Juros de títulos europeus caem com rumores de que BCE quer comprar dívida

Os rumores recaíram sobre os papéis da Espanha e da Itália, reduzindo os yields em 2,04% e 3,56%, respectivamente

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SÃO PAULO – A demanda por juros de títulos públicos na Zona do Euro arrefeceu nesta manhã, ao passo que crescem especulações em torno de uma possível compra de dívida pelo BCE (Banco Central Europeu). 

Os rumores recaíram sobre os papéis da Espanha e da Itália, as nações mais problemáticas do bloco. Nesta manhã, os títulos com vencimento em dez anos recuaram 2,04% e 3,56%, respectivamente. Ainda assim, o yield dos ativos espanhóis se maném na perigosa margem dos 7%.

O noticiário político europeu também pode continuar movimentado e exige atenção dos investidores, tendo em vista que Draghi dexou claro que, para resumir a compra de títulos, seria necessário a Espanha ou a Itália pedirem aos fundos de resgate para reativarem seus programas de compra de dívida.

PMI
Enquanto isso, o mercado analisa dados já divulgados do setor de serviços na Zona do Euro. PMI (Índice de Gerentes de Compras) composto apontou para a consolidação do desaquecimento das atividades do setor privado no bloco. O indicador registou uma leve alta em julho (de 0,01 p.p.), mas ainda está bem abaixo da marca de 50 pontos, que separa contração de expansão. 

Já na Alemanha, o setor de serviços teve expansão inesperada em julho. PMI do país subiu para 50,3 em julho ante registro de 49,9 em junho.

País Rendimento (Y) Variação Yield-Bund (Y-B)*
Grécia 25,44% -1,35% +24,11 p.p.
Portugal 10,93% -0,92% +9,60 p.p.
Itália 6,10% -3,56% +4,77 p.p.
Espanha 7,01% -2,04% +5,68 p.p.
França 2,03% -1,12% +0,70 p.p.
Alemanha (B) 1,33% +8,48% –

Fonte: Bloomberg

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Entenda: quanto maior, pior
Os títulos públicos são uma das maneiras que os governos possuem para se financiar, enquanto a variação diária dos rendimentos decorre das negociações no mercado secundário. O juro pago pelo governo e o valor do papel são definidos no momento da emissão dos títulos, mas este último sofre variação no mercado secundário.

Assim, quanto mais arriscado um investimento, maior será o prêmio demandado pelos investidores no mercado secundário. Portanto, o valor do título recua e, consequentemente, o rendimento no mercado secundário aumenta. Tal variação positiva é uma indicação de que caso o governo opte por emitir novos papéis o custo para se financiar deverá ser maior.