Juros futuros caem em sessão de noticiário esvaziado no Brasil

Sem gatilhos locais e com Congresso em recesso, DIs recuam enquanto juros nos EUA sobem após tensão entre Trump e Fed

Reuters

Foto: Unsplash
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SÃO PAULO, 12 Jan (Reuters) – As ‍taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) fecharam a segunda-feira em baixa, em ⁠uma sessão de noticiário esvaziado no Brasil, enquanto no exterior os rendimentos ‍dos Treasuries subiram mais cedo em meio ao aumento da pressão do governo Trump sobre o Federal Reserve.

No fim da tarde a taxa do DI para janeiro ‌de 2028 estava em 13,02%, em baixa de 5 pontos-base ante o ajuste de 13,07% da sessão anterior. A taxa para janeiro de 2035 marcava 13,48%, com queda de 7 pontos-base ante 13,546%.

Com a agenda econômica e política esvaziada no Brasil, em meio ao recesso do Congresso, as taxas futuras oscilaram próximas da estabilidade no início do dia ‌e se firmaram em baixa durante a tarde, ainda que os movimentos tenham sido ‌contidos.

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Profissional ouvido pela Reuters pontuou que a “ausência de notícias ruins”, já que o Congresso está fechado, permitiu a redução de prêmios.

No noticiário local, destaque apenas para o encontro entre representantes do Banco Central e do Tribunal de Contas da União para discutir o caso da liquidação do Banco Master, que não teve ‌efeitos sobre a curva.

Após a reunião, o presidente do tribunal, ministro Vital do Rêgo, afirmou ter sido informado pelo BC que é “muito importante” que o órgão ​faça inspeção na autoridade monetária sobre a liquidação do banco. Segundo ele, a inspeção pelo TCU será feita com interlocução entre os dois órgãos.

Também sem efeitos maiores sobre a curva, o boletim Focus do Banco Central revelou pela manhã que a mediana das projeções dos economistas para a inflação em 2026 passou de 4,06% para 4,05% e em 2027 seguiu em 3,80%. A taxa básica Selic para o fim deste ano continuou em 12,25% e para o final do próximo ano permaneceu em 10,50%.

A baixa das taxas futuras no Brasil contrastou com o exterior, onde os rendimentos dos ​Treasuries subiram, em especial pela ⁠manhã e entre os ⁠contratos mais longos.

O movimento foi impulsionado por revelação feita pelo chair do Fed, Jerome Powell, no domingo dando ‌conta de que a instituição havia recebido intimações do Departamento de Justiça dos EUA na semana passada, referentes a comentários que ele fez ao Congresso sobre os custos excedentes de uma reforma de US$2,5 bilhões na sede da ‍instituição, em Washington.

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De acordo com Powell, “essa ação sem precedentes deve ser vista no contexto mais amplo das ameaças do governo e da pressão contínua’ ​por taxas de juros ‌mais baixas e, de forma mais ampla, por uma maior influência sobre a instituição.

Após a pressão vista pela manhã, ‍na esteira dos comentários de Powell, os rendimentos dos Treasuries registravam altas menores no fim da tarde. Às 16h35, o rendimento do Treasury de dois anos–que reflete apostas para os rumos das taxas de juros de curto prazo– mostrava estabilidade, aos 3,543%. Já o retorno do título de dez anos –referência global para decisões de investimento– subia 1 ponto-base, a 4,183%.