Juros de empréstimos para empresas sobem em junho

Bancos reduzem recursos para empréstimos com instabilidades no mercado financeiro e aumento da alíquota dos compulsórios

Publicidade

SÃO PAULO – A procura de crédito por empresas já vinha crescendo a um ritmo bastante lento desde o início de 2002, como reflexo não somente do fraco crescimento da economia brasileira, mas também devido às elevadas taxas de juros cobradas no país. Assim, segundo dados do Banco Central, o volume total de operações de crédito atingiu R$ 338,8 bilhões, o que representa elevação de apenas 1% em relação à igual período de 2001.

Já os financiamentos para empresas atingiram R$ 124,2 bilhões e registraram crescimento de apenas 0,7%. Porém, é possível que a procura por crédito diminua ainda mais até o final do ano.

Bancos começam a subir juro

Isso porque alguns bancos já iniciaram movimento de subida de juros devido à instabilidade do mercado financeiro dos últimos dias. No entanto, a decisão pode parecer contraditória, já que o Banco Central, após o encerramento da reunião mensal do Copom (Comitê de Política Monetária), afirmou que a taxa de juros básica da economia, a Selic, seria mantida em 18,5% ao ano.

No entanto, foi estabelecido o chamado “viés” de baixa, mecanismo através do qual a autoridade monetária pode baixar os juros antes da próxima reunião do Copom, que deve ocorrer na segunda quinzena de julho.

Bancos usam compulsório como desculpa

Para tentar acalmar o nervosismo do mercado financeiro, o Banco Central aumentou o chamado depósito compulsório, percentual sobre o montante depositado nos bancos que devem ser re-alocados para o Banco Central na forma de títulos públicos. Com isso, as instituições financeiras têm menos dinheiro e, conseqüentemente, a especulação sobre alguns ativos, principalmente o dólar, tende a diminuir.

Assim, a alíquota compulsória incidente sobre depósitos em caderneta de poupança foi elevada de 15% para 20% e, para depósitos a prazo, como CDBs (Certificado de Depósito Bancário), de 10% para 15%. As duas medidas juntas acabaram reduzindo em R$ 13 bilhões o volume de recursos em circulação no mercado.
Portanto, como possuem menos recursos para emprestar e seguem receosos quanto à elevação das taxas de inadimplência, muitos bancos preferem destiná-los para compra de títulos públicos, já que o risco de não reaverem o dinheiro é bem menor.

Continua depois da publicidade

CEF e Nossa Caixa já reajustaram tarifas

Assim, a Caixa Econômica Federal elevou as taxas de juros para operações de capital de giro, sua maior linha de crédito para empresas, de 2,50% para 2,90% ao mês, além da chamada TR (Taxa Referencial). No mesmo sentido, a Nossa Caixa, apesar de ainda possuir as melhores taxas do mercado, da ordem de 2% ao mês para desconto de cheques pré-datados, subiu sua taxa máxima para essa operação de 3,95% para 4,70% ao mês.

Assim, os proprietários, principalmente os pequenos empresários, devem pesquisar para comparar as taxas cobradas por diversos bancos, já que dificilmente são aumentadas na mesma proporção.

Além disso, num ano de eleição, também marcado por grandes incertezas no cenário internacional, pode ser interessante a antecipação de financiamentos, ou mesmo a redução do prazo das dívidas, para evitar maiores turbulências que devem prevalecer no mercado financeiro até o final do ano.