande maioria dos contratos tem liquidação financeira, ou seja, apenas existe o pagamento do valor monetário da soja no momento da liquidação.

Como funcionam os contratos de juros futuros?

Não é só com contratos de mercadorias que o mercado futuro trabalha. Existem também os contratos de derivativos financeiros, como dólar, índices de ações, como o Ibovespa, e taxas de juros, como os futuros do DI, ou Depósito Interfinanceiro.

Estes depósitos interfinanceiros são, de forma simplificada, semelhantes ao conceito de
CDBs, porém são realizados somente dentro do âmbito de instituições financeiras. Ou seja, um banco empresta dinheiro para outro e é remunerado por isso. Quando estes “empréstimos” são de apenas um dia, eles são remunerados pelo CDI de um dia, que é fortemente influenciado pelo patamar da Selic meta, taxa básica da economia, que é determinada pelo Banco central.

Deste modo, quando falamos de negociação de juros futuros na BM&F, o instrumento mais transacionado é o contrato futuro do DI de um dia. Como existe uma estreita relação entre o CDI de um dia e a Selic, ao negociar um patamar futuro de DI de um dia, o mercado está indicando qual sua projeção para a Selic no vencimento deste contrato.

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O que leva essas taxas a caírem ou subirem?

Assim como todo e qualquer mercado futuro, o mercado de juros futuros trabalha a partir de expectativas. Como já vimos, as taxas dos contratos futuros são atreladas à perspectiva para a taxa Selic, quando do vencimento de cada contrato. Logo, se aumenta a expectativa que o Banco Central aumentará a Selic, os juros embutidos nos contratos de DI futuro também se ajustam para cima.

Dentre as variáveis que levam o mercado a acreditar em uma mudança na Selic, merecem destaque as previsões de inflação, além de dados que possam alterar a percepção de risco do Brasil.

É por isso que, quando o mercado tem a expectativa de redução da taxa Selic no longo prazo, os contratos de juros futuros são negociados a taxas mais baixas. Se, ao contrário, o mercado passa a trabalhar com a expectativa de elevação da taxa Selic no longo prazo, os contratos de juros futuros passam a ser negociados a taxas mais altas.